Vendas globais da ZF recuam 11%

São Paulo – As vendas da ZF no ano passado alcançaram € 41,4 bilhões, queda de 11% com relação a 2023, € 46,6 bilhões. De acordo com a empresa o resultado foi influenciado pela desvinculação da linha de produtos de montagem de eixos de carros de passeio e sua transferência para a joint venture ZF Foxconn Chassis Modules a partir de 30 de abril, o que corresponde a um efeito único de € 2,6 bilhões.

Ajustadas para efeitos de fusões e aquisições e influências cambiais as receitas de vendas orgânicas caíram cerca de 3%. Disse o CFO Michael Frick que “o desenvolvimento econômico continua fraco e estamos vendo volumes mais baixos tanto no segmento de carros de passeio como, ciclicamente, no segmento de veículos comerciais”.

No entanto a maioria das divisões superou o mercado. A divisão ZF Aftermarket se beneficiou particularmente de menores negócios de veículos novos e maiores demanda de serviços. Suas vendas aumentaram 12%, para € 3,6 bilhões em 2024. Do ponto de vista regional a Europa continuou sendo a região com as maiores vendas, respondendo por 47%, seguida pela América do Norte, com 27%, e pela região da Ásia-Pacífico, com 23%.

O EBIT ajustado do Grupo ZF totalizou € 1,5 bilhão, enquanto que no ano anterior foi de € 2,3 bilhões, o que corresponde a uma margem EBIT ajustada de 3,6% frente à de 5,1% de 2023. O fluxo de caixa livre ajustado para atividades de fusões e aquisições totalizou € 305 milhões enquanto que um ano antes estava em € 1,3 bilhões.

As elevadas provisões para custos de reestruturação de cerca de € 600 milhões conduziram a resultado líquido de menos € 1 bilhão. Como resultado a dívida aumentou para € 10,4 bilhões no fim de 2024. No ano fiscal de 2024 a ZF liquidou dívidas de € 2,3 bilhões e criou segurança de planejamento com várias transações de financiamento. 

“Embora estejamos no meio de nossa faixa de previsão ajustada em setembro em termos de receita, EBIT e fluxo de caixa, naturalmente não podemos estar satisfeitos com os resultados financeiros em um ano de transformação como este.”

O executivo enfatizou que as medidas iniciadas são necessárias para que a empresa se reposicione para o crescimento futuro. A ZF está seguindo consistentemente seu curso de programas de desempenho e realinhamento estratégico em que embarcou há dois anos para abrir áreas de negócios individuais para parcerias, permitindo alcançar melhores oportunidades de crescimento.

O CEO do Grupo ZF, Holger Klein, disse que objetivo é reduzir a dívida da companhia. Foto: Divulgação.

“2024 deixou claro o quanto estão sob pressão a nossa indústria e nossa empresa”, disse o CEO do Grupo ZF, Holger Klein, na apresentação do relatório anual em Friedrichshafen, Alemanha. “Estamos enfrentando estes desafios com um plano de ação estratégico claro. O objetivo é reduzir a dívida da ZF e transformar a empresa em uma líder em tecnologia mais ágil e lucrativa.”

Empregos diminuíram 4% em todo o mundo e também na Alemanha

No ano passado, a capacidade de pessoal na Alemanha foi reduzida em cerca de 4 mil postos de trabalho, principalmente por meio de aposentadoria parcial, flutuação, expiração de contratos de trabalho temporários e redução coletiva das horas de trabalho semanais.

Em 31 de dezembro de 2024 a ZF empregava 161,6 mil pessoas em todo o mundo, enquanto que em 2023 eram 168,7 mil, cerca de 4% a menos do que no ano anterior. Na Alemanha o número de empregados também diminuiu nominalmente cerca de 4%, para 52 mil.

Expectativa para este ano é seguir focada em sua reestruturação

As perspectivas para o ano fiscal de 2025 permanecem cautelosas, informou a empresa. Particularmente para a zona do euro e a Alemanha é esperado apenas um crescimento econômico fraco. O mesmo vale para os mercados de veículos que podem permanecer abaixo dos valores do ano anterior. Além disto, segundo a sistemista, a pressão da transformação continua forte, assim como as incertezas causadas por influências geopolíticas e protecionistas.

A ZF afirmou que continuará intensamente envolvida na reestruturação que já foi iniciada este ano. Neste cenário e assumindo taxas de câmbio estáveis, espera gerar vendas de mais de € 40 bilhões em 2025. Espera-se que a margem EBIT ajustada fique na faixa de 3% a 4%, e que o fluxo de caixa livre ajustado seja superior a € 500 milhões.

