Ford reduzirá portfólio para focar rentabilidade

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26/04/2018

A Ford divulgou na quinta-feira, 26, que pretende parar de vender veículos sedãs na América do Norte como parte do seu plano de redução de custos até 2022, estabelecido há seis meses, segundo o balanço divulgado. A empresa deverá manter apenas o Mustang, atuando em um nicho de mercado que ainda é lucrativo, e focará na produção e vendas de SUVs e picapes, eliminando também operações globais que não são rentáveis.

 

Jim Hackett, CEO global da empresa, disse que o foco será nas partes saudáveis dos negócios e que será necessário lidar decisivamente com as partes que destroem valor: “Esperamos que com as decisões seja possível alcançar a meta de 8% de lucro global até 2020, dois anos antes do plano inicial”.

 

A consultoria automotiva IHS acredita que essas mudanças serão uma tendência global da Ford, começando pela América do Norte, pois nesse mercado ela consegue atuar apenas com picapes e SUVs. De acordo com Fernando Trujillo, da IHS, “em outros mercados a companhia não pode abrir mão de outros segmentos, como no Brasil, mas já estuda como reduzir os modelos do portfólio”:

 

“Nos países emergentes como Brasil, China e Índia a Ford prepara a saída de linha de um dos seus modelos hatch, para o reposicionamento dos demais, de maneira que seja possível cobrir toda essa fatia do mercado com um número menor de modelos. Nos próximos anos vemos a produção da Ford cada vez mais enxuta, sendo uma das poucas montadoras que não deve ter alta no seu volume de produção”.

 

A redução de modelos disponíveis em cada segmento e, até, a saída de alguns só tem sido planejada pela Ford, segundo a IHS. Mas a redução de custos e a otimização dos processos produtivos são fatores que outras montadoras também estudam, caso da GM, que negocia com o governo da Coreia do Sul um modo de recuperar suas quatro fábricas na região sem precisar fechar as portas, pois a companhia registra quatro anos seguidos de prejuízos.

 

Como parte de seu planejamento estratégico a GM encerrou suas vendas na Índia e suas operações na África do Sul para focar em mercados mais rentáveis. O mesmo aconteceu na Austrália, com o fim da produção da Holden, sua subsidiária na região. A Toyota também encerrou sua produção no país no ano passado, após fechar fábrica que operava há 54 anos.

 

Consultada a respeito do assunto a Ford Brasil, por meio de sua assessoria de imprensa, garantiu que essa redução de portfólio diz respeito, rigorosamente e apenas, aos mercados da América do Norte.

 

Mercado brasileiro

 

Na visão da IHS sedãs e hatchs médios e premium estão perdendo espaço no Brasil, e no mundo, por causa do forte avanço do segmento de SUVs. Aqui os sedãs registraram crescimento de vendas no trimestre, mas abaixo da expansão que o mercado teve no mesmo período -- e isto será uma tendência global, de acordo com a consultoria.  

 

O segmento de sedãs pequenos vendeu 61,3 mil unidades no trimestre, contra 57,7 mil no mesmo período do ano passado, com o Chevrolet Prisma sendo o veículo mais vendido, 16,3 mil unidades, de acordo com os dados da Fenabrave. Já no segmento de sedãs compactos foram emplacados 11,7 mil carros este ano, contra 9,5 mil na mesma base de comparação. O líder do segmento é o novato Volkswagen Virtus, com 4,6 mil unidades vendidas no período.

 

Os sedãs médios venderam 33,9 mil unidades contra 32,6 mil em igual período do ano passado, com o Toyota Corolla na liderança, com 13,7 mil unidades. E as vendas de sedãs grandes chegaram a 2,2 mil unidades no trimestre, contra 1,6 mil no mesmo período do ano passado, com o Ford Fusion emplacando 935 unidades e conquistando a liderança.

 

Foto: Divulgação.