VW projeta mercado 40% maior. Até 2020.

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CompartilheCongresso AutoData 2018
09/10/2017

O novo presidente da Volkswagen do Brasil, o argentino Pablo Di Si, está no País há apenas uma semana, mas tem em sua mente a projeção de um crescimento do mercado de 10% anualmente até 2020. Para acompanhar esse desempenho, a caminhada da empresa passará pelo realinhamento da rede de concessionários às características do novo portfólio – serão vinte lançamentos nos próximos três anos – e também pela avaliação dos fornecedores para ver se a rede tem estrutura para corresponder o apetite do crescimento projetado. Há temores de que, como efeito da crise, muitos tenham diminuído sua capacidade de produção a ponto de não conseguirem atender às demandas VW.

 

Busca da liderança. O executivo afirmou, durante o primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018, que o plano que tem em mãos para levar a empresa a recuperar a posição de maior no ranking brasileiro, posto ocupado pela General Motors há dezessete anos, é a continuação de uma base construída por seu antecessor, David Powels – executivo que, dentre as principais ações realizadas enquanto foi o presidente, articulou com a matriz aporte de R$ 7 bilhões destinados à produção nacional de novos veículos e à chegada da plataforma modular MQB, a partir da qual a VW pretende construir seus carros daqui para a frente: “Não seria possível levar adiante nosso plano de obter a liderança do mercado sem o trabalho da equipe que me antecedeu. Estamos prontos para dar continuidade”.


O lançamento do novo Polo, no fim de setembro, é considerado a pedra fundamental da nova Volkswagen, termo utilizado com frequência pelos executivos da companhia nas apresentações públicas. Com o modelo, e outros que virão, a empresa quer aumentar a rentabilidade de seus negócios aqui, pois o volume é considerado um alvo para o longo prazo por causa de sua relação com a saúde do mercado e com o equilíbrio dos indicadores no cenário macroeconômico.


“Tenho medo da inflação e do déficit fiscal, dois indicadores que provocam maior impacto nos negócios da companhia. Ainda que as vendas internas tenham voltado a crescer temos uma visão pragmática porque nem todos os indicadores sinalizam para a manutenção de um cenário favorável.”


Uma vez delimitado o tamanho do mercado a empresa pretende obter mais receita com a venda de veículos que possuem margem maior, como é o caso do Polo e do Virtus, com lançamento previsto aqui para janeiro. Em tese a companhia seguirá buscando volume de vendas com seus modelos consolidados, como o Gol e o Fox, e mais rentabilidade com os novos veículos, os quais se enquadram em categoria acima da de entrada:


“Queremos competir em segmentos nos quais antes não estávamos presentes. Com os vinte lançamentos isso será possível e produzirá retorno importante em termos de receita para a companhia. São produtos novos, feitos para perfis de clientes novos e que exigirão muito trabalho do nosso time de vendas, dos nossos distribuidores”.

 

Uma nova rede. Neste sentido a gestão do novo executivo da Volkswagen focará uma nova configuração para a sua rede de concessionários. Ele afirmou que há um plano sendo discutido em conjunto com a Assobrav, a Associação Brasileira de Distribuidores Volkswagen, para que o varejo passe por um processo de readequação à nova realidade da oferta da empresa no Brasil:


“É um movimento natural quando se constrói um novo portfólio. Montadora e representantes devem falar a mesma língua para que se consiga mais fatia de mercado. A Volkswagen será a líder novamente em algum momento e eles devem estar preparados para esse momento”.


Di Si não entrou em pormenores sobre como planeja conduzir a transformação da rede porque sua chegada ao País é um fato recente e, por isso, precisa conhecer mais sobre os parceiros.


Atualmente a rede de concessionários é formada por 530 lojas, volume 10% menor do que aquele que existia em 2013, ano em que o País e o mercado atingiram seu pico em produção e em vendas. Para Luiz Eduardo Guião, presidente da Assobrav, a Volkswagen deverá aproximar o desenho de sua rede à realidade do mercado atual:


“A quantidade de lojas que há, hoje, é praticamente a mesma da época em que se vendia no País 3,5 milhão de veículos por ano. A Volkswagen deve reduzir a sua estrutura como forma de cortar custos, mas não significa que haverá descredenciamentos. Existem outras formas de se fazer isso, como diminuir o espaço físico de lojas grandes, por exemplo”.


Guião, que também é conhecido no mercado como Dado, disse que 60% da rede são formados por concessionárias multimarcas, e que a chegada dos novos veículos permitirá à VW recuperar representantes que perdeu nos últimos anos, principalmente com a chegada de empresas como a Hyundai: “Não havia um produto para competir com o HB20, e hoje já temos”.


Sobre os R$ 7 bilhões destinados à preparação das linhas para a produção dos novos modelos o novo presidente da Volkswagen disse que a situação atual “segue conforme o cronograma”. Ele estima, sem muito pormenor, que as fábricas da empresa no Brasil hoje operem em torno de 55% da sua capacidade, com alguma alteração para cima a partir da fabricação do Polo e do Virtus. No entanto preocupação maior no contexto produtivo é com relação à situação operacional da cadeia de fornecedores. Di Si foi enfático ao relacionar que o crescimento da empresa no Brasil está diretamente ligado ao uso da capacidade das empresas que abastecem as linhas da VW com componentes:


“É o que mais me preocupa no momento, porque o setor de autopeças teve seu tamanho reduzido drasticamente com a queda das vendas no mercado interno. Então, se eu precisar aumentar minha produção em um dado momento meus fornecedores devem estar preparados para me atender. Queremos manter a produção de componentes aqui”.


Vida pessoal. Pablo Di Si foi admitido na Volkswagen em 2014, depois de passagens pela FCA Automobiles e empresas que atuam em outros setores, como a Kimberly Clark. É formado em finanças pela Universidade de Loyola, Estados Unidos, onde chegou por meio de bolsa de estudos concedida pelo fato dele ter sido jogador de futebol na Argentina.


Embora torcedor do River Plate foi nas categorias de base do Huracán, clube modesto de Buenos Aires, que Di Si começou sua carreira nos gramados: “Tive a oportunidade de estudar em uma universidade importante fora do país por causa do futebol e foi o caminho que escolhi. Não sei se teria me tornado um grande jogador...”.


Foto: Maurício de Paiva