Volume supera em 25% o total desembolsado em 2024 e a projeção de ampliar o valor em até 15%
São Paulo – O Grupo Iveco gastará, ao longo deste ano, cerca de R$ 7,5 bilhões na aquisição de peças e componentes para a produção de seus veículos no Brasil e na Argentina. Deste valor 70%, ou R$ 5,3 bilhões, deverão ser injetados em fornecedores brasileiros. A informação é de Karel Novák, diretor de qualidade e operações para a América Latina do Grupo Iveco, em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo, em fevereiro. Natural da República Tcheca o executivo está no grupo há vinte anos, tendo passado por Iveco Bus e FPT e trabalhado na França, Itália e China.
A cifra supera em 25% o total gasto em 2024, R$ 6 bilhões. E também é maior do que a previsão feita um ano atrás, de que o volume de 2025 seria acrescido de 10% a 15%. Novák justificou o aumento baseado no crescimento do volume produzido nas quatro fábricas do Brasil e da Argentina, o que, segundo ele, se traduz em notícia positiva para os fornecedores:
“Tivemos um começo de ano muito bom, digamos assim. Desde este mesmo período do ano passado já vínhamos aumentando nossas perspectivas para 2025. Estamos satisfeitos porque os volumes de caminhões, powertrain e ônibus agora estão um pouco acima das expectativas”.
O executivo disse que pesa a favor o fato de que este ano a Iveco está entregando número significativo de ônibus, o que foi estimulado pela demanda do programa federal Caminho da Escola, em que a empresa conquistou a maior fatia da licitação.
O que está puxando a demanda por caminhões da marca Iveco em cenário de retração do mercado brasileiro? Novák apontou que, além de a empresa ter ganhado participação a demanda da Argentina está crescendo, o que fomenta tanto as exportações ao país vizinho quanto a produção local.
“No fim das contas os volumes tanto para nossas fábricas brasileiras quanto para as argentinas foram muito positivos. E isto nos ajudou a aumentar o valor das compras”, disse, ao ponderar que é preciso estar atento aos meses restantes de 2025, assim como as tendências para 2026 em ambos os países, devido às instabilidades econômicas.
Novo centro de distribuição deverá ajudar a elevar volumes
Sobre a manutenção do porcentual de 70% dos R$ 7,5 bilhões serem injetados na cadeia brasileira Nóvak afirmou ver mais oportunidades para a base de fornecedores nacionais no futuro, o que será reforçado pelo novo centro de distribuição a ser construído em Pouso Alegre, sul de Minas Gerais, e que, segundo ele, deverá ser inaugurado no verão do ano que vem. Hoje a Iveco utiliza CD compartilhado com a CNH em Sorocaba, SP.
“Decidimos que precisamos agir de forma independente, então o anúncio do novo depósito de peças faz parte da nossa estratégia para ganhar autonomia e, ao mesmo tempo, oferecer um serviço muito melhor aos nossos clientes.”
Estão sendo investidos R$ 93 milhões no espaço que, devido à menor distância de Sete Lagoas, MG, onde está a fábrica, trará maior fluidez à operação logística.
De acordo com o diretor, que não precisou um porcentual de nacionalização dos produtos Iveco, apenas são importadas atualmente tecnologias de powertrain: “Trazemos de fora alguns sistemas elétricos que são compartilhados pelas regiões onde a Iveco trabalha, uma vez que o mesmo trem de força é usado na Europa e na América Latina”.
Em alguns casos a montadora também importa componentes de alto volume de onde, em nível global, se mostra mais vantajoso em termos de custo.
“Além disto há algumas tecnologias que exigiriam altos investimentos, um Capex elevado, para serem localizadas.”
Novák avaliou que conforme a demanda caminhões movidos a biocombustíveis for avançando cresce a possibilidade de trazer novos fornecedores para esta base no próximo ano, uma vez que são produzidos motores a gás na América Latina.
A montadora conta hoje com 550 fornecedores, sendo 75% deles no Brasil.