2026 traz mais desafios do que oportunidades ao setor automotivo

São Paulo – Apesar dos indícios de que a taxa de juros será mais favorável este ano o desempenho econômico deverá ser inferior ao registrado no ano passado, de acordo com análises de especialistas ouvidos pela Agência AutoData. Eles enxergam desafios maiores, sobretudo com a eleição presidencial, e alertam para os sinais negativos que podem chegar de fora, no contexto de instabilidade internacional.

2025 não deverá ser repetido, segundo o professor do núcleo de negócios do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero. Ele acredita que a Selic encerre 2026, “se nada de mais grave acontecer”, de 12,5% a 12,75% ao ano, o que configura redução considerável frente aos atuais 15% ao ano. Por este aspecto o ano seria melhor, mas 2026 é ano eleitoral e, mais uma vez, a disputa pela eleição presidencial deverá ser bastante acirrada.

“Frente à maior disputa política o governo pode pisar no acelerador, como ocorreu em 2022, mas a questão fiscal requer cuidados, pois gera impacto no câmbio e na inflação, o que, consequentemente, poderá fazer com que a Selic caia num ritmo menos intenso do que vislumbra o Boletim Focus [que aposta em 12,25% ao ano].”

Não se espera, portanto, ano melhor do que 2025: “Será surpresa, exatamente pelas tensões políticas que podem transbordar ao setor econômico, o que inclui o automotivo”.

Excesso de feriados pode postergar compras

Sílvio Paixão, professor da Fipecafi e do Pecege, partilha da opinião e acredita que, ainda que a Selic caia, na ponta o crédito seguirá em patamares elevados. E, embora haja renda disponível, o fato de ser um ano eleitoral e repleto de feriados pode segurar a intenção de aquisição de veículos e a renovação de frotas, resultando em altos estoques tanto em fabricantes quanto em importadores.

“É preciso lembrar também que a carga tributária continua muito elevada, acompanhada de déficit fiscal recorrente e crescente, além de cenário econômico internacional obscuro e incerto.”

Assim, as exportações não deverão crescer, na análise de Paixão, e poderão apresentar involução tanto para CKDs como para veículos prontos. O mesmo é esperado para importações. Exceção vale para o mercado de ônibus, que pode manter desempenho de 2025 pela demanda advinda do governo.

Caminhões ganham fôlego com Move Brasil

O setor de caminhões poderá acompanhar o crescimento do PIB de 2026, projetado em 1,8% pelo Focus – para 2025 é aguardada alta de 2,26% –, o que é reforçado pela notícia divulgada na quinta-feira, 8, da oficialização das condições do programa Move Brasil, criado no fim de dezembro para fomentar a renovação da frota de caminhões

Por seis meses os bancos disponibilizarão R$ 10 bilhões em recursos do Tesouro e do BNDES, com taxas de 13% a 14% anuais, carência de até seis meses e prazo máximo de cinco anos. Além disso 10% do montante serão reservados a autônomos e cooperativas.

Para o professor da Fipecafi e do Pecege a iniciativa é bem-vinda, principalmente por reduzir à metade os juros pagos na ponta para o financiamento de caminhões, hoje de 28% ao ano: “Este deveria ser programa contínuo e não datado em ano eleitoral. Os modais logísticos brasileiros são arcaicos, ineficientes e carentes de infraestrutura”.

No geral, o setor de veículos pode decrescer pouco por causa da vendas de modelos leves populares e de maior valor: “O único segmento que deve apresentar desempenho superior ao crescimento do PIB é o de motocicletas, devido à migração de clientes de carros populares”.

Tensões externas podem respingar por aqui

No cenário externo a invasão dos Estados Unidos à Venezuela ocorrida nos primeiros dias de 2026 estabelece forte tensão regional. E, na leitura de Ricardo Balistiero, se houver indícios de tentativa de interferência na eleição brasileira isto pode desencadear resposta nacionalista igualmente intensa por parte do governo local.

Isto porque, ao que tudo indica, Donald Trump deseja a dominação econômica sobre a América Latina de modo geral, e o Brasil, como a maior economia da região, não ficaria de fora do plano.

