GM retoma produção com foco no Tracker

São Paulo – A General Motors retomou parte de suas operações na segunda-feira, 18, após quase dois meses sem produzir veículos no Brasil. O foco, informou a empresa em comunicado, é ampliar a oferta do SUV Chevrolet Tracker em São Caetano do Sul, SP, lançado nos primeiros dias da quarentena e que tem registrado bons resultados e procura.

 

A decisão representa um adiantamento do cronograma: quando acertou a aplicação de lay off com seus trabalhadores, pioneira dentre as montadoras locais, a GM sinalizou o retorno para junho.

 

A produção retorna apenas com o primeiro turno da fábrica de São Caetano neste momento, com protocolos rígidos de segurança que tomam por base experiências importadas de outras operações da GM, como na China e na Coreia do Sul, e envolvem medidas como medição de temperatura corporal, uso de máscaras de proteção facial, reforço na higiene e distanciamento social.

 

Estes protocolos, disse o vice-presidente da manufatura Luiz Peres, já foram testados pelas equipes que consertam respiradores nas fábricas. “Por isso estamos muito seguros de que as medidas tomadas são eficazes e que estamos oferecendo o melhor ambiente de trabalho para os nossos empregados”.

 

A produção de veículos será mantida em paralelo com outras atividades na unidade do ABCD paulista iniciadas na pandemia: o conserto de respiradores e a linha de produção de máscaras de proteção. Desde a semana passada a produção de motores em Joinville, SC, foi retomada, mas ainda não há prazo definido para o retorno das demais fábricas de Mogi das Cruzes e São José dos Campos, SP, e Gravataí, RS.

 

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Waze nota aumento no tráfego de março a maio

São Paulo – Pesquisa feita pela Waze mostrou que o número de motoristas circulando nas ruas brasileiras está crescendo semanalmente durante período de isolamento social. Os dados apuraram o tráfego de fevereiro a maio

 

No Brasil houve aumentos de 4% no número de quilômetros dirigidos nas semanas de 20 a 26 de março e de 27 de abril a 3 de maio. Em São Paulo o aumento foi de 3% no período de 20 a 26 de março e 6% de 27 de abril a 3 de maio.

 

Foto: Roberto Parizoti/Fotos Públicas.

Localiza também ajusta ritmo de compra de veículos

São Paulo – Mais uma locadora de veículos pretende ajustar o ritmo das compras de veículos novos das montadoras: ao divulgar e comentar os resultados do primeiro trimestre na sexta-feira, 15, a Localiza sinalizou à frente um período de preparação aos efeitos da pandemia de covid-19 na economia.

 

A primeira medida de um pacote de redução de custos é reestruturar a frota de modo a equilibrar as entradas e saídas dos ativos, mas sem fazer uso da redução de preço dos veículos, segundo Mauricio Teixeira, diretor de relações com investidores: “Não temos a necessidade de vender os veículos seminovos a qualquer preço, já vínhamos ajustando os valores de depreciação”.

 

A frota total da empresa até março era composta por 325,1 mil veículos nas unidades de locação, gestão de frotas de empresas e nas unidades franqueadas. O volume é 31,3% maior do que o registrado no mesmo período no ano passado.

 

A venda de veículos, no período, foi de 40,8 mil unidades, 10,5% a mais do que de janeiro a março de 2019. A compra de veículos das montadoras aumentou 4,6%, somando 38,3 mil unidades. O resultado poderia ter sido melhor, de acordo com a empresa, não fosse o fechamento das lojas ocorrido como medida de segurança contra a pandemia — estimam perda de 10 mil veículos.

 

O balanço do primeiro trimestre mostrou receita líquida de R$ 2,7 bilhões, alta de 17,7% sobre o primeiro trimestre de 2019. O lucro líquido no período saltou 9,5%, chegando a R$ 230,9 milhões. A receita líquida da divisão de seminovos foi de R$ 1,6 bilhão, valor que representa alta de 12,7%.

