Toyota: investimentos no País não devem parar por aqui.

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CompartilheCongresso AutoData 2018
10/10/2017

Há quinze dias a Toyota revelou dois importantes planos de investimento no Brasil: R$ 600 milhões dedicados à unidade de Porto Feliz, SP, para saltar a capacidade de produção de motores ali de 108 mil para 174 mil/ano, e mais R$ 1 bilhão para produzir o Yaris em Sorocaba, também SP, dividindo linha com o Etios.

 

Dificilmente, porém, os aportes da fabricante no País vão parar por aí. Foi o que deixou transparecer em sua apresentação o vice-presidente executivo da Toyota no País, Miguel Fonseca, palestrante do segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018, a terça-feira, 10, no Hotel Transamérica, em São Paulo.

 

O executivo afirmou que a produção do Yaris em Sorocaba não representará, automaticamente, um expressivo aumento do volume de produção da planta, como seria natural imaginar-se. “Os volumes da planta crescerão um pouco, mas derivados de melhoria contínua e produtividade, e não como uma ação estrutural. Este cenário tem ligação com um outro conjunto futuro de decisões, que não podemos comentar agora.”

 

Outro ponto que demonstrou nas entrelinhas as intenções Toyota está nos volumes projetados pela empresa para o ano que vem: mercado total crescendo 11%, para 2,5 milhões, produção em alta de 10%, para 2,8 milhões, e exportações avançando 8%, a 805 mil unidades. Porém para a Toyota do Brasil, isoladamente, os índices esperados são mais modestos: elevação de 7,1% em vendas ao mercado interno, para 203,6 mil, produção 7,4% além, a 205,9 mil, e exportações avançando 7,3%, para 53,1 mil. A razão é uma só: “Já estamos no limite da capacidade”.

 

Como se não bastasse Fonseca forneceu à plateia mais duas pistas importantes. A primeira é que a Toyota vê seu segmento de maior volume de vendas atualmente no País, os sedãs médios, perdendo participação daqui por diante em nosso mercado, de 6,5% em 2016 para 5,5% em 2018 e 4,8% em 2020. Ao mesmo tempo se recuperam os compactos de entrada, de 8,8% em 2016 para 11,9% em 2020, e disparam na preferência – adivinhe só?Acertou! – os SUVs compactos, faixa na qual a montadora não atua aqui no momento, de 10% em 2016 para 14,9% em 2020.

 

A segunda é que a fabricante entende como um fator irreversível do mercado brasileiro o aumento da participação das vendas diretas no bolo total, em salto representativo de 25% em 2013 para 41% em 2017. “Entendemos essa alteração como tendência do mercado brasileiro, ligada a elementos como gestão e redução de risco, e deve assim permanecer”. Segundo Fonseca a participação Toyota neste segmento ainda é modesta, mesmo com evolução de 15% em 2013 para 21% em 2017, e dessa forma “procuraremos ferramentas para participar de forma equilibrada deste segmento de mercado. Vamos procurar nossas soluções”.

 

Por fim, o executivo reforçou a importância que a fabricante dá aos elétricos: sua projeção para as vendas deste segmento no País é de 3,5 mil unidades, das quais 3,1 mil seriam do Prius, em elevação de 18%. “No momento não conseguimos atender os pedidos pelo modelo, que não tem oferta de pronta entrega”, revelou.

 

Fonseca crê que a eletrificação chegará com maior força também ao Brasil, atingindo níveis mais representativos “em breve prazo” e com tecnologia adaptada à realidade local, como híbridos flex. Globalmente a empresa trabalha com meta de reduzir em 90% as emissões de CO2 de seus modelos no período 2010 a 2050.

 

Foto: Maurício de Paiva