DAF estuda produzir nova cabine

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Os indícios de que o mercado de pesados deixou de cair, visíveis no desempenho do setor de janeiro a agosto em termos de vendas, situaram a fabricante de caminhões DAF diante de um impasse: aproveitar o momento para trazer da Europa uma nova cabine para seus veículos e buscar mais mercado com a novidade em sua oferta, ou esperar a adoção da norma Euro 6 no País para modernizar o portfólio.

 

Para Luís Gambim, diretor comercial da empresa, o cenário mais provável é o de que a cabine desembarque configurada para receber o motor que atende a legislação atual, a Euro 5. O executivo não precisou quando ocorrerá o lançamento por aqui, mas estipulou um prazo mínimo de preparo para a nacionalização do componente: “Precisamos de, no mínimo, dois anos para desenvolver a produção da nova cabine no País. Demanda homologação de fornecedor e aprovação de modificações para o mercado brasileiro, leva esse tempo”.

 

A empresa considera o risco que envolve a operação de nacionalizar a cabine com motor Euro 5. Projeções do mercado indicam que a norma Euro 6 deverá entrar em vigência até 2022, ou dois anos após uma eventual chegada da cabine nova: “Há esse risco, mas a falta de previsibilidade nos leva a crer que Euro 6 em 2022 é uma hipótese. Não podemos interromper nosso crescimento em função desse tipo de cenário”.

 

Gambim acredita que a chegada da cabine europeia consolidará plano que já está em curso no Brasil. A empresa almeja aumentar sua participação de mercado dos atuais 4% para 7%, até 2019, e ocupar a fábrica de Ponta Grossa, PR, que hoje funciona com 25% de sua capacidade instalada: em um turno a empresa produz 5 caminhões por dia, quando poderia produzir vinte em três turnos. Gambim disse que o mercado oferece, hoje, condições em termos de demanda para que sejam produzidos 7 caminhões/dia até dezembro.

 

É um primeiro passo, segundo o executivo, em busca de mais mercado após um período no qual a empresa esteve focada em construir uma rede de concessionários no País e apresentar seus produtos ao mercado. Até agosto os esforços comerciais renderam contratos com treze grupos de investidores, que geraram malha composta por 21 concessionárias e sete postos de serviço autorizado.

 

Esse esforço representou sensível melhora nas vendas internas da companhia este ano: nos oito primeiros meses foram vendidos 536 caminhões, 30,3% a mais do que o volume obtido no mesmo período em 2016, apontam dados da Anfavea.

 

De acordo com Adcley Souza, diretor de desenvolvimento de concessionárias, o sistema deu à luz a vigésima-segundo loja, em Uberlândia, MG, na quinta-feira, 21, empreendimento que demandou aporte de R$ 2 milhões: “A expansão faz parte do nosso plano de negócios, que tem como objetivo estar presente nas rotas dos nossos clientes”.

 

Mais três postos autorizados foram adicionados recentemente à rede DAF: Ji-Paraná, RO, Recife, PE, e Rio de Janeiro, RJ.

 

A meta da empresa é contar com 45 lojas na rede até 2022 para atender a uma frota de caminhões DAF que deverá ser maior do que os atuais 2 mil caminhões em circulação. Isso porque há planos para que a média de vendas por ano chegue a 20 mil unidades nos próximos cinco anos. Atualmente a média de emplacamentos por ano gira em torno de 1,2 mil: “Queremos achegar até o fim do ano com uma média de venda de 120 caminhões mensais”.

 

Foto: Divulgação