O presidente e CEO Mauro Correia conversou com exclusividade com o Agência AD Entrevista e contou mais sobre a inédita parceria com o grupo chinês
São Paulo – Um acordo esperado, mas inédito na indústria automotiva nacional, foi oficializado na semana passada: a HPE será a responsável pela produção de veículos GAC na fábrica de Catalão, GO, bem como por toda a logística de distribuição. A diretoria da empresa chinesa continuará com a decisão estratégica de produtos e comercial.
Parte dela será agora ocupada pelos chineses, que prometem produzir 50 mil unidades a partir de 2027. Os modelos ainda não foram definidos e, segundo Correia, ainda existe muita coisa a ser azeitada até o início da operação.
Uma coisa ele procurou deixar claro: a operação em nada tem a ver com a Mitsubishi, marca que a HPE é responsável pelo comercial, produção e distribuição. Apenas a fábrica será dividida.
Correia conversou com Agência AD Entrevista logo após o anúncio oficial da parceria e você pode acompanhar parte da entrevista abaixo:
Como foi a negociação para a parceria com a GAC? Quanto tempo duraram as conversas?
Conversamos há mais de um ano. Não foi um prazo longo, foram discussões bem produtivas, porque não é só decidir que fará a manufatura, existe muita coisa por trás. Como você desenha a fábrica, o que cabe lá dentro, a logística disso e daquilo, são muitos os pormenores. Nós vamos ter economia de escala também com a logística, usar os mesmos fornecedores, as mesmas rotas.
Por onde os carros chegam?
Por Santos.
Qual a diferença da parceria da GAC e HPE com a da Caoa e da Chery ou Changan ou da GM com a Comexport?
Não é uma parceria de participação, como em outras empresas daqui. Acho que, no Brasil, é a primeira parceria do tipo: estamos falando de uma empresa que tem toda a sua tecnologia na China, veio para o Brasil vender seus produtos e nós, como HPE, não fazemos e não faremos parte disso. É uma parceria de operação industrial. Temos, há 28 anos, uma operação consolidada que produz veículos com qualidade, que tem tecnologia e que é reconhecida no mercado brasileiro. E agora passamos a produzir veículos para a GAC.
Os veículos serão montados em linhas diferentes na fábrica?
São processos diferentes, produtos diferentes. Todo carro tem sua própria carroceria, sua plataforma, este tem que ser exclusivo dos veículos GAC. Mas a pintura, por exemplo, será compartilhada com os veículos atuais. A montagem final ainda estamos definindo onde será a melhor posição dentro da fábrica.
Neste primeiro momento será montagem de CKD ou um processo completo?
Somos uma montadora. Nossa fábrica tem body shop, tem pintura, não é uma montagem de CKD, e a GAC fará uso desta estrutura. Você não consegue pegar um carro desmontado, trazer o kit para o Brasil e montar lá. A nossa fábrica de Catalão não faz isso. Terá uma parte também de peças locais, que vamos desenvolver.
Fábrica da HPE em Catalão. Fotos: Divulgação.
Já em 2027 os carros fabricados em Catalão terão algum conteúdo nacional?
Nós vamos definir em conjunto o que será feito na fábrica. Mas essa questão de fornecedores, conteúdo local, quem decide é a GAC.
Mas vocês podem indicar fornecedores?
Veja, tudo que tem relação com a operação industrial nós vamos participar. Se for discutir a nacionalização de algum item, vamos ajudar, mas quem tomará a decisão se será fornecedor A, B ou C, será a GAC.
Haverá cooperação das engenharias?
Os carros já estão desenvolvidos pela GAC. Nós temos a nossa engenharia, podemos cooperar, mas a parceria envolve a operação industrial.
Qual será a capacidade de produção da GAC?
A fábrica tem a sua capacidade. Hoje é limitada para 120 mil unidades por ano porque nossa cabine de pintura pode fazer 120 mil unidades por ano. O resto é discussão de demanda, ainda não tem nada fechado.