Brasil e México rediscutirão acordo comercial

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CompartilheBalanço da Anfavea
04/04/2019

São Paulo – Os governos do Brasil e do México sentarão novamente à mesa para rediscutir alguns termos do acordo comercial bilateral automotivo, que desde março passou a operar no sistema de livre comércio. Segundo o presidente da Anfavea, Antonio Megale, a questão principal envolve as regras de origem de conteúdo local, cuja formatação atual não agrada a nenhuma das partes.

 

Essas regras deveriam ter sido alvo de discussão no ano passado -- o que não ocorreu pelo fato de os dois países estarem em ano eleitoral. Ao optar pelo livre comércio os países acertaram em elevar o conteúdo local de 35% para 40%, mas muitas empresas estão encontrando entraves para atender a este porcentual.

 

“As dificuldades maiores estão na corrente comercial do México para o Brasil, mas algumas empresas brasileiras também encontram problemas.”

 

A regra de origem estabelecida no acordo estabelece uma equação de valor de materiais originários sobre o preço final do produto, ignorando potenciais processos produtivos feitos localmente. Caso o aço seja importado, por exemplo, uma eventual manipulação da matéria-prima dentro da fábrica para a produção de um componente é descartada – e o preço do aço importado entra integralmente na conta.

 

Para Megale o ideal seria a fórmula usada no Mercosul, que contempla esses processos produtivos: “O México concorda com a nossa posição. Passamos isto ao governo, que acenou positivamente para uma mudança”.

 

A Anfavea pede mais: enquanto os dois governos discutem a regra de origem o sistema de cotas seria novamente adotado – com valores superiores aos praticados ano passado: “As cotas do ano passado não foram alcançadas. Poderíamos até aumentar o valor que não haveria mudança no fluxo comercial no curto prazo”.

 

A preocupação da entidade está, novamente, no médio a longo prazos: com o comércio liberado a maior competitividade do México poderia direcionar decisões de investimento para o país da América do Norte em vez de alocá-lo no Brasil. De toda forma o governo brasileiro não deu em momento algum sinais de receptividade a esse pleito.

 

Resultado – As dificuldades do mercado argentino seguem refletindo nas exportações brasileiras. No trimestre a queda com relação aos três primeiros meses do ano passado chegou a 42%, com 104,5 mil unidades embarcadas.

 

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Segundo Megale a Argentina, que no passado chegou a representar 75% das nossas exportações, fechou o trimestre com 60%: “A boa notícia é que dobramos o volume enviado à Colômbia, com quem fechamos acordo comercial recentemente e que representou 10% das exportações no período”.

 

Em março foram enviados ao Exterior 39 mil veículos, volume 42,2% inferior ao do mesmo mês de 2018 e 3,7% abaixo do volume de fevereiro. Em receita a queda chegou a 43,6% na comparação anual e a 2,9% na mensal, para US$ 850,8 milhões.

 

No trimestre as fabricantes de automóveis e máquinas agrícolas faturaram US$ 2,4 bilhões com suas vendas externas, redução de 38,9% com relação ao valor dos primeiros três meses do ano passado.

 

Foto: Ivan Bueno/APPA.