“Embora [o presidente Luiz Inácio] Lula [da Silva] saiba trabalhar isto muito bem, como estadista respeitado fora do País, o cenário não contribui para um bom ambiente de negócios. Já temos as apreensões internas da eleição e ter tensões adicionais causadas por questões geopolíticas certamente pode prejudicar e muito nossa economia.”

Com a maior exploração do petróleo venezuelano por parte dos Estados Unidos o volume ofertado hoje, três vezes superior ao aumento da demanda, segundo o professor da Mauá, deverá crescer ainda mais e gerar forte queda no preço da gasolina: “Se colocarem mais óleo no mercado a queda dos preços impactará a bolsa, uma vez que a Petrobras representa parte significativa do Ibovespa”.

Exploração de terras raras e minerais críticos traz oportunidade

Por outro lado questão positiva ressaltada por Balistiero é o holofote colocado sobre a exploração de terras raras e minerais críticos, fundamentais à transição energética e à fabricação de carros elétricos, que poderia estimular outros governos a fazerem o mesmo, na esteira da Venezuela.

“Se houvesse negociação minimamente racional do Brasil com os Estados Unidos isto ajudaria bastante o nosso País, que detém 20% das reservas globais, mas produz apenas 0,1%. Ou seja: precisamos de parcerias para avançar esta indústria desde que não seja extrativista e agregue valor à indústria brasileira. Mas não sei se isto seria possível no governo Trump.”

Pronto para escalar a Cordilheira dos Andes

No segmento de ônibus as vendas regionais na América Latina representam um negócio bilionário para empresas instaladas no Brasil, envolvendo em cada negociação o fabricante do chassis, o encarroçador, o representante comercial, o representante operacional que valida o produto e o cliente final. Para atender a esta demanda, em que custo de cada unidade ultrapassa alguns milhões de reais, é estratégico conceber o veículo certeiro para cada aplicação, após muita integração das equipes de relacionamento, vendas e engenharia com os compradores. Assim a Mercedes-Benz recentemente fechou uma de suas maiores exportações do ano para o Chile, com a venda de cem ônibus especialmente preparados para transportar mineiros até o topo da Cordilheira do Andes.

O negócio demandou atualizações importantes nos produtos para operações em condições extremas, incluindo a adoção de motor de maior potência para enfrentar as duras subidas da cordilheira chilena, que já atende à legislação de emissões equivalente à Euro 6 do país, além de reforços estruturais e introdução de sistemas de segurança ativa e passiva.

“O Chile é o principal mercado da América Latina, cujas necessidades dos clientes estão em transformação, por isto nossa engenharia no Brasil trabalhou numa nova configuração do chassis O 500 para diversos tipos de operação rodoviárias intermunicipais em condições severas”, relata Augusto França, gerente de vendas e marketing de ônibus da Daimler. “Precisávamos de um motor mais potente, transmissão e eixos mais robustos, além de novos sistemas de segurança solicitados pelas companhias de mineração e compatíveis com exigências internacionais. Com o O 500 equalizamos as tecnologias dos veículos produzidos na matriz, na Alemanha, com os fabricados no Brasil.”

A reportagem de AutoData passou pela experiência de viajar a bordo do O 500 andino, de Santiago até o Vale Cachapoal, nos Andes, 120 quilômetros ao Sul da capital chilena, próximo à cidade de Rancagua. De fato potência não falta. Tanto nas autoestradas chilenas como nas subidas íngremes, estreitas e cheias de curvas, o chassi RDS 2548 6×2, com carroçaria rodoviária Irizar, parecia estar fazendo um passeio no parque. Em nenhum momento demonstrou qualquer dificuldade em superar os aclives nas montanhas tampouco faltou força nas ultrapassagens, quando o trânsito demandou potência para superar os perigos que os lentos motoristas chilenos representam nesses trajetos.

CHASSIS CUSTOMIZADO

Esta reportagem foi publicada na edição 428 da revista AutoData, de Dezembro de 2025. Para ler ela completa clique aqui.

Foto: Mercedes-Benz

Avança acordo Mercosul-União Europeia, sem impacto imediato à indústria automotiva local

São Paulo – Em meio a protestos, especialmente de agricultores franceses, a maioria dos países da União Europeia deu o sinal verde para o acordo do bloco com o Mercosul, cujas discussões foram iniciadas há 25 anos. Ele cria uma área de livre comércio para mais de 700 milhões de pessoas, que deverá zerar tarifa para cerca de 91% dos produtos comercializados pelos dois blocos.