 

A Localiza fechou seus pontos de vendas a partir de 23 de março. A partir daí iniciou processo de reabertura gradual por meio de decretos municipais. Até maio, das 528 lojas da rede de alugueis, 127 estavam fechadas, 355 funcionando normalmente e 46 com funcionamento restrito. No caso das lojas de seminovos, das 124 lojas da rede, 46 estavam fechadas, 38 funcionando normalmente e 40 com funcionamento restrito.

 

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Montadoras aceleram as vendas digitais

São Paulo – A pandemia de covid-19 acelerou o avanço das montadoras às vendas digitais, maneira encontrada para alcançar os clientes e fechar negócios em cenário de isolamento social. A tendência, agora, é que essa modalidade ganhe participação nas vendas de veículos 0 KM. Nas últimas semanas novos canais de vendas com toda, ou quase toda, a operação realizada de maneira remota, foram anunciados por diversas marcas.

 

A BMW traçou em três semanas o plano de inauguração de uma loja no Instagram, a primeira do segmento premium, aqui, a explorar esse canal de negócios. Jorge Júnior, seu head de marketing, disse que diante do novo cenário a rede já está mudando a mentalidade de trabalho e entendendo que é necessário valorizar as vendas online. Poucos dias depois a empresa inaugurou uma loja no Mercado Livre, canal no qual a Chevrolet também decidiu ingressar e onde iniciará as vendas do novo Tracker nas próximas semanas. Hermann Mahnke, diretor de marketing da empresa, disse que a novidade é um passo importante em direção à digitalização das vendas.

 

Outras montadoras decidiram apostar em canais próprios, como a Hyundai e a Caoa Chery. A primeira, em parceria com a Abrahy, a entidade que representa seus concessionários, lançou o Hyundai Express, serviço digital para a venda dos modelos Creta e HB20 de maneira totalmente remota, dividido em seis etapas: montagem do veículo pela internet, atendimento virtual via aplicativo de mensagem e vídeo-chamada, agendamento de um test-drive em domicílio, avaliação online do veículo que será dado na troca, simulação de financiamento e entrega na casa do cliente, seguindo as normas de segurança.

 

O Hyundai Express é um dos fatores que motivou a antecipação da retomada da produção em duas semanas na fábrica de Piracicaba, SP: as linhas voltaram a operar para atender às demandas online e das concessionárias localizadas em estados que autorizaram o seu funcionamento. Angel Martinez, vice-presidente comercial da empresa, disse que a plataforma é uma resposta aos desafios do cenário atual.

 

O Caoa Chery Virtual foi lançado no fim de março, mas o nome engana, porque remete a uma negociação digital. O que acontece, nesse caso, é que o interessado entra em contato com uma central e agenda a visita do vendedor, que leva o carro até a casa do cliente para conhecê-lo e fazer test-drive, avalia o seu usado e simula condições de financiamento. Mesmo não sendo digital é um novo meio que a empresa encontrou para chegar até seus clientes durante a pandemia. Caso o interesse pelo veículo se converta em venda a negociação segue dessa forma.  

 

A Volvo Cars criou um site que simula o ambiente de uma concessionária e permite que o cliente ande pela loja e até visualize o interior dos veículos. O tour pela loja também incluiu realidade aumentada, no caso de alguns modelos, e caso haja interesse de compra o cliente pode entrar em contato via WhatsApp ou chat online com o vendedor, ou pela central telefônica. A novidade é global e em outros mercados a empresa possui ações parecidas.

 

Novas modalidades online de fazer negócios também chegaram segmento de caminhões. A Volvo está promovendo a segunda ação de venda de veículos seminovos online, por meio do seu site, no qual os clientes encontram disponíveis 320 versões de caminhões. Depois de escolher o modelo  a negociação pode ser feita de três formas: contato via WhatsApp ou telefone com a central de vendas e o preenchimento online da intenção de compra – nesse caso o cliente aguarda o contato do vendedor depois de enviar a proposta. 

 

Nos estados em que as revendas têm autorização para funcionar algumas marcas de automóveis e máquinas agrícolas como BMW, Fendt e New Holland divulgaram que os vendedores estão apresentando os produtos no showroom à distância para os clientes, por meio de videoconferência. 

