Estoque baixo de motos prejudica resultado

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CompartilheCongresso AutoData 2018
10/10/2017

A indústria de motocicletas está cautelosa com relação ao futuro e a Abraciclo acaba de rever, para baixo, as suas expectativas para este ano. A produção deverá ser similar à do ano passado, 885 mil unidades, com vendas no atacado de 813 mil, menos 5,4% sobre 2016, e com vendas ao varejo de 860 mil, menos 4,4% diante de 2016. Antes a entidade projetava produção 2,5% superior, ou 910 mil, vendas no atacado de 825 mil unidades, uma queda de 4%, e no varejo 890 mil unidades vendidas, queda de 1,1%.


Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, acredita que um dos motivos para o desempenho de vendas aquém do previsto seja o baixo índice de estoque. Durante o painel de Motocicletas realizado no segundo diua do Congresso AutoData Perspecticas 2018, ele disse que “o nível de estoques de determinados modelos nas concessionárias é insuficiente para atender ao mercado, o que pode ter contribuído para limitar o crescimento das vendas no varejo”.


Apesar disso Fermanian acredita que, com a chegada do verão e com o pagamento do décimo-terceiro salário, o setor volte a apresentar resultados favoráveis: “Historicamente essa época do ano é sempre melhor”.


Mesmo com os números gerais desfavoráveis Femanian destacou o bom resultado dos nichos scooter e naked, que cresceram até 60% no ano: “Em scooter tivemos o melhor setembro de todos os tempos, com expectativa de atingir 50 mil unidades este ano”.


2018 – Diante da atual conjuntura Fermanian reconheceu que 2018 ainda é incógnita: “O mercado não está uma maravilha, mas poderíamos ter melhorado se não fosse a falta de produtos”.


Oscar Pires de Castro Neto, gerente comercial da Yamaha, e Marcos Paulo Monteiro, gerente geral comercial do segmento de motocicletas da Honda, que também participaram do debate, compartilham a opinião do presidente da Abraciclo. Para eles o mercado tende a apresentar sinais de recuperação gradual com a estabilidade da economia.


De acordo com Monteiro, da Honda Suzuki, “nosso planejamento visa à recuperação gradativa, pois o mercado não está saturado”. Ele acredita que o consumidor tem intenção de compra mas não consegue acessar o produto por falta de crédito.


Já para Castro Neto, da Yamaha, a ideia é quebrar paradigmas com a ampliação do número de consumidores de motocicletas: “Muitos ainda acham a motocicleta um veículo perigoso, mas sempre é possível elevar a idade média dos consumidores”.


Rota 2030 – O setor de duas rodas está ausente no programa Rota 2030, que foi criado, como lembrou o presidente da Abraciclo, por opção do governo, exclusivamente para a indústria de automóveis.


Mas Fermanian resgatou o fato de que as empresas do setor tem investido constantemente em tecnologias de segurança, como a inclusão de freios CBS e ABS, e a redução de níveis de emissões para atender ao padrão Promot 4 – “E já estamos estudando a adoção do Promot 5”.


Outra questão que permeou o debate foi a do compartilhamento de motocicletas. Apesar de ainda não haver, no Brasil, modelo de negócio definido, Monteiro, da Honda Suzuki, e Castro Neto, da Yamaha, são a favor: “Qualquer que seja o cliente, temos de estar prontos para atender”.


“A tendência não é de posse, mas de compartilhamento, e o negócio é mobilidade”, observou Monteiro. “A motocicleta tem que ser atrativa dentro da mobilidade.”


Os participantes do painel não acreditam que os modelos elétricos sejam prioridade para o Brasil. Segundo Fermanian, da Abraciclo, esta é uma realidade distante, e Monteiro, da Honda Suzuki, lembrou que já existem motocicletas bicombustíveis no mercado: “O etanol é uma alternativa”.


Para Castro Neto, da Yamaha, ainda há espaço para a melhoria dos motores a combustão interna.


Financiamento – Os participantes do painel foram unânimes em outro ponto: o crescimento do setor depende da facilidade de crédito ao consumidor. Segundo Fermanian, da Abraciclo, somente 20% das propostas de financiamento são aprovadas, hoje, pelos bancos, o que contrasta com a experiência dos concessionários, explicitada na segunda-feira, 9, de aprovação de apenas uma ficha a cada dez.


Importante é que, dependendo da velocidade do crédito, produção e vendas podem crescer, sintetizou Monteiro, da Honda Suzuki: “Em um crescimento moderado podemos estimar aumento de produção de 4% a 5% no ano que vem. E até de dois dígitos em alguns segmentos, como o de scooters”.


Independente disso todos acreditam que este é o fundo do poço – como declarou Castro Neto, da Yamaha, “a inflexão foi alcançada”. E essa é uma oportunidade que pode, ainda, abrir novas vendas, pois nem todos os bancos comerciais atuam com financiamento de motocicletas.


Segundo o presidente da Abraciclo os financiamentos, hoje, representam um pouco mais de um terço de todas as vendas de motocicletas no mercado brasileiro: “Já é o principal canal de escoamento do nosso produto no mercado”.


As demais modalidades de vendas, pela ordem, são à vista e os consórcios.

 

Foto: Maurício de Paiva