Penske quer crescer em serviços nas montadoras

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A Penske desembarcou no Brasil em 1998 para atender a contrato global fechado com a Ford, que à época buscava um parceiro para fazer a gestão de sua logística na unidade de São Bernardo do Campo, SP, e, anos mais tarde, também em Camaçari, BA. A empresa também passou a atender à General Motors nos mesmos moldes – assim como outras empresas fora do setor automotivo – o que fez a matriz direcionar seus holofotes para a região. Às vésperas de completar vinte anos no País a companhia comemora seu crescimento no mercado de veículos após fechar contrato com a FCA e as fabricantes apresentarem sinais vitais depois de período turbulento nas vendas internas.

 

“Posso dizer que sofremos menos do que outros fornecedores do setor automotivo porque nossa atuação no Brasil está focada basicamente na operação logística de peças das fabricantes, e em 2017 o segmento de reposição ajudou a manter os volumes", contou Paulo Sarti, diretor presidente para a América do Sul. "Não significou, por outro lado, que não tenhamos sido pressionados para renegociar preços com os clientes.”

 

Seus dois maiores clientes, Ford e GM, promoveram ajustes em suas operações no sentido de cortar custos e, na verdade, o que parecia uma revisão de contrato de fornecimento acabou se mostrando uma oportunidade de oferecer serviços com maior valor agregado.

 

Em 2017 o consumidor apostou na manutenção dos veículos e o aftermarket pegou carona no crescimento da demanda por peças. Após três anos de encolhimentos o faturamento do aftermarketing terminará o ano com alta de 19% na comparação com 2016, pela estimativa do Sindipeças, após encolher 28% de 2014 a 2016.

 

Como as fabricantes passaram a buscar opções que pudessem proporcionar eficiência operacional a Penske adicionou, à sua oferta no Brasil, o serviço de provedor de logística chamado LLP na sigla em inglês, e que na prática representa uma espécie de consultoria às fabricantes no que diz respeito a toda operação de transporte e de armazenagem de componentes: “As empresas estão dispostas a focar naquilo que elas fazem de melhor e delegar a gestão de outras áreas a quem possui mais experiência. Embora o serviço seja algo novo traz margens interessantes na comparação com os demais da nossa oferta”.

 

A atuação de longa data com as fabricantes, somada ao ambiente favorável aos investimentos que pudessem trazer algum benefício do ponto de vista da redução de custos, foram os fatores que pavimentaram o caminho para o LLP da Penske. Há três anos no mercado já está estabelecido nas fábricas Ford e GM:

 

“Tornou-se uma solução aderente ao mercado porque muitas empresas passaram a buscar mecanismos para reduzir seus custos operacionais à medida que caiam as vendas. A área de logística é estratégica e por isso conseguimos inserir o serviço nas grandes montadoras”.

 

Sarti revelou que Nissan e FCA podem ser os próximos clientes do LLP: “Estamos participando de concorrência para fornecer o serviço a essas empresas”.

 

Retomada – A Penske atua historicamente no Brasil em duas frentes: o transporte de peças pelas unidades de produção e os centros de distribuição até às concessionárias, e a gestão total da logística das fabricantes de veículos. Para apoiar suas principais fontes de receita possui contrato com uma rede de cerca de trinta transportadoras espalhadas pelo País. Com o aftermarket mantendo a estrutura e funcionando sem reduzir o seu tamanho, a Penske teve margem para planejar sua operação de modo a conseguir acompanhar um eventual aumento das demandas no setor, o segundo principal da companhia na América do Sul em termos de receita, perdendo apenas para o de eletroeletrônicos.

 

Em 2015 a companhia deu início ao Plano Galileu, um pacote de metas e investimentos a serem realizados até 2020. A subsidiária brasileira recebeu recursos para a capacitação de funcionários e de melhorias na área de tecnologia da informação, considerado o principal ativo da companhia – que não tem ativos, na prática, pois cuida da gestão da frota de seus parceiros transportadores e da estrutura logística de terceiros.

 

Estruturar-se para a retomada do setor é uma necessidade expressa com frequência pelos clientes fabricantes de veículos, disse Sarti: “Hoje o principal temor das empresas é que sua cadeia de fornecedores não consiga acompanhar um crescimento acelerado pelo qual possam passar. Diante desse cenário decidimos nos preparar para quando este momento chegar”.

 

Reforçada a área de TI, e renovada a oferta de seus serviços, a Penske percebeu-se com musculatura suficiente para buscar novos contratos no setor automotivo. O primeiro deles foi fechado com a FCA no primeiro semestre e, segundo o presidente, pode representar o crescimento do faturamento da empresa na região em 50%, outra das metas do Plano Galileu.

 

Sarti contou que esse contrato estabelece que, em um primeiro momento, a Penske seja responsável pelo transporte das peças de reposição da fabricante no País. Para os anos seguintes a empresa avançará em outras operações FCA que ainda estão em fase de execução: “É uma companhia que está crescendo, há planos para expansão em Betim, com a chegada de novos modelos na linha de montagem, construção de centros de distribuição. Nós acompanharemos a evolução deles na logística”.

 

Foto: Divulgação.