 

Eventos no padrão conhecido como novo normal, com quase tudo sendo feito de maneira remota, também entraram na pauta das montadoras. A Chevrolet não tirou o pé do acelerador e realizou o seu lançamento mais importante do ano dessa forma, com delivery do veículo para alguns jornalistas testarem. A Audi também seguiu esse caminho e apresentou o e-tron, lançamento importante, seu primeiro elétrico. 

 

As empresas do segmento agrícola, que já atendem aos clientes de maneira remota, também pensam em como seguir com seus lançamentos nos novos padrões e a primeira marca a se arriscar foi a Fendt, com a apresentação da linha de tratores 900 Vario.

 

AutoData também aderiu: criou a Webcon, uma série de conversas online com líderes do setor automotivo, e fez sua primeira live. Os eventos também caminham para o ambiente virtual, como o Workshop de Máquinas Agrícolas, marcado para segunda-feira, 18.

 

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Alaskan será produzida na Argentina até dezembro

São Paulo – A picape Renault Alaskan começará a sair das linhas da fábrica Santa Isabel, em Córdoba, Argentina, até o fim do ano. A companhia, enfim, confirmou na sexta-feira, 15, a produção da picape de 1 tonelada.

 

O projeto original previa produzir, na mesma unidade, as picapes Nissan Frontier, Renault Alaskan e Mercedes-Benz Classe X. Em julho de 2018 o modelo da Nissan começou a sair das linhas argentinas – e parou por aí.

 

A Daimler cancelou sua participação e a Renault deixou a decisão em banho-maria.

 

 

Em comunicado a Renault Argentina afirmou que “este marco é o resultado da colaboração de todos os setores interessados no projeto, como parceiros, fornecedores, revendedores, colaboradores e sindicato”.

 

Pablo Sibilla, presidente e diretor geral da Renault Argentina, disse no comunicado que a unidade de Santa Isabel será referência regional na produção de veículos comerciais leves: “Este foi o perfil que definimos para este centro industrial que em 2020 completa 65 anos ininterruptos de trabalho. Vamos para outros 65 anos de sucesso, confirmando mais uma vez a aposta da Renault no desenvolvimento industrial do país”.

 

Na fábrica são produzidas também as versões utilitário e passageiro do Kangoo e a renovada gama de Sandero, Logan e Stepway.

 

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O que a indústria automotiva tem a aprender com a de TI

São Paulo – Os recursos digitais que elevaram a outro patamar a manufatura no setor automotivo, sobretudo a partir da intensificação dos investimentos em linhas 4.0, não restrigem a mudança da cultura empresarial na esfera técnica com a adoção de novos processos. Ela também deve provocar alterações na maneira como as empresas interagem com a necessidade de desenvolver produtos de ponta e com a cadeia de fornecedores.

 

O ponto de vista é proposto pelo estudo Construindo uma Liderança Automotiva à Prova de Futuro, desenvolvido pela empresa de recursos humanos Russell Reynolds Associates. Construído com base em pesquisa que ouviu treze executivos sêniores do setor automotivo, o que se pode depreender do levantamento é que essa indústria, com o avanço da tecnologia, precisa incorporar em seus quadros filosofia mais flexível acerca da tecnologia.

 

“Não apenas no Brasil, mas no mundo todo, as empresas do setor automotivo demoraram um pouco para entender que é o momento de abrir o modelo de gestão para um contexto no qual as ideias, mudanças e decisões acontecem de forma mais dinâmica", disse Tatyana de Freitas, consultora da Russell Reynolds. "E é o momento de fugir do modelo tradicional no qual a indústria automotiva foi concebida.”

