Embarques ao país superam, mais uma vez, o volume enviado à Argentina
São Paulo – Diante das restrições impostas por sua economia a Argentina vem diminuindo o volume de compras de veículos brasileiros nos últimos meses. Ainda que o país vizinho mantenha o título de principal parceiro do setor automotivo no Brasil, há dois meses consecutivos vem perdendo espaço para o México.
De acordo com dados da Anfavea divulgados durante entrevista coletiva de imprensa na quarta-feira, 7, os embarques ao México superaram, em outubro e novembro, os que seguiram para a Argentina. No acumulado de 2022 os mexicanos ampliaram suas compras em 46%, o que significa 25 mil unidades a mais e os argentinos permaneceram praticamente estáveis, com incremento de 6 mil unidades.
Merecem destaque também a participação do Chile, para onde as exportações aumentaram 65% este ano até novembro, com 21 mil unidades a mais, e da Colômbia, que incrementou seu pedido neste mesmo volume.
Frente aos números, o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, constatou que Argentina vem dando sinais de que está perdendo participação e relevância nas exportações brasileiras:
“Embora não tenha havido queda significativa, uma vez que os volumes de 2021 foram mantidos, podemos dizer que o mercado argentino andou de lado este ano, diferentemente do mexicano, do chileno e do colombiano”.
Para Leite isto é um sinal de que o setor precisa analisar melhor os potenciais mercados. Embora a Argentina ainda detenha a maior fatia de compras do País, respondendo por 29% do total, no acumulado do ano passado esse porcentual era de 36%. No período a participação do México passou de 16% para 18%, a da Colômbia de 14% para 16% e a do Chile de 10% para 12%.
Desempenho em 2022 – De janeiro a novembro as montadoras embarcaram 450 mil veículos, volume que supera em 34,3% as exportações em igual período em 2021. Conforme destacou Luiz Carlos Moraes, vice-presidente da entidade, o volume, que equivale a 20% de toda a produção ao longo deste ano, supera ainda os acumulados de 2020, com 286 mil unidades, e de 2019, com 405 mil unidades.
“Isto apesar de problemas que enfrentamos e que impactam a competitividade do nosso produto, como o custo Brasil e a falta de financiamentos para a exportação.”
Em valor foram obtidos US$ 9,6 bilhões com as vendas a outros países ao longo deste ano, 40,6% a mais do que no ano passado.
Em novembro foram embarcados 43,4 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Embora represente leve alta de 1,6% ante outubro o volume supera em 55% o total do mesmo mês em 2021. Além disso, ressaltou Leite, essa estabilidade foi muito comemorada porque a base de outubro estava inflada, com alta de quase 50% frente a setembro.
No nono mês de 2022, diante de problema de atrasos de três navios, que não navegaram na data prevista, houve maior concentração em outubro, tanto que em setembro as exportações somaram 29 mil unidades e no décimo mês 43 mil. Ou seja: o resultado de novembro se equiparou a uma base de comparação elevada.
Moraes ponderou que as exportações estão com desempenho acima do esperado, o que compensa, em parte, o volume menor de vendas no mercado interno.
Em valor foram obtidos US$ 976 milhões com as exportações do mês passado, cifra 8% inferior à de outubro mas 50,5% maior do que a de novembro de 2021.