Hora de abrir os cofres

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CompartilheCongresso AutoData 2018
10/10/2017

O setor automotivo nacional é bastante dependente de crédito e, ao menos no que depender exclusivamente deste quesito, o crescimento está garantido. A opinião foi compartilhada pelos três representantes de entidades financeiras que formaram painel sobre o tema no segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018: Luís Montenegro, presidente da Anef, Paulo Roberto Rossi, presidente da Abac, e Vilmar Carreiro, superintendente do Banco Itaú.


Os números da Anef, apresentados por Montenegro, dizem muito: em todo 2016 foram liberados R$ 82,4 bilhões para financiamento de autoveículos no País. Em 2017, até agosto, já foram R$ 63 bilhões, com expectativa de alcançar R$ 91 bilhões até dezembro – alta, portanto, próxima de 10%.


Para 2018 a Anef trabalha com expectativa do volume de crédito disponível para financiamentos de veículos alcançar, de janeiro a dezembro, R$ 112 bilhões, crescimento de 25%: “A soma dos dois anos alcançaria, portanto, uma elevação de 35%, o que é bastante representativo”.


Carreiro, do Itaú, compartilhou a visão positiva mas lembrou que até agora boa parte dos recursos está sendo utilizada para financiamentos de modelos seminovos e usados, “que significam a parcela de prestação que cabe, hoje, no bolso do consumidor”. Ele recordou que até 2013, quando o mercado vivia tempos gloriosos, a maior parte do crédito era destinada a modelos 0 KM de entrada, com praticamente 100% do bem financiado e prazo longo.


“Atualmente o perfil mudou: o consumidor já tem um veículo para dar de entrada, o que torna o crédito melhor e mais responsável.”


Segundo o Itaú a inadimplência está sob controle, na faixa de 4% – índice que “requer cuidado mas é um bom resultado, vez que recentemente já chegou a 7%”.


O representante do banco rebateu críticas de alguns profissionais de montadoras, especialmente das áreas de venda, que apontam seletividade exagerada nas liberações, com algo como apenas três fichas aprovadas a cada dez remetidas: “Depende muito do segmento. Nos 0 KM, por exemplo, essa relação é de seis aprovações para cada dez”.


Montenegro acrescentou que no caso especifico dos bancos de montadoras a relação é ainda maior, com sete e meio para cada dez.


Carreiro também observou que em 2018 a tendência é de uma redução nas ofertas generosas de taxas promocionais pelos bancos de montadoras, o que tende a desembocar em “maior igualdade de disputa dos bancos comerciais em geral com os de montadoras”.


Para os consórcios o panorama é muito parecido, afirmou Rossi, da Abac: em 2017 já se registra crescimento na contratação de novas cotas, de 14% nos veículos leves e de 12% nos pesados, de janeiro a agosto no comparativo com o ano passado.


São hoje 7 milhões de consorciados ativos no sistema, afirmou, sendo 6 milhões no segmento automotivo. O dirigente lembrou que, diante da crise, boa parte dos novos grupos teve prazos alongados em busca de parcela menor de prestação, como até 84 meses para os leves, 114 meses para os pesados e setenta meses para as motos.


Outro cenário importante, revelou, é que muitos consorciados foram contemplados mas optaram por não retirar o bem, especialmente nos pesados, considerando o cenário até agora pouco estimulante para fretes. Assim, segundo Rossi, da Abac, “existe hoje uma demanda reprimida enorme, inclusive para renovação de frotas de veículos comerciais”.


Foto: Maurício de Paiva