Neste primeiro momento, entretanto, pouco muda para o setor automotivo. Foi estabelecido um cronograma de redução de tarifas mais longo para carros e peças importados da Europa, com modelos a combustão zerados apenas daqui a quinze anos e eletrificados em dezoito anos. Nas autopeças chega a quase dez anos.

Foi criada também uma política de salvaguarda, para proteger a indústria nacional: caso seja identificada invasão de carros ou peças da Europa o Brasil poderá suspender o cronograma e reaplicar a tarifa máxima, de 35%, por até cinco anos.

Até novembro do ano passado, segundo a Anfavea, vieram da Alemanha, principal fornecedor de veículos europeus para o Brasil, 24,2 mil unidades. Representa cerca de 6% das importações brasileiras. As exportações são muito poucas.

Embora ratificado o acordo ainda demorará algum tempo para entrar efetivamente em vigor, correndo o risco até de ser judicializado, como ameaça a França, que sofre pressão dos agricultores que temem perda de competitividade ao concorrer com produtos exportados do Mercosul.

Song Plus será o quarto modelo a sair da BYD Camaçari

São Paulo – O SUV híbrido plug-in passará a sair das linhas da fábrica da BYD em Camaçari, BA, ainda este ano. A companhia confirmou o quarto modelo nacionalizado, que fará companhia ao Dolphin Mini, King e Song Pro. Em pouco mais de dois meses foram quase 20 mil unidades montadas na fábrica, que já recebeu mais de R$ 3 bilhões dos R$ 5,5 bilhões prometidos no ciclo de investimento, de acordo com o vice-presidente e chefe de marketing e comercial Alexandre Baldy.

“Temos planos de aumentar o aporte investido, já mirando alcançar a meta de 600 mil unidades por ano.”

O Song Pro baiano será diferente do modelo chinês, que foi substituído. Segundo a empresa os planos em seu mercado local são diferentes de outros países, por conta de especificidades da China. Mais lançamentos e nacionalização de veículos serão anunciados ao longo do ano, garantiu Baldy, à medida que as obras avançam na fábrica.

O plano nacionalizar os mais vendidos.

Governo lança programa de socorro à indústria de caminhões

São Paulo – O socorro à indústria de caminhões foi lançado na quinta-feira, 8, pelo vice-presidente da República e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin: por seis meses estão disponíveis R$ 10 bilhões de recursos do Tesouro e do BNDES, com 10% reservados exclusivamente a autônomos e cooperativas, para reduzir juros e colaborar com a renovação da frota brasileira.

Ao lado de Roberto Cortes, presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Alckmin visitou uma concessionária em Brasília, DF, onde oficializou as condições do programa Move Brasil, criado no fim de dezembro. Os recursos serão aplicados na linha de crédito para caminhões com taxas de 13% a 14% anuais, carência de até seis meses e prazo máximo de cinco anos.

“Os juros estavam na faixa de 28%, caíram quase pela metade”, disse o vice-presidente Alckmin. “A taxa será menor para quem retirar um caminhão com mais de vinte anos de circulação.”

Foi fixado um limite de R$ 50 milhões para financiamentos por usuário do programa, que poderá ser acessado também por grandes transportadores. Caminhões novos deverão ser nacionais que atendam à norma P8 do Proconve. Os seminovos, fabricados a partir de 2012, deverão atender à P7 e cumprir também regras de conteúdo local – estes só poderão ser comprados por autônomos e cooperativas.

Salvar empregos

Segundo Cortes, da VW Caminhões e Ônibus, o programa chega, no primeiro momento, para evitar demissões na indústria: “As vendas de extrapesados caíram mais de 30% no ano passado e nós seguramos os empregos na expectativa de um programa como este. Como as taxas caíram de 40% a 50%, esperamos uma procura bem maior”.

Alckmin admitiu que seria melhor um programa permanente de renovação de frota, algo que está sendo ainda discutido internamente no MDIC. Mas afirmou que o programa é positivo diante do cenário de alta taxa Selic: “A expectativa é de que a Selic caia, mas não será da noite para o dia. Por isto a importância deste programa no primeiro semestre”.