Igor Calvet é o entrevistado no novo Linha de Montagem AutoData

São Paulo — Linha de Montagem AutoData, programa que será veiculado quinzenalmente na Agência AutoData, faz sua estreia em um momento delicado da economia brasileira e da geopolítica global. Seu objetivo é dar voz aos principais executivos do setor automotivo e permitir que compartilhem suas opiniões sobre o futuro da indústria e sobre os rumos do Brasil e do mundo.

Neste programa de estreia Márcio Stéfani, diretor de AutoData, entrevistou Igor Calvet, eleito presidente executivo da Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, numa conversa que abordou os desafios e as perspectivas para o setor automotivo brasileiro, tanto em nível nacional quanto internacional, em um cenário de instabilidade econômica e geopolítica.

Calvet destacou que, apesar das dificuldades, o objetivo de retomar a produção de 3 milhões de unidades no Brasil segue sendo uma meta possível, embora desafiadora. Ele também falou sobre o Mover, Mobilidade Verde e Inovação, política que visa a tornar a indústria brasileira mais competitiva, e se mostrou favorável à ideia de que veículos híbridos flex podem ser uma janela de prosperidade para o setor.

Sobre os números positivos registrados no primeiro bimestre de 2024, com crescimento nas vendas, produção e exportações, Calvet manteve a expectativa de crescimento para o ano, com projeções ainda otimistas, embora ciente dos desafios impostos pela inflação e pelos juros altos.

Ele também foi questionado sobre o risco de o Brasil perder parte dos investimentos anunciados no último ano, especialmente diante da instabilidade global. Sobre isto ressaltou que acredita que “principalmente em razão da previsibilidade e da estabilidade de mercado criado no Brasil após a instalação do Mover este risco não existe”.

A Argentina, um dos principais mercados do Brasil, também foi mencionada: o presidente da Anfavea acredita que a recuperação de mercado e das exportações para o país vizinho também estão sendo importantes para o bom desempenho da indústria brasileira neste início de ano.

A entrevista seguiu para a questão das importações, com Calvet apoiando a necessidade de antecipar a cobrança de alíquota de 35% sobre carros híbridos e elétricos chineses: “O governo brasileiro precisa responder com urgência a esta questão. Não responder gera insegurança para todos”.

Para encerrar Calvet falou sobre sua principal missão como novo presidente da Anfavea: “Fortalecer o diálogo com o setor público e buscar soluções estruturantes para os desafios do setor automotivo, com um olhar atento às transformações necessárias para garantir a competitividade da indústria brasileira”.

Para acompanhar a entrevista na íntegra clique aqui ou confira abaixo:

Mercedes-Benz vende 70 ônibus para o Grupo Jal

São Paulo – A Mercedes-Benz vendeu setenta ônibus para o Grupo Jal, de São João do Meriti, RJ, que está renovando sua frota. Cinquenta unidades foram para a frota da empresa Flores e as outras vinte para a da Real Rio, que operam no transporte coletivo urbano da Baixada Fluminense. 

Todas as unidades são do chassi OF 1721, modelo mais vendido pela Mercedes-Benz no Brasil, produzido na fábrica de São Bernardo do Campo, SP. Estão em negociação mais mais dezesseis ônibus do modelo OF 1619.

Omoda Jaecoo é a nova associada da ABVE

São Paulo — A Omoda Jaecoo é a nova associada da ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico. A empresa tem origem na China e inicia suas operações no Brasil a partir de 15 de abril, com a abertura de cinquenta concessionárias em dezessete estados.

Sua estreia será com duas linhas de produtos, sendo a Omoda dedicada a consumidores urbanos, com modelos eletrificados, e os Jaecoo são veículos robustos e preparados para o off-road.

O plano da empresa, que não vende na China, é apostar no Brasil em carros híbridos plug-in, híbridos, elétricos, híbridos flex e, no futuro, veículos a combustão.

Marcopolo Rail inicia entrega de composições no Chile

São Paulo – A Marcopolo Rail iniciou a entrega das três composições do modelo Prosper para a Ferrocarriles del Estado EFE Trenes, do Chile, responsável pela gestão da rede ferroviária. É uma das empresas públicas mais antigas do país, fundada em 1884.

As unidades foram produzidas na fábrica de Ana Rech, em Caxias do Sul, RS, que atualmente é dedicada à produção de composições para o segmento ferroviário.

