São Paulo – Era só uma questão de tempo, como ressaltou Igor Calvet, presidente executivo da Anfavea, que há meses vem apontando para a tendência. Em janeiro foram emplacados 16,8 mil veículos produzidos na China no mercado brasileiro, 61,5% acima do registrado no primeiro mês do ano passado. Superaram os importados da Argentina, 13,4 mil, recuo de 30,7%.
No total os importados somaram 38 mil unidades emplacadas, 3,3% abaixo do volume de janeiro de 2025 e 29,6% a menos do que em dezembro. Responderam por 22,3% do total de emplacamentos de veículos leves, porcentual só inferior ao de janeiro do ano passado, quando representaram 23%.
Calvet lembrou que as importações de Argentina e México, país com o qual o Brasil mantém relação comercial bilateral, muitas vezes incluem algum conteúdo local, como peças produzidas aqui e que equipam os veículos. No caso da China, porém, é só conteúdo importado.
Não é de se espantar uma vez que já são onze marcas de origem chinesa presentes no mercado brasileiro. Ainda são importados da China veículos Ford, Volvo e Chevrolet. A tendência, porém, é de haver uma substituição de parte do volume, pois BYD e GWM já começaram a produzir no Brasil e tendem reduzir as importações.
Mas ainda existe bastante coisa em estoque: calcula a Anfavea que das 359,4 mil unidades nos pátios das montadoras e concessionárias, 210,6 mil sejam importadas. Suficiente para suprir 172 dias de vendas.
Balanço de janeiro
Os emplacamentos totais recuaram 0,4% no mês passado, para 170,5 mil unidades. Mas, na média diária, que chegou a 8,1 mil veículos por dia, o mercado registrou avanço de 4,3%.
O segmento de leves registrou crescimento de 1,8%, somando 162,9 mil unidades. O que puxou para baixo o mercado foram os caminhões, 6,4 mil unidades e recuo de 31,5%, e os ônibus, com queda de 33,9%, para 1,2 mil unidades.