Marcopolo investe R$ 70 milhões em Ana Rech

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07/02/2019

Caxias do Sul - A área, que até setembro de 2017 abrigava a unidade de peças plásticas, destruída por incêndio, no complexo da Marcopolo de Ana Rech, em Caxias do Sul, RS, é agora ocupada pelo centro de fabricação de componentes e de subconjuntos metálicos. Com área construída superior a 19 mil m² a operação receberá investimento total de R$ 70 milhões, dos quais R$ 30 milhões já consolidados, e começou a ser ocupada em janeiro.

 

Nela será centralizada toda a produção de peças metálicas, que antes estava distribuída em vários setores das unidades fabris Ana Rech, Neobus e Planalto.

 

A nova unidade produz atualmente de 14 mil a 15 mil peças por dia. Até dezembro o volume subirá, gradualmente, para 60 mil peças diárias. Já a capacidade instalada será para 75 mil a 80 mil, o que permite atender demanda de 73 ônibus por dia. No momento o volume médio diário de produção da empresa é de 43 carrocerias.

 

Segundo o gerente de engenharia de processo Júlio Igansi dentre os principais diferenciais do novo centro de fabricação estão unificação e racionalização de recursos, fluxo contínuo de produção e logístico, e gestão visual de todo o processo produtivo: “A fábrica é extremamente segura e atende aos princípios Lean, com foco na eliminação de desperdícios, padrões de eficiência e qualidade ainda mais elevados para os clientes internos e externos”.

 

O quadro atual do centro de fabricação é de 180 funcionários. Além das novas instalações, construídas respeitando vários conceitos de sustentabilidade ambiental e segurança, a unidade é equipada com modernos equipamentos. Em março a empresa receberá máquinas de corte a laser, importadas da Itália, que dispensarão o uso de gabaritos.

 

André Matté, um dos responsáveis pelo projeto da nova unidade -- resultado de trabalho iniciado, em novembro de 2017, por uma equipe multidisciplinar e que envolveu mais de duzentos colaboradores --, disse que “teremos expressivos ganhos em produtividade e também poderemos incrementar a verticalização de processos. Montamos uma maquete em escala, algo inédito na empresa, no centro esportivo da sede da Fundação Marcopolo, para que os colaboradores tivessem uma ideia geral do projeto e apresentassem sugestões de melhorias”.

 

A unidade já conta com máquinas automatizadas de conformação de tubos, células de soldas robotizadas e de montagem com o conceito de minifábricas.

 

Produção sob demanda - As obras do centro de fabricação foram iniciadas em fevereiro do ano passado e concluídas em dezembro. A primeira unidade transferida é a de tubos de aço que operava em espaço do complexo da Marcopolo. De acordo com o diretor de operações industriais, Lusuir Grochot, a unidade processará peças a partir de tubos e chapas de aço e alumínio. Contou que o projeto atende a produção iniciada a partir da demanda do cliente, com tempo takt definido, menor estoque de matéria-prima e componentes em processamento, de movimentação de materiais e pessoas e de necessidade de transporte, “tudo para ser o mais eficiente, seguro e produtivo possível”. Caso os custos se mostrem favoráveis a unidade poderá fornecer peças para outras empresas do grupo.

 

O CEO da Marcopolo, Francisco Gomes Neto, lembrou o desespero que tomou conta de toda a companhia, em setembro de 2017, quando a fábrica de plásticos foi consumida pelo fogo: “Não sabíamos o que fazer”. Mas observou que, em menos de cinco semanas, a produção de ônibus voltou à normalidade em função do empenho coletivo dos colaboradores, da comunidade e dos fornecedores e da compreensão dos clientes.

 

Em julho do ano passado a nova fábrica de peças plásticas começou a operar em pavilhão existente na unidade da Neobus. O espaço foi readequado à nova finalidade e recebeu equipamentos, a um custo total estimado em R$ 70 milhões: “Temos, agora, um processo enxuto com mais indicadores de qualidade e produtividade”.

 

Segundo Gomes Neto a unidade está praticamente pronta, restando alguns pequenos ajustes. Ele também confirmou que a unidade Planalto será desativada no fim deste ano, com a transferência de todos os equipamentos e gabaritos para Ana Rech. No momento ainda seguem em produção alguns modelos de microônibus. O destino a ser dado ao prédio construído em 1957 será definido pelos controladores e pelo conselho de administração da Marcopolo após a transferência total dos ativos. A unidade tem 38,3 mil m² de área construída sobre terreno de 48 mil m².

 

Foto: Gelson Mello da Costa/Divulgação.