Companhia vê três tecnologias convivendo em harmonia, incluindo motores a combustão
São Paulo – Até o fim da década a Volvo tem como meta global reduzir em 50% suas emissões de CO2. Em 2040 a intenção é chegar a 100% de redução e, dez anos depois, tornar-se uma companhia net zero, zero emissões líquidas, compensando o que não for possível reduzir. Como o mercado brasileiro é o segundo maior em volume de venda global, atrás apenas dos Estados Unidos, o papel da operação local é fundamental para que essas metas sejam alcançadas.
É preciso, portanto, acelerar o processo de descarbonização local, agora que a tecnologia Euro 6 está plenamente adotada e o Brasil, em termos tecnológicos e de emissões, está equiparado aos mercados europeu e estadunidense. No ano passado o presidente global, Roger Alm, esteve na Fenatran para anunciar o início dos testes com o FM Electric, seu cavalo mecânico com propulsão 100% elétrica.
A eletrificação, embora seja o mais visível e pronto hoje dentro da companhia, é apenas um dos caminhos traçados pela Volvo para reduzir suas emissões de carbono. O presidente da América Latina, Wilson Lirmann, disse que uma combinação de tecnologias permitirá que a empresa avance em sua agenda de descarbonização.
“Estamos muito bem posicionados em três linhas: a eletrificação, os motores de combustão interna com uso de combustíveis alternativos e a célula de hidrogênio. Tanto no Brasil como lá fora adotaremos este mix de tecnologias.”
Wilson Lirmann
Wílson Lirmann
Enquanto testa os FM elétricos em clientes selecionados – e pleiteia isenção de imposto de importação para os cavalos mecânicos eletrificados, como ocorre com os veículos leves e demais caminhões, para poder estruturar plano comercial da sua linha elétrica no País – a Volvo trabalha com alternativas que envolvem biodiesel, GNV e biogás para os motores a combustão. Além, é claro, da célula de hidrogênio.
Uma lâmina apresentada a jornalistas na quinta-feira, 16, durante entrevista coletiva de imprensa em que divulgou seus resultados na região, dá uma ideia do que a Volvo enxerga para o futuro do transporte de cargas: adoção de caminhões BEVs em aplicações urbanas, como coleta de lixo, construção e distribuição nas cidades, indo também um pouco para o transporte inter-regional. Nela há espaço também para a célula de combustível, bem como as longas distâncias pesadas, que farão um mix com os motores a combustão. Estes serão ainda usados nas operações de construção pesadas.
A visão da Volvo para uma combustão mais limpa no transporte de cargas
Soluções já disponíveis
Lirmann disse que rapidamente pode trazer para o Brasil tecnologias já disponíveis na Europa e nos Estados Unidos, como o caminhão BEV. A Volvo tem em seu portfólio caminhões GLP e modelos que operam com 100% biodiesel e o HVO. No caso do gás, ressaltou o presidente, o entrave é o mesmo do elétrico: falta de infraestrutura.
O primeiro passo, portanto, deverá ser o 100% elétrico, que já está em testes em clientes. A intenção do executivo é, nos próximos meses, conseguir estruturar o plano comercial para o modelo, que no primeiro tempo viria importado. Sua industrialização local é inevitável – mas Lirmann alerta para algumas particularidades:
“O Brasil precisará rever as regras de conteúdo local. Não será possível nacionalizar 100% de um caminhão elétrico pois há itens como as células da bateria que virão de outros mercados. Podemos fazer os packs aqui, mas temos que ter a consciência de que, no caso dos elétricos, o Brasil integrará uma cadeia global de fornecimento. O elétrico é diferente do caminhão a combustão”.