São Paulo, SP e Resende, RJ – Ao celebrar 22 anos de operação no Brasil a Nissan põe em prática planejamento que busca dar à sua fábrica local, em Resende, RJ, papel relevante no mapa global de produção de veículos. A intenção do presidente para o Brasil, Airton Cousseau, é exportar para além da América Latina e não apenas veículos, mas também componentes e acessórios.
A fábrica sul-fluminense opera atualmente em dois turnos produzindo o Kicks, que abastece aos mercados de Brasil, Argentina e Paraguai, e os motores 1.6 16V que equipam o SUV. O ritmo de produção está em 402 unidades/dia, com cerca de 2 mil funcionários diretos e indiretos – na unidade existem também operações de montagem dos fornecedores Sanoh e Calsonic.
Recentemente, dentro de uma das meta estabelecida por Cousseau ao assumir a operação local, há dezoito meses, Resende passou a enviar também componentes e acessórios para Argentina, Chile e Peru, como para-choques e peças metálicas. Mas o executivo não quer parar por aí:
“Vemos oportunidades na Tailândia, nos Estados Unidos e iniciamos conversas na China, um mercado que tradicionalmente nos vende peças”, disse o presidente da Nissan Brasil em entrevista para a edição Perspectivas 2023 da revista AutoData, que já está disponível, gratuitamente, em sua versão digital. “Mas a China é um mercado muito grande, há oportunidades e nossa equipe local está estudando alguns componentes que podem ser competitivos por lá.”
Nos Estados Unidos a oportunidade seria para exportar parte do portfólio de acessórios produzidos localmente. Cousseau considera grandes as possibilidades do negócio se concretizar nos próximos meses.
Como o planejamento ainda é inicial não existe estrutura dedicada a exportação de componentes, produzidos nas mesmas linhas daqueles que abastecem ao mercado local. O presidente considera, porém, a possibilidade de criar nova área apenas para a atividade: “Conforme fecharmos os novos contratos precisaremos melhorar nossa estrutura para avançar com as exportações”.
A reportagem da Agência AutoData visitou o complexo industrial da Nissan em Resende e passou pelas áreas de estamparia, armação da carroceria, pintura, montagem do Kicks e a área de motores. Há muito espaço para crescer produção e a introdução de linha dedicada à exportação não seria um grande problema.
Dificuldades – Para Cousseau a estrutura brasileira é o principal entrave para a ampliação das exportações. Segundo ele há impostos que não existem em outros mercados, como o IPI. Na sua opinião a eliminação deste tributo fortaleceria todas as indústrias instaladas no País, que poderiam exportar muito mais, avançando com produtos finalizados e não só os primários.
Ser uma base exportadora de veículos será o segundo passo da Nissan, que atualmente embarca o Kicks para Argentina e Paraguai e pretende negócios em novos mercados da América do Sul a curto prazo. A fábrica de Córdoba, Argentina, também está nos planos de exportação e já iniciou os embarques da picape Frontier para a Colômbia e, em dezembro, iniciará operação para o Chile.
Para avançar com as exportações do Kicks a Nissan entende que precisa aumentar seu índice de localização, que hoje está em torno de 60%, para 80% a 85%, índice considerado por Cousseau como ideal para ganhar competitividade fora da América Latina. Em setembro a empresa levou representantes de sua cadeia de fornecimento para um evento em Resende para apresentar os benefícios fiscais para quem produz na região e as oportunidades que enxerga para o futuro, como forma de incentivar os investimentos de seus parceiros para a localização de novos componentes.
Outro fator que torna a missão mais necessária é a grande ruptura na produção e logística global de fornecimento. Antes da pandemia a Nissan operava no sistema just-in-time, com estoque de apenas três dias, cenário que mudou completamente nos últimos dois anos: “Com mais peças locais conseguiremos reduzir custos em dólar e sofreremos menos com a flutuação cambial e com o riscos envolvendo o transporte”.