Carro mais vendido do mercado chinês chega ao Brasil com preços agressivos e alvo direto apontado aos elétricos de entrada
São Paulo – Chegou ao mercado brasileiro o carro mais vendido na China. Com o Geely EX2, lá chamado Geome Xingyuan, posicionado com preços agressivos, partindo de R$ 120 mil no lote promocional, a marca que agora integra a operação local do Grupo Renault dá sinais sobre quais são seus objetivos por aqui.
Embora Ariel Montenegro, o presidente da Renault Geely do Brasil, não fale sobre expectativa de vendas, está claro que a busca é por volumes. Até outubro o BYD Dolphin Mini, que concorre na mesma faixa de preço, registrou 25,7 mil emplacamentos, ainda sem produção local. O Dolphin, um degrau acima, teve 12,1 mil.
O EX2 não deverá ter desempenho semelhante, porque a rede Geely, de 23 concessionários, é bem menor do que a da BYD, na casa das duzentas. Até o fim do primeiro semestre de 2026 o objetivo é crescer para quarenta pontos de vendas mas sem pisar no acelerador: Montenegro afirmou que os grupos que, neste início, depositaram suas fichas na Geely precisam ter seu investimento retornado antes de pensar em passos maiores.
Este aperto no passo deverá vir com a produção local, que terá seus pormenores anunciados em 17 de novembro, em cerimônia com autoridades e executivos globais das duas marcas. É certo que a Geely produzirá modelos no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, PR, e o EX2 é forte candidato a figurar na lista dos pioneiros. Compartilhamento de plataformas é outra possibilidade, como já vem sendo feito na Coreia do Sul, mercado no qual foi assinado acordo semelhante.
O EX2
O porte do EX2 é do BYD Dolphin: são 2 m 650 de entreeixos, 4 m 135 de comprimento. É quase do tamanho do Volkswagen T-Cross, SUV mais vendido do mercado nacional.
O motor elétrico posicionado na traseira, de onde vem a tração, alcança 116 cv com 150Nm de torque. A autonomia, medida pelo PBEV, é de 289 quilômetros.
Seu design chama a atenção, especialmente no tom verde escolhido como cor de lançamento. Internamente traz aquilo que se espera de carros vindos da China: uma tela posicionada atrás do volante, de 8,8 polegadas, e a tela central, que faz as vezes de central multimídia, com 14,6 polegadas. Poucos, mas necessários botões, abrem portas, janelas, mexem com o retrovisor e outras funções que, em alguns chineses, estão limitadas à central.
Além do porta-malas de 375 litros existe um espaço frontal, que o marketing da Geely chamou – e patenteou! – de fronta-malas. São mais 70 litros abaixo do capô.
Em percurso de menos de 10 quilômetros dentro da cidade a reportagem notou que a suspensão foi bem ajustada, tornando a condução suave. O motor atende bem às demandas e responde rapidamente às pisadas no acelerador. Na tela marcava autonomia superior a 300 quilômetros, mesmo com o medidor da bateria não estando completamente cheio.
Segundo Milena Martins, a chefe de marketing e comunicação da Geely do Brasil, o EX2 tem dois públicos-alvos: famílias em formação, na faixa dos 35 anos de classe A e B, com filho pequeno, e solteiros ou jovens casais de 30 a 34 anos, sem filhos, que priorizam tecnologia e sustentabilidade.
Outro público não mencionado e que certamente será alcançado são motoristas de aplicativos, devido ao baixo consumo.
Versões e preços
Promocional de lançamento Geely EX2 Pro – R$ 119 mil 990 Geely EX2 Max – R$ 135 mil 100
Ao fim do lote promocional Geely EX2 Pro – R$ 123 mil 800 Geely EX2 Max – R$ 136 mil 800