São Bernardo do Campo, SP – Em sua caminhada ao zero carbono a Volkswagen esbarra, no Brasil, com os hábitos do seu consumidor. A trajetória aqui escolhida, centrada no biocombustível, em especial o etanol, parece acertada quando as métricas de emissão do poço à roda são colocadas no papel: um motor flex, ou híbrido flex, rodando no País tem resultados melhores do que um 100% elétrico na Europa, devido às matrizes energéticas sujas lá de fora. Mas para que isto funcione é preciso que os veículos sejam abastecidos com o etanol – e o brasileiro ainda prefere a gasolina.
Um instrumento para tentar mudar este costume foi um dos primeiros resultados concretos do Way To Zero Center, o centro de desenvolvimento global de biocombustíveis localizado na fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo, SP, inaugurado na segunda-feira, 21, e que ganhou o mesmo nome do plano de descarbonização global da companhia. Já estão nos smartphones e VW Play, a central multimídia dos veículos da marca, a calculadora digital que, além de mostrar qual combustível tem menor preço, etanol ou gasolina, faz as contas das emissões de CO2 do veículo Volkswagen quando abastecido com um deles.
“Nossa intenção é mostrar, de forma lúdica, o quanto o usuário deixou de emitir de CO2”, disse Roger Guilherme, gerente de engenharia de produto e o responsável pelo Way To Zero Center. “Apontamos isso em equivalência de árvores plantadas dentro do aplicativo.”
Ao mesmo tempo em que busca educar o seu consumidor a Volkswagen coleta dados de comportamento do condutor com relação ao abastecimento para, no futuro, poder tomar ações adicionais para que ele passe a usar mais o etanol.
Claro que o Way To Zero Center não parará aí. No total 23 projetos estão sendo tocados pela equipe de onze pessoas, em parceria com sete empresas e dez universidades locais. Destes treze estão em fase de análise e discussão e dez já estão com o desenvolvimento em andamento. São projetos como o SOFC, célula de combustível de óxido sólido, de etanol, e a célula de combustível polimérica de etanol, que poderia dispensar um reformador. Mas eficiência na queima do etanol e materiais alternativos também fazem parte dos projetos sobre os quais a equipe tem se debruçado.
O centro de desenvolvimento de biocombustíveis foi uma vitória da subsidiária local, dirigida pelo ex-chairman executivo Pablo Di Si, que conseguiu convencer a matriz da vida longa que o motor a combustão terá ainda em países em desenvolvimento. Segundo o novo chairman executivo, Alexander Seitz, será dele que virão as grandes contribuições da América do Sul para o plano de zerar as emissões de CO2 da Volkswagen até 2050.