 

A premissa é a de que, com o avanço da tecnologia na manufatura e nos veículos, o setor também precisa evoluir na gestão tal qual empresas de TI. O estudo mostra que até 2030 a aplicação de software em automóveis saltará de 10% para 30%, um cenário que, segundo a consultora, deverá imprimir um novo modo de ver o mercado por parte das montadoras e sua cadeia de fornecedores:

 

“O movimento mais recente no setor é a proximidade de startups para entender de forma mais rápida como ocorrem as transformações no mercado. No entanto de nada adianta apostar em aquisições sem absorver aquilo que as empresas de tecnologia tem de melhor, que é o modelo flexível de gestão e a capacidade de reação rápida às mudanças e aos erros. Hoje não é possível apenas focar no desenvolvimento de produtos: é preciso considerar outros fatores. O consumidor hoje é quem está no centro do negócio”.

 

Nesse sentido há o que se aprender com as startups. Em primeiro lugar buscar os melhores profissionais e criar um ambiente que possa retê-los na companhia. E eles, segundo a consultora, existem no País: “A carreira é vista de outra forma pelos profissionais. Hoje as preferências são outras, não estão apenas focados em possibilidades de trabalho estável. Daí a importância da área de recursos humanos no contexto de transformação de uma indústria tradicional”.

 

O estudo traça um cenário comparativo em que espelha os perfis da indústria automotiva com o da indústria de software, considerada referência em termos de gestão de negócios e talentos. Em uma escala de zero a 7 as empresas de TI são consideradas mais disrruptivas, 6,5, do que as do setor automotivo, 5,8, em termos de construção de planejamentos. Assumem mais riscos, 6,3, do que as empresas do setor automotivo, 5,2, em termos de execução.

 

As contratações futuras, aponta a pesquisa, se darão em campos tradicionalmente alheios ao setor automotivo, mas que vem ganhando corpo a partir da adoção da manufatura digital: tecnologia veicular, digitalização, telemática e internet das coisas, conceito difundido no mercado sob a sigla IoT.

 

No futuro da indústria automotiva, projeta a consultora, a subsidiária da multinacional ganhará papel ainda mais relevante com relação às matrizes. O modelo de espelhamento regional de decisões tomadas no Exterior deve perder espaço para um cenário de fábricas conectadas em rede. Seria uma mudança drásticas considerado o fato de que, pelo menos na engenharia, as operações no Brasil tem se tornado menos presentes no desenvolvimento de produtos, com as equipes asiáticas, por exemplo, assumindo protagonismo por causa de uma série de fatores, principalmente custo.

 

“A cultura que chamamos de estrutura fluida deve existir nas duas pontas porque cenários são compartilhados, ainda que sejam mercados diferentes. A matriz, permitindo isso, acelera a modernização em sua subsidiária, geralmente focada mais na execução de planjamento global e produção.”

 

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BYD entrega quinze ônibus elétricos na Espanha

São Paulo – Quinze novos ônibus 100% elétricos da BYD foram entregues em Madri, Espanha, e integrarão o sistema municipal de transporte da cidade. Esse foi o primeiro negócio da montadora com a maior operadora do transporte público local, a EMT Madrid.

 

Os veículos substituirão outros quinze da frota que possuem motor movido a diesel e ajudarão na redução de emissão de CO2.

Renault reduz jornada e dispensa temporários

São Paulo – A Renault e o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba se acertaram e concordaram com a flexibilização da jornada de trabalho no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, PR, após tentativa de acordo sem sucesso no mês passado. Segundo a companhia a jornada pode ser reduzida em até 70%, dependendo da necessidade de cada fábrica do complexo, mas os salários serão pagos integralmente: a Renault completará a diferença do valor pago pelo governo, definido pela MP 936.

 

O acordo vale, inicialmente, por trinta dias a partir da segunda-feira, 18, e pode ser prorrogado por mais trinta. Segundo o presidente Ricardo Gondo “estamos passando por uma crise sem precedentes. Não há um manual a ser seguido, e todos os dias temos que buscar soluções para enfrentar essa pandemia”.

 

Outra medida tomada foi a dispensa de trezentos funcionários temporários: seus contratos ou não serão renovados ou terão seu encerramento antecipado: “Não é uma decisão fácil”, afirmou Gondo em vídeo divulgado aos funcionários. “A não renovação dos contratos não é por qualquer problema de desempenho dos colaboradores, mas é em função de uma necessária adequação da nossa produção ao mercado”.