Mais 2 milhões de visualizações em 2026

São Paulo – A primeira notícia deste ano tem a ver com você, nobre leitor. Trata-se de mensagem de agradecimento à frequência da sua visita aos nossos conteúdos jornalísticos ao longo de 2025. Pelo segundo ano consecutivo obtivemos 2 milhões de visualizações em nossos produtos editoriais. As reportagens da Agência de Notícias foram as mais acessadas por nossos leitores no ano passado, com a homepage do portal AutoData concentrando 7% de todos os acessos.

Algumas reportagens obtiveram mais de 40 mil visualizações, enquanto os artigos opinativos também foram muito bem visualizados. De acordo com dados do Google Analytics e de plataformas de mensuração de audiência digital AutoData consolida-se como o portal de notícias especializado no setor automotivo mais visitado do País.

A revista AutoData manteve sua audiência fiel desses 33 anos de AutoData com média de 35 mil visualizações mensalmente e mais de 17 mil visitantes ao longo de 2025, segundo o Google Analytics.

A contagem total de eventos, métrica essencial para medir a interação dos visitantes, pois contabiliza todos os cliques em banners e em conteúdos que podem ser baixados, como a programação dos eventos e a revista AutoData, foi de mais de 5,8 milhões, um recorde. Somente os arquivos mensais da revista AutoData em PDF ou no formato flipbook tiveram aumento de 44% sobre esta mesma contagem de eventos em 2024.

Ampliamos nossas fronteiras, com audiência crescente na América Latina, pois somos a única editora especializada na região a cobrir de forma ininterrupta os negócios do setor automotivo em todos os seus países. Organizamos um Congresso online para analisar e dar voz aos representantes de empresas e entidades na América Latina.

Também registramos por meio do Google Analytics um crescimento expressivo na audiência na América do Norte e na Europa, pois a sede de muitas dessas empresas com operação no Brasil precisa de informação confiável para definir seus negócios.

Esperamos que em 2026, com tem ocorrido nos últimos anos, possamos continuar a ampliar nossa audiência e oferecer a você muito mais informação com a seriedade e credibilidade, marca registrada de AutoData.

Em meio a tantos desafios e incertezas que permearão 2026 estamos preparando algumas novidades que em breve anunciaremos. Fiquem atentos. Desejamos que todos possam superar as dificuldades e cultivar um ambiente de negócios mais justo e próspero este ano. Da nossa parte continuaremos em nossa missão de transformar informação em conhecimento.

Mercado avança 2% no ano com bom desempenho de dezembro

São Paulo – O melhor desempenho mensal desde dezembro de 2014, registrado no mês passado, com 279,2 mil emplacamentos, de acordo com dados preliminares do Renavam obtidos pela Agência AutoData, colaborou para que o mercado brasileiro de veículos encerrasse o ano com crescimento de 2,1% nas vendas. Ainda foi abaixo das expectativas iniciais tanto de Anfavea como de Fenabrave, que iniciaram o ano passado projetando aumento de 6,2% e 5%, respectivamente – e depois ambas revisaram para baixo.

Mas as 2 milhões 689 mil unidades, somados automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, representam o melhor desempenho desde a pandemia. É ainda mais notável quando consideramos que a taxa básica de juros atravessou o ano no patamar de dois dígitos, encerrando 2025 em 15% e ainda sem perspectiva de queda no curto prazo.

As vendas diretas puxaram o crescimento, segundo relatório da Bright Consulting: cresceram 6,8%, somando 1 milhão 197 mil veículos leves, ao passo em que as vendas no showroom recuaram 1,2%, somando 1 milhão 334 mil unidades.

No total as vendas de leves subiram 2,4%, somando 2 milhões 540 mil unidades, de acordo com a consultoria.

Em dezembro a BYD foi a quinta marca mais vendida, superando Toyota, Renault e Jeep. Somou quase 16 mil emplacamentos. No ano, porém, foi superada pelas três e ficou na oitava posição, com 113,1 mil.

A Fiat liderou novamente as vendas no País, seguida por Volkswagen e Chevrolet.

