Bosch desiste de produzir baterias para elétricos

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A Bosch surpreendeu o mercado ao informar, por meio de comunicado divulgado na quarta-feira, 28, que considera um investimento de alto risco a produção de baterias para veículos elétricos, declinando de uma eventual fabricação do componente. A decisão é um golpe para governos da Europa e fabricantes de veículos que pediram para que empresas se juntassem para criar um produtor regional de células de bateria para competir com fornecedores asiáticos.

 

A Bosch, no passado, considerou produzir suas próprias baterias. Em 2017, porém, mostrou-se em dúvida: disse que a decisão dependeria da possibilidade de desenvolver "um produto melhor e mais barato do que o dos rivais, como Samsung e Panasonic". Para Rolf Bulander, presidente da divisão de mobilidade da Bosch, “o importante para a empresa é entender a célula tecnicamente, não fabricá-la”.

 

É um instante em que as fabricantes de veículos européias avançam em projetos de veículos elétricos e híbridos, muito em função dos prazos estipulados por alguns países para a redução ou o fim das emissões de combustíveis fósseis, e a região não conta com um fornecedor local de baterias – os blocos de construção essenciais para as baterias são atualmente fabricados na Ásia.

 

Com a decisão o negócio da Bosch de desenvolvimento de baterias passará por mudanças. A empresa de produção de tecnologia de lítio-íon, Lithium Energy & Power, será encerrada. A subsidiária Seeo, que realiza pesquisas sobre tecnologia de células sólidas, deverá ser vendida, informou a empresa. A Bosch, no entanto, afirmou que continuará a trabalhar com fornecedores de células para projetar baterias de veículos híbridos e elétricos com a finalidade de comprar seus equipamentos

 

Alto risco – A Bosch calculou que seria necessário investimento inicial de € 20 bilhões para a produção de baterias, afora outros bilhões para bancar o custo operacional. A empresa, contudo, parece ter abortado a produção muito mais em função do retorno do investimento do que pela disponibilidade de recursos.

 

Disse em comunidado que, “no que diz respeito à dinâmica [do negócio], é difícil de prever os fatores do mercado externo. Não está claro se, e quando, esse investimento seria pago. Um investimento tão arriscado, portanto, não é aceitável no interesse geral da empresa”.

 

Em outras oportunidades na história, em que veículos passaram por profundas transformações tecnológicas, a Bosch foi responsável pelo desenvolvimento de componentes considerados chave para a consolidação dos novos modelos. Foi assim com as velas de ignição, em 1902, componente vital para a massificação dos veículos. Mais recentemente, em 2003, a empresa criou o sistema flex fuel, por meio do qual motores podem funcionar com dois tipos distintos de combustível.

 

 

Foto: Divulgação.