 

A Renault oferece condições especiais aos dispensados, como pagamento de 100% do período faltante do contrato – quando a lei prevê apenas metade –, extensão de plano médico por três meses, inclusão em banco de talentos para futuros processos seletivos e programa de reorientação para recolocação no mercado.

 

As fábricas de São José dos Pinhais, que produzem Captur, Duster, Kwid, Logan, Sandero, Stepway, a picape Oroch e o utilitário Master, além de motores e componentes, ficaram paradas 41 dias. No período a Renault lançou mão de férias coletivas, banco de horas e antecipação de feriados, dentre outras medidas.

 

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Projeção para queda na produção este ano chega a quase 40%

São Paulo – O aprofundamento da pandemia da covid-19 e a perspectiva cada vez mais distante de um relaxamento nas medidas de isolamento no Brasil, considerando a curva de crescimento de novos casos – e a opinião de especialistas em ciências –, deixam as análises de consultorias especializadas no setor automotivo mais pessimistas. A mais recente da Carcon Automotive estima queda de 38% na produção de veículos leves com relação ao volume de 2019.

 

As fábricas brasileiras, diz a consultoria, sofrerão impacto, também, da queda nas vendas na Argentina e em outros países da região. Na Colômbia o mercado recuou 99% e no Peru as vendas foram zero em abril.

 

O mercado brasileiro chegaria a algo como 1,6 milhão a 1,8 milhão de unidades, queda de 35% a 38%, segundo a Carcon. No primeiro quadrimestre do ano a queda foi de 27%, de acordo com a Anfavea, para 613,7 mil veículos.

 

Para 2021 a expectativa é de recuperação, com elevação de 32% com relação ao resultado projetado para este ano.

 

“Este cenário assume o controle da pandemia em níveis satisfatórios a partir de setembro”, informou comunicado da Carcon. “Mas inclui também o efeito na queda da confiança do consumidor, que também será retomada gradativamente, e um possível impacto da falta de coordenação política nas medidas protetivas contra a pandemia.”

 

O presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Philipp Schimer, afirmou que a confiança do brasileiro só retornará quando a crise de saúde for controlada. Também criticou, a exemplo de Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, a condução do governo na crise e cobrou coordenação das esferas federal, estaduais e município no combate à pandemia.

 

Internacional – Para o mercado global a Carcon, que tem parceria com a LMC Automotive, mantém projeções de 20% a 22% de queda com relação a 2019, somando 70 milhões de veículos. A Europa colabora com 28% do total desta queda, seguida pela América do Norte, com 20%, e a China, com 16%. A América Latina responderá por 7% da queda global na venda de veículos, mas com um total de 38% de recuo – países em desenvolvimento sentirão mais, avaliam a Carcon e a LMC.

 

“Assumindo um cenário-base de volta gradativa das compras a partir do segundo semestre”, diz a consultoria. “Há outros cenários possíveis dependendo de como será esse retorno na realidade ainda incerta sobre o comportamento da pandemia.”

 

As consultorias avaliam que os países que levam a sério as medidas de contenção mostram resultados melhores na retomada – mas não citaram exemplos. Para 2021 projetam aumento de 16% com relação ao resultado de 2020.

 

Por fim a capacidade utilizada global, que era de cerca de 60% no ano passado, cairá para coisa de 47% este ano – o que, na avaliação das consultorias, deverá facilitar consolidações no setor.

 

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Movida suspende compras de veículos novos

São Paulo – A Movida diminuirá o ritmo das compras de veículos das montadoras nos próximos meses como parte do planejamento de reorganização do negócio, diante de período de incertezas e possibilidade de queda da demanda em duas das suas três fontes de receita: locação de veículos e venda de seminovos.

 

Na quinta-feira, 14, quando divulgou o balanço de sua operação do primeiro trimestre, o presidente Renato Franklin afirmou que, por ora, as compras de veículos estão suspensas e deverão ocorrer em prazo maior ao praticado nos últimos meses porque “há frota para três meses de vendas”. Segundo o balanço de janeiro a março a empresa registrou 119 mil veículos em sua frota.