Produção e exportação caem na Argentina em ano de crescimento do mercado

São Paulo – A produção de veículos na Argentina chegou a 490,9 mil unidades no ano passado, queda de 3,1% na comparação com 2024, de acordo com dados divulgados pela Adefa, entidade que representa as fabricantes instaladas no país. O presidente Rodrigo Pérez Graziano revelou alguns fatores para a retração, uma vez que a expectativa no começo de 2025 era de crescimento no volume produzido:

“O ritmo da produção não se sustentou ao longo de 2025 como nós projetamos no começo do ano. O principal fator para o recuo foram as mudanças e transformações nas fábricas para a chegada de novos modelos já confirmados e outros que estão em fase de desenvolvimento”.

Ao contrário da produção as vendas registraram forte crescimento em 2025, chegando a 612,2 mil veículos, alta de 47,8% na comparação com 2024, de acordo com dados divulgados pela Acara, entidade que representa os concessionários argentinos. 

No ano passado os veículos brasileiros representaram 48% do total comercializado no país, porcentual que foi de 37% em 2024. Já os modelos argentinos perderam participação, saindo de 55% em 2024 para 40% em 2025.

A Toyota liderou o mercado argentino no ano passado com 97,1 mil vendas, seguida pela Volkswagen, com 94,4 mil. Em terceiro lugar ficou a Fiat, 74,7 mil unidades.

No ranking por modelo a Toyota Hilux terminou 2025 em primeiro lugar, com 30,8 mil unidades. Em segundo lugar ficou o Fiat Cronos, com 29,9 mil, seguido de perto pelo Peugeot 208, 29,1 mil unidades. 

Em 2025 as exportações, divulgadas pela Adefa, registraram queda de 10,8% na comparação com 2024, chegando a 280,6 mil unidades.

Diante do perfil exportador da indústria argentina o presidente da Adefa afirmou que o maior desafio para 2026 e para os próximos anos é melhorar a competitividade no Exterior e que, para isto, será necessário seguir trabalhando para reduzir a carga tributária sobre veículos exportados, ainda mais para concorrer com produtos de outros mercados que pagam menos impostos do que os argentinos. 

VW Caminhões e Ônibus avança com testes em campo de B100

São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus informou avanços nos testes em campo com os modelos Delivery, Constellation e Meteor movidos a B100. Em parceria com clientes estes caminhões já rodaram mais de 500 mil quilômetros com biodiesel de origem vegetal e animal.

Durante os testes são avaliados aspectos como desempenho, consumo, impacto no ciclo de manutenção dos veículos e confiabilidade em condições reais de trabalho. A montadora afirmou que os resultados indicam operação estável, com boa eficiência energética e desempenho equivalente ao de veículos movidos a diesel convencional. 

O biodiesel de origem animal pode reduzir em até 75% as emissões de CO2 no ciclo do poço à roda, enquanto que o combustível produzido a partir de soja pode alcançar redução de até 90% em comparação ao diesel fóssil.

Vendas de implementos rodoviários caem 6% em 2025

São Paulo – O mercado nacional de implementos rodoviários caiu 6,3% em 2025, somando 149,2 mil unidades comercializadas, de acordo com dados divulgados pela Anfir, entidade que representa o segmento. José Carlos Sprícigo, o seu presidente, disse que o ano passado foi desafiador, exigindo resiliência e organização das empresas.

Na linha pesada, de reboques e semirreboques, a queda foi ainda maior, chegando a 19,9% na comparação com 2024, somando 71 mil implementos emplacados em 2025 contra 88,6 mil no ano anterior:

“No período tivemos mudanças relevantes nas famílias de implementos, como a queda nos volumes comercializados dos modelos graneleiro e basculante. O desempenho do agronegócio no período contribuiu para essa situação por ter caminhado de forma lateral ao longo do ano, refletindo diretamente no nosso setor”.

A linha leve, de carroceria sobre chassis, foi a responsável por segurar a retração nas vendas de implementos rodoviários ao longo do ano passado, uma vez que registrou alta de 10,8% na comparação com 2024, chegando a 78,2 mil produtos comercializados. Segundo Sprícigo o desempenho do segmento leve surpreendeu a entidade, registrando resultados positivos acima do esperado ao longo de 2025. 

As exportações, com dados computados até outubro, somaram 4,1 mil unidades, volume 52,5% superior ao registrado em iguais meses de 2024.