Empresa, que encerrou 2022 com incremento de 11% nas vendas, vê no S-Way sua oportunidade de seguir crescendo
São Paulo – A Iveco em 2022 emplacou 13,3 mil caminhões, o que representou incremento de 11%, ou 1,4 mil veículos a mais do que nos doze meses anteriores, incluídas aí as unidades de 3,5 toneladas do seu carro-chefe Daily, que em todas as versões respondeu por um terço das vendas da montadora. Desta forma sua participação no mercado brasileiro, que atingiu fatia de 9,3%, a melhor já obtida em uma década, demonstra avanço de 1,8 ponto porcentual diante do resultado ano anterior.
Se forem incluídas somente as unidades acima de 3,5 toneladas, o que é considerado pela Anfavea dentro do segmento de veículos comerciais, o market share chega a 8,7%.
Desempenho apurado em período em que persistiram as dificuldades com o fornecimento de componentes, em especial os semicondutores. O que frustrou expectativas de todo o segmento com relação à antecipação de compras de modelos Euro 5, uma vez que a partir de janeiro passaram a vigorar os motores Euro 6, mais modernos e menos poluentes. E mais caros.
Tanto que o mercado de caminhões, segundo dados da Anfavea, retraiu 1,6% no ano passado, com 126,6 mil unidades comercializadas. Considerando o universo que a Iveco considera para seus cálculos houve queda de 3%.
Em ambos os cenários, entretanto, a montadora seguiu em direção oposta à do segmento e os planos são de dar continuidade ao movimento ascendente – se possível, na casa dos dois dígitos. Ainda que para o mercado de caminhões a expectativa da Iveco seja de queda de 5% a 10% este ano, segundo seu diretor comercial, Ricardo Barion.
Movimento que se justifica pela mudança para o Euro 6, cujos preços dos veículos se elevaram de 15% a 20%, somado a dificuldades na obtenção de financiamento, dos juros altos e pela mudança de governo, o que em um primeiro instante traz incertezas até que as diretrizes políticas e econômicas sejam anunciadas.
Com preço que parte dos R$ 800 mil, mais tecnologia e segurança, promessa de redução do consumo de combustível em 15% em comparação com seu antecessor e, portanto, melhor custo total de operação, nas palavras de Barion, este caminhão “vem para mudar a imagem da marca”:
“Apostamos em um produto que integra segmento no qual não tínhamos tanta competitividade, com preço competitivo e que deverá trazer maior rentabilidade ao transportador. Com custo operacional diferenciado, a expectativa é que ele surpreenda”.
O Hi-Way representava 20% das vendas da Iveco e, embora Barion não possa divulgar uma perspectiva em torno das vendas deste novo produto, pontuou que a faixa de mercado na qual quer ganhar espaço responde por cerca de 40% do mercado brasileiro. Ou seja: tem bastante espaço para crescer:
“Qualquer ponto porcentual que se ganhe neste segmento já diz muito”, assinalou o diretor, ao citar que a Iveco detém, hoje, meste segmento, 4% de participação.
Segundo Barion a Iveco só não cresceu no segmento de extrapesados, que a Anfavea nomeia de pesados, que são os cavalos mecânicos: “Por isto focamos nossos investimentos neste segmento, com o lançamento do S-Way. Faltava ter, ali, uma presença mais robusta”.
O aporte integra volume de R$ 1 bilhão anunciado no início de 2022, que teve em torno de 60% destinados a novos produtos.
S-Way é a novidade da Iveco no segmento de extrapesados e o móvel para elevar seu market share. Crédito: Divulgação.
O executivo destacou que, com a mudança, o ganho esperado não se refletirá apenas no faturamento mas, também, em aproveitamento da fábrica pois, quanto mais eleva a produção desse veículo, de maior valor agregado, obtém-se uma melhora da absorção do custo fixo.
No segmento de leves, de chassi-cabine, a Daily manteve a liderança, com 40,4% de market share. No de médios, que inclui de 9 a 15 toneladas, houve crescimento de 40%, para 10,6% de participação. No ramo de semipesados, de 17 a 29 toneladas, o incremento foi de 66%, atingindo fatia 10,3%: “Registramos a maior participação da história nesses segmentos”.
Menos paradas – De forma diversa das demais montadoras no fim do ano passado a Iveco não paralisou sua produção a fim de conceder férias coletivas e para poder realizar a manutenção da operação visando à produção de veículos com motores Euro 6. Em Sete Lagoas, MG, sede brasileira, há duas plantas, uma em que são fabricadas as versões da Daily e outra de onde saem modelos acima de 9 toneladas e ônibus.
Como no início de 2022 a unidade em que são produzidos veículos leves, de 3,5 toneladas, parou por uma semana para adaptá-los ao sistema de emissões Proconve L7, não houve a necessidade de parar tudo – o que também ajuda a justificar o desempenho na contramão do mercado, pois a transição da motorização desses veículos já havia sido realizada.
A adaptação da outra fábrica, em que são montados os veículos Euro 6, foi realizada durante uma semana em janeiro.