Serviços aumentarão sua fatia na receita das empresas

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CompartilheCongresso AutoData 2018
10/10/2017

A indústria automotiva deve se preparar para obter receitas a partir de serviços, por meio da tecnologia, afora os ganhos oriundos dos volumes de vendas. Esta é a visão da consultoria KPMG com relação ao futuro do setor para os próximos anos, apresentada no segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018.


Ricardo Bacellar, diretor do setor automotivo da consultoria, disse que há várias formas de se obter receitas que não estão sendo aproveitadas pela indústria atualmente, e que praticar modelos de negócios baseados no mundo digital, hoje, mais do que explorar alternativas de receita é se preparar para uma realidade que está cada vez mais próxima e que definirá os protagonistas de uma nova indústria no longo prazo.


“Quem ganha dinheiro com o desenvolvimento de sistemas de infotainment hoje em dia? Muito se fala em conectividade, mas quais são as empresas que, realmente, observaram oportunidades de negócio nessa área que passa por franco crescimento.”


Sua indagação referiu-se aos serviços que oferecem navegação, conteúdo de mídia e muitas outras funções nas telas de LCD que estão cada vez mais populares em veículos de diversas categorias, até as de entrada.


Bacellar afirmou que o ponto de ruptura, para o setor automotivo, está no fato de que veículos são integradores de serviços digitais. A razão disso, ele apontou, está na mudança pela qual passou o perfil dos clientes de veículos, muito mais integrados à tecnologia. Pesquisa global da KPMG feita em 2016 apontou que o uso massivo da internet vai da compra de automóveis à maneira como o indivíduo se locomove dentro do espaço urbano.


“O potencial de receitas com serviços no setor automotivo é enorme. O crescimento no mundo todo poderá ser de 204% nos próximos cinco anos, de US$ 45,2 bilhões para US$ 137 bilhões, com o aumento da conectividade e de possibilidades de entretenimento nos projetos dos veículos. Fechamos contrato que envolve projeto de cibersegurança com uma fabricante que atua no Brasil, um trabalho que durará de quatro a cinco anos. É um começo, mas a indústria precisa prestar mais atenção a essas possibilidades.”


Bacellar disse que a tecnologia está redefinindo o desenho da indústria de forma global, que corre contra o tempo para tornar veículos cada vez mais digitais e conectados. Para o Brasil esse movimento deverá chegar em breve: “Já vemos, no Exterior, empresas formando alianças com outras que, historicamente, atuavam fora do setor automotivo. Aqui algo já acontece com relação às universidades, que participam de alguns projetos. É um começo”.

 

Foto: Maurício de Paiva