Case IH aposta no etanol para descarbonização das máquinas agrícolas

São Paulo – A Case IH, fabricante de máquinas agrícolas do Grupo CNH Industrial, anunciou que sua grande aposta para reduzir as emissões de CO2 dos seus equipamentos é o etanol. A empresa iniciou os testes com uma primeira colhedora de cana-de-açúcar movida a etanol no fim de 2024 e, após os resultados positivos, voltará a usar o equipamento no início da safra deste ano.

O motor utilizado na colhedora Ausoft 9000 é um Cursor 13 de ciclo otto, o mesmo utilizado em motores flex, produzido pela FPT, que passou por diversos testes de bancada antes de ser aplicado no equipamento para os testes em campo. 

Christian Gonzalez, vice-presidente da Case IH para América Latina, disse que depois de alguns anos de estudo a empresa chegou à conclusão de que o etanol é a melhor opção para a descarbonização das máquinas agrícolas:

“Vimos que o etanol é a melhor solução, principalmente para o Brasil, e por diversos fatores: é um combustível produzido por nossos clientes e amplamente utilizado, e que não demanda novos investimentos em infraestrutura e logística por parte dos produtores”.

Aumento da Selic pressiona financiamentos de veículos

São Paulo – Razão para a Anfavea acender o sinal de alerta, os juros para financiamentos de veículos – que em janeiro alcançaram média de 29,5% ao ano, o maior índice da história recente de acordo com a entidade – tendem a receber mais pressão após o resultado da última reunião do Copom, Comitê de Política Monetária, com a decisão de elevar a taxa básica Selic para 14,25% ao ano, ajuste de 1 ponto porcentual.

Prejudicadas desde a pandemia, quando passaram a minoritárias dentro das vendas de veículos 0 KM, as compras financiadas voltaram a ganhar espaço e tornaram-se importante motor para o crescimento do mercado nos últimos meses. No ano passado quase empataram com compras à vista: 45% a prazo e 55% à vista, de acordo com a Anfavea, mas ainda longe da divisão de 70%-30% do passado.

E a tendência era seguir ganhando participação e impulsionando o mercado. Segundo a B3, que opera o sistema nacional de gravames, as vendas financiadas – aí somados todos os veículos, novos e usados – registraram o melhor resultado em dez anos no primeiro bimestre. 

O aumento do juro, porém, encarece a parcela e pode afastar consumidores do mercado de 0 KM, apesar do cenário de baixo desemprego. Para Sílvio Paixão, professor da Fipecafi e do Pecege, o aumento da Selic afetará o setor com intensidade. No caso dos pesados, avaliou, deverá mexer com as vendas ao longo de todo o ano.

“A comercialização de ônibus, por sua vez, tem uma particularidade. Pode avançar em algum momento a partir do segundo semestre, visto que o ano que vem, com eleições, deve apresentar maiores demandas por transportes coletivos.”

Crédito com custo mais baixo

Segundo o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, a grande questão é que o crédito automotivo ainda apresenta taxas mais baixas do que outros, como CDC, cartão de crédito e cheque especial. 

“Então, embora exerça impacto sobre as demais taxas de mercado, no financiamento automotivo é um pouco menor, uma vez que muitas empresas têm bancos próprios e, por vezes, conseguem redução de margem para oferecer crédito à compra do carro 0KM. O reflexo, portanto, será menor do que outros setores.”

No caso de caminhões e ônibus há, em sua avaliação, um fator que pesa mais do que a própria taxa de juros, que só vem para piorar o cenário. Ele acredita que a desaceleração econômica seja mais decisiva na hora de optar ou postergar a renovação da frota: 

“O Brasil cresceu 3,4% no ano passado, 3,2% em 2023 e a expectativa para este ano é de aumento de 2% a 3%. Há uma desaceleração, que não é tão forte assim, mas que reflete a redução da produção, da importação e, portanto, do frete. Precisamos pensar que o rodoviário é o principal modal de logística do país. A desaceleração econômica é talvez mais explicativa do que a Selic”.

Balistiero reconheceu, porém, que o cerco se fecha ainda mais se o banco da montadora não tiver folga suficiente para trabalhar nos juros, dado o elevado tíquete médio, ao lembrar que a Selic em seu “patamar proibitivo é apenas um piso, e que os custos para o financiamento podem chegar a 30% ou 40% ao ano”, ainda mais com a tendência de novos ajustes na taxa básica até dezembro, chegando aos 15% ao ano. 

“Talvez a locação surja como opção para o transportador renovar sua frota e melhorar seu desempenho e custos neste cenário”, frente à aguardada demanda do agronegócio pela super safra, além da maior procura pelo e-commerce e transporte urbano.

