Produção local de veículos elétricos é viável e necessária

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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26/11/2019

São Paulo – É consenso na indústria que o futuro da mobilidade está num modelo de matriz mista formada por veículos movidos a eletricidade e também por aqueles movidos a motores térmicos. Há também outra afirmativa que ganha força no setor, que é a questão da produção local e como ela é importante para inserir a indústria brasileira em contexto global.

 

O tema foi discutido durante o Seminário AutoData Brasil Elétrico, realizado na segunda-feira, 25, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo. Parte das fabricantes instaladas aqui mostraram que a produção regional de veículos elétricos é uma realidade, mas que há desafios a serem enfrentados para sua consolidação e para que se obtenha ganhos de competitividade.

 

"Antes os caminhões e ônibus que abasteciam os mercados próximos, como Chile e Colômbia, eram aqueles produzidos pelas fábricas instaladas no Brasil. Agora pergunto: de onde vêm os ônibus comprados pelas empresas que venceram licitação de BRT em Santiago e Bogotá?", perguntou Adalberto Maluf, diretor geral da BYD. "Da China."

 

O que o executivo quis ilustrar com o exemplo, segundo suas próprias palavras, é que se o Brasil não criar um ambiente favorável à produção nacional por meio de "incentivos e desonerações" a indústria poderá perder espaço em mercado onde sempre foi cativa, como é o caso da América Latina, para empresas de mercados mais competitivos.

 

Uma oportunidade o Brasil já perdeu, de acordo com Maluf, citando o desenho do Rota 2030, a nova política industrial para o setor automotivo que foi tornada lei em 2018: "O grupo formado pelas fabricantes de veículos elétricos participou das discussões mas, no fim do processo, venceu o pleito das fabricantes tradicionais. O veículo elétrico ficou de fora dos benefícios".

 

A derrota, disse o executivo, ocorreu no campo da eficiência energética – a tabela apresentada no texto do Rota 2030 incentiva o veículo mais leve, o que tornou as coisas para o veículo elétrico, mais pesado por causa das baterias, mais complicadas na massa-eficiência.

 

De todo modo a produção de veículos elétricos aqui segue seu caminho ainda que em pequenos volumes. Afora a própria BYD, que mantém fábrica em Campinas, SP, a Volkswagen Caminhões e Ônibus iniciará em 2020, em Resende, RJ, a produção do seu modelo de caminhão elétrico, o e-Delivery.

 

Para Walter Pellizari, diretor líder do projeto de e-mobility da montadora, as fabricantes "estão fazendo o seu papel da portaria para dentro" no que diz respeito ao desenvolvimento de powertrain elétrico, mas é preciso, segundo o executivo, esforços do governo para que a indústria seja mais competitiva do que a de outros países que também produzem produto semelhante:

 

"O e-Consórcio formado para construir os modelos elétricos da Volkswagen Caminhões e Ônibus representa um grande passo para que seja possível construir veículos do tipo em escala de forma local, mas nacionalizar componentes e pesquisa demanda investimento e melhores condições fiscais".

 

Foto: Rafael Cusato.