 

A companhia pretende tornar sua operação mais enxuta, tanto que, afora a suspensão da renovação de frota, houve fechamento de quinze pontos da sua rede, sendo doze de aluguel de veículos e três de vendas de seminovos. Houve também, segundo o executivo, reforço do caixa e renegociação de contratos com fornecedores.

 

O balanço divulgado mostrou que o caixa da companhia em 30 de abril – a empresa divulgou também uma prévia do seu desempenho no início do segundo semestre – era de R$ 1,1 bilhão. A dívida líquida, por sua vez, era de R$ 2 bilhões, que foram renegociados com fornecedores, montadoras e bancos.

 

O conjunto de medidas, mais do que uma resposta ao cenário adverso provocado pela covid-19 na economia, trata de um processo denominado como redesenho do modelo de negócio, disse o diretor financeiro Edmar Lopes Neto. Tornar a estrutura da empresa mais enxuta significaria criar novos produtos, alianças e apostar em canais digitais de vendas.

 

“Estamos diante de um novo cenário e temos de reescrever tudo o que foi feito até agora”, disse o executivo durante divulgação dos resultados. Tanto ele quanto o presidente da companhia evitaram pormenores a respeito da reescrita. Mas foi dito, no entanto, que produtos dedicados para motoristas de aplicativos e novos serviços que utilizam veículo como plataforma estão em testes.

 

"Acreditamos muito no carro por assinatura, ainda que o motorista de aplicativo represente um negócio importante. Vai ser o maior negócio das locadoras no futuro, é um leasing melhorado com a oportunidade de explorar mais serviços”, disse o presidente. “O momento vai nos aproximar das montadoras com a criação de novos produtos.”

 

A Movida registrou receita líquida total de R$ 1 bilhão no primeiro trimestre, alta de 19,6% sobre aquela registrada em igual período no ano passado. Desse total R$ 559,2 milhões tiveram como origem a venda de ativos, e os R$ 452 milhões restantes obtidos com os negócios envolvendo aluguel e gestão de frota. O lucro líquido no período foi de R$ 55,1 milhões, alta de 31%.

 

O volume de veículos vendidos pela unidade de seminovos da companhia somou 14,1 mil unidades até março, 10,7% a mais do que no primeiro trimestre de 2019. O preço médio por veículo vendido cresceu 13% ante os três primeiros meses do ano passado, chegando a R$ 41,4 mil.

 

Com o foco agora nas transações online, pois as lojas seguem fechadas por decretos municipais, a empresa afirmou que em abril foram vendidos mais de 3,5 mil veículos pelo meio digital. A expectativa para o desempenho comercial em seminovos, em maio, é maior, de acordo com Renato Franklin: “Venderemos mais carros em maio do que em abril. Tivemos de baixar os preços para poder ter um resultado melhor no período”.

 

Espaço – Dentre os produtos que a empresa aposta para melhorar seu desempenho comercial durante a pandemia está a oferta de serviço baseado no modelo pagamento por uso. O presidente Renato Franklin disse que a oferta é uma forma de reter os motoristas na base de clientes – com o menor tráfego nas cidades, motoristas de aplicativos viram as receitas com corridas caírem, o que levou parte deles a devolver os veículos.

 

O modelo de pagamento por quilômetro rodado, assim, resolveria duas questões para a Movida. A primeira, a falta de espaço físico: “Se o motorista paga apenas pelo que usar, ele reconsidera devolver o veículo e o mantém em sua garagem, evitando que a empresa tenha também este custo”, disse Franklin. À Agência AutoData fontes disseram no começo do mês que locadoras estaríam às voltas com a busca de espaço para guardar os veículos devolvidos.

 

O pagamento por quilometragem, por fim, manteria alguma receita, ao contrário da entrega do veículo que, por outro lado, representaria maiores custos. A ação da empresa, listada na B3, fechou o dia com valorização de 9%, com o papel valendo R$ 9,35.

 

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