Juro sobe para controle dos preços dos alimentos

Segundo Balistiero o cenário econômico atual é muito diferente daquele de uma década atrás. À época havia uma situação de dominância fiscal, quando os juros podem subir o quanto for que não surte nenhum efeito diante da deterioração das expectativas inflacionárias ocasionada pelo desequilíbrio fiscal.

“Agora a situação é outra, pois o governo tem demonstrado esforços para buscar o equilíbrio fiscal. De 2023 a 2024 houve clara redução do déficit primário e só não tivemos resultado positivo no ano passado por causa da ajuda dedicada à reconstrução do Rio Grande do Sul”, disse o economista. “Isso embora a taxa de juros esteja bastante elevada, 14,25% ao ano. E, se pararmos para pensar, foi quase um milagre a economia crescer 3,4% com a Selic no patamar em que já estava.”

Para 2025 a expectativa é que haja crescimento menor da economia, uma vez que o Banco Central tem elevado os juros para afetar os preços livres, pautado pela oferta e procura, que é onde entram os veículos. “A ideia é desaquecer os preços livres para compensar as pressões vindas de alimentos, prejudicadas pelos efeitos climáticos”.

Do lado automotivo a esperança é que o spread seja reduzido conforme a lei do marco das garantias avance e reduza a pressão sobre o juro para o setor. Segundo o presidente Márcio de Lima Leite, da Anfavea, seu efeito ainda não foi totalmente absorvido pelos bancos e há espaço para reduzir mais o spread.

Ele lamentou também que a trajetória da taxa de juros esteja ascendente no momento positivo do mercado: “Não fosse a escalada da taxa Selic o mercado poderia retornar aos 3 milhões de veículos em 2025, um marco importante para a indústria. Não chegará a este patamar, mas o mercado e o Brasil continuarão crescendo”.

Abraciclo inaugura sede própria em São Paulo

São Paulo – Iniciando as comemorações de seu cinquentenário, que será em 2026, a Abraciclo inaugurou sua sede própria na Capital paulista, com projeto inspirado na floresta amazônica. O imóvel de 140 m² está localizado em um prédio na Chácara Santo Antônio e é livre de barreiras ou divisórias nas estações de trabalho.

Segundo o presidente Marco Bento este é o primeiro passo para a celebração dos 50 anos: “A indústria de duas rodas vive um momento especial, de crescimento. As novas instalações foram projetadas para atender melhor nossos a colaboradores e associados, em um espaço novo, moderno e totalmente conectado”.

O prédio onde está localizada a sede conta com estacionamento com bicicletário, vagas para motocicletas e tomadas de recarga, tanto para carros como para bicicletas elétricas.

Rede Leapmotor começa com 34 concessionárias no Brasil

São Paulo – A Leapmotor iniciou a nomeação de seus concessionários no Brasil. Segundo Herlander Zola, vice-presidente de operações comerciais da Stellantis, inicialmente serão 34 pontos de vendas, todos de bandeira da marca chinesa:

“Estaremos presentes nas principais cidades do Brasil graças à nossa parceria com grupos que já trabalham com as marcas da Stellantis”.

Após as nomeações será estruturada a preparação de toda a rede, incluindo as obras das lojas e os treinamentos das equipes. Um dos grupos nomeados é o Amazonas, que terá duas revendas Leapmotor. A chinesa iniciará suas operações com a venda do C10.

Segundo Fernando Varela, vice-presidente da Leapmotor para a América do Sul, as concessionárias terão muita tecnologia e aspecto futurista: “Nosso foco é permitir que o cliente tenha uma experiência única desde o primeiro contato com a Leapmotor, em um grande salto para uma nova era”.

Iveco acerta a maior venda do S-Way: 160 unidades para a Transzilli.

São Paulo – A Iveco fechou a venda de 160 unidades do S-Way para a Transportadora Transzilli, o maior pedido já recebido desde seu lançamento, em 2023. A negociação gerou mais de R$ 100 milhões para a Iveco, que realizou evento para a entrega dos caminhões da sede da transportadora, em Aparecida de Goiânia, GO.

Segundo Marcio Querichelli, presidente da Iveco para América Latina, uma negociação deste porte consolida o S-Way como o melhor caminhão já produzido pela montadora no Brasil. A venda teve participação da Iveco Capital, braço financeiro do Grupo Iveco, que ofereceu condições comerciais diferenciadas para o cliente, tornando a compra viável.