São Paulo – Dentro de duas semanas Fernando Silva assume, oficialmente, novos desafios dentro da Volkswagen: é o sucessor de Roger Corassa, que deixa a empresa, na vice-presidência de vendas e marketing para a América do Sul. Tem a missão de dar continuidade aos bons resultados entregues pelo seu antecessor, dos quais ele mesmo dá a dimensão:
“Nos últimos três anos crescemos em volume o equivalente às vendas da Toyota”, afirmou, ao concluir que este ano serão vendidos 160 mil Volkswagen a mais do que o volume de 2022, ano em que assumiu a diretoria de vendas, cargo que deixará em 1º de outubro. “Nós faturamos, hoje, a produção do dia. É o sonho de toda montadora”.
Mais do que o crescimento de 10% nas vendas de modelos VW do acumulado de 2024 para o mesmo período deste ano, Silva destacou o bom desempenho da marca no varejo, o segmento que traz mais rentabilidade. No canal, que acumula recuo de 2,8% no geral, a Volkswagen cresce 15%.
“Todo mundo fala na invasão chinesa, mas a Volkswagen tem conseguido bons resultados diante do mercado que está ficando mais competitivo. É uma junção de diversos fatores: engajamento da companhia, da rede e bons produtos, que nos colocam em posição de destaque em todos os segmentos do mercado.”
Cita como exemplo o Tera, mais recente lançamento, que ainda não está com as entregas equalizadas. Silva confessou que o plano de ramp up da produção em Taubaté, SP, foi acelerado para conseguir atender à demanda. Calcula que serão vendidos cerca de 50 mil unidades do SUV até dezembro: “É um volume que coloca o carro no Top 3 do mercado. E ele puxou vendas de outros modelos, como o Nivus e o T-Cross”.
Engajamento
Outro fator decisivo para o bom desempenho, segundo Silva, é o engajamento interno. Segundo ele todas as áreas estão focadas no resultado: “Todo mundo aqui sabe que pode ajudar a vender carro, que pode contribuir para crescer esta participação. E se dedica a isso, levanta a bandeira de fazer negócio. Cada 0,1 ponto a mais de participação importa”.
O próprio diretor de vendas tem agenda semanal com o CEO Ciro Possobom, em reuniões nas noites de segunda-feira, quando todo o plano é revisto e ajustado: “Não temos zona de conforto dentro da Volkswagen. Nos desafiamos todos os dias”.
Com a rede também existe sintonia e trabalho de dados, segundo Silva: “Quando identificamos que há menos conversão que o previsto, conversamos para entender a razão. O nível de pormenor em que entramos não existe na indústria local”.
Liderança no futuro?
Todo o trabalho tem um objetivo que, segundo o novo vice-presidente de vendas e marketing, será natural: a liderança do mercado brasileiro. “A liderança é uma consequência de todo esse trabalho que vem sendo feito, que tem se mostrado eficaz.”
Para chegar a ela, porém, ainda existem peças que chegarão ao portfólio nos próximos meses. Uma delas é a picape que sairá das linhas de São José dos Pinhais, PR, na qual Silva aposta suas fichas, mesmo mantendo ainda o mistério com relação a posicionamento. É um segmento no qual a atual líder Fiat domina com a Strada e a Toro e a Volkswagen vem conquistando bons resultados com a Saveiro, ainda que esteja mais defasada do que a concorrência.
A sucessora da Amarok, que será produzida na Argentina com base na chinesa SAIC Maxus Starcraft X, é outro ingrediente importante para que a receita da liderança saia do forno.
A expectativa é que as duas estejam no mercado em 2027. A consequência, portanto, passa a ter um esboço de prazo no horizonte.