Ford sobe preços de carros nos Estados Unidos após tarifas de Trump

São Paulo – Os três modelos fabricados pela Ford no México terão seus preços reajustados nos Estados Unidos por causa das tarifas aplicadas pelo presidente Donald Trump. A montadora foi uma das primeiras a ajustar sua tabela de preços, segundo a Agência Reuters.

A picape Maverick, o Bronco Sport e o elétrico Mustang Mach-E terão reajustes de até US$ 2 mil em algumas versões. É o que consta em aviso enviado a concessionárias obtido pela agência de notícias.

A decisão se deu poucos dias após a empresa anunciar que os efeitos da guerra comercial de Trump adicionariam cerca de US$ 2,5 bilhões aos custos totais para 2025, e depois de suspender sua projeção de lucros anual.

Um porta-voz da Ford afirmou que os aumentos de preços afetarão os veículos fabricados após 2 de maio, que chegarão às concessionárias no fim de junho. Disse ainda que refletem as ações usuais de preços de meio de ano, combinadas com tarifas que estão enfrentando e que “não repassamos o custo total das tarifas aos nossos clientes”.

As tarifas de Trump desencadearam semanas de incerteza no setor automotivo, pois grandes montadoras nos Estados Unidos e na Europa reduziram suas previsões, mudaram a produção e fizeram com que empresas paralisassem fábricas.

Após semanas de resistência o presidente dos Estados Unidos suavizou suas tarifas sobre importações de autopeças estrangeiras para conceder às montadoras créditos pelo que é produzido localmente e evitar tarifas duplas sobre matérias-primas usadas na produção de automóveis.

No entanto o governo não revogou a tarifa de 25% sobre os 8 milhões de veículos importados anualmente.

Receita do Grupo BMW cai no trimestre, mas margem de lucro fica dentro do esperado

São Paulo — No primeiro trimestre de 2025 o Grupo BMW entregou 586,1 mil veículos premium aos clientes, leve recuo de 1,4% com relação aos primeiros três meses do ano passado, apesar da forte concorrência persistente na China. Em importantes mercados para a companhia, como Europa e Estados Unidos houve crescimentos de 6,2% e 4%, respectivamente.

Mais de um quarto destes veículos foram eletrificados, 27% ao todo, tendo os modelos 100% a bateria aumentado 32,4%. A margem EBIT no segmento automotivo, um dos principais indicadores de lucro da empresa, de acordo com ela própria, ficou em 6,9%, colocando-a no limite superior da faixa alvo de 5% a 7% para este ano. Em 2024 o porcentual foi 8,8%.

As receitas, de € 29,2 milhões, porém, ficaram 5,6% abaixo do mesmo período do ano passado.

O faturamento total do grupo no primeiro trimestre alcançou € 33,7 bilhões, queda de 8,7% em comparação a igual período no ano passado, o que foi atribuído ao mercado chinês altamente competitivo. O EBT, lucro antes de impostos, alcançou € 3,1 bilhões, recuo de 25,2%. A margem EBT neste período foi de 9,2%, enquanto que no mesmo período do ano passado foi de 11,4%. 

O lucro líquido do grupo no primeiro trimestre totalizou € 2 bilhões 173 milhões, diminuição de 26,4% frente ao período de janeiro a março de 2024.

As tarifas antissubsídios sobre veículos elétricos produzidos na China, introduzidas pela Comissão Europeia em outubro, aumentaram o custo das vendas, criando obstáculo na faixa de três dígitos de milhões de euros, conforme previsto pela companhia.

Para Oliver Zipse, presidente do Conselho de Administração da BMW AG, quanto mais desafiador o ambiente mais crucial é ter produtos atraentes, uma estratégia consistente e um alto grau de flexibilidade: “Nossa abordagem de tecnologia aberta continua sendo um fator-chave de sucesso: com nossos novos modelos e ampla gama de propulsores somos capazes de atender às diversas necessidades dos clientes em todo o mundo”.

Considerando apenas a marca BMW foram entregues 520,1 mil veículos de janeiro a março, 2% abaixo dos mesmos meses em 2024. A Mini, que atualizou sua gama de produtos ao longo do ano passado, vendeu 64,6 mil unidades, incremento de 4,1% no trimestre. A Rolls-Royce apresentou recuo de 9,4%, para 1,3 mil unidades.

Ram registra crescimento de 10% em abril

São Paulo – A Ram vendeu em abril 2,4 mil unidades, avanço de 9,5% na comparação com março. Com esse resultado a marca foi a décima-quinta mais vendida do ranking de automóveis e comerciais leves, de acordo com dados divulgados pela Fenabrave.

A Rampage, produzida em Goiana, PE, foi o modelo mais vendido, com 2 mil unidades emplacadas em abril. Este volume foi 9,4% maior do que o registrado em março e 13,2% acima do comercializado em abril do ano passado. 

De janeiro a abril a Ram também apareceu como a décima-quinta marca mais vendida de acordo com o ranking da Fenabrave, somando 8,9 mil unidades emplacadas. Nesse período a Rampage acumulou 7,2 mil vendas.

No segmento de picapes grandes, no qual a Ram oferta as 1500, 2500 e 3500, a marca encerrou o quadrimestre na liderança de vendas, segundo comunicado.

Nova versão

Durante a trigésima Agrishow a Ram apresentou a nova configuração da 1500, a Laramie Night Edition, com motor 3.0 biturbo de 426 cv de potência e acabamento exclusivo.

Mercado chileno reverte queda e cresce no primeiro quadrimestre

São Paulo – Após o fechamento de abril o mercado de automóveis e comerciais leves do Chile reverteu a queda registrada até março, com alta de 0,4% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2024. De janeiro a abril foram comercializados 97 mil veículos, segundo dados divulgados pela Anac, entidade que representa o setor automotivo local.

A recuperação foi puxada pelo bom resultado de abril, o segundo mês seguido de alta nas vendas, com 26,1 mil unidades, expansão de 2,5% sobre igual mês do ano passado. Com relação a março houve alta de 8,7%. 

No primeiro quadrimestre a Toyota liderou o mercado com 7,7 mil vendas, seguida de perto pela Suzuki que vendeu 7,6 mil. Em terceiro lugar ficou a Hyundai com 6,4 mil.

Pesados

O mercado de caminhões, que vive momento diferente e registrou crescimento desde o começo do ano, encerrou o primeiro quadrimestre com alta de 10% sobre igual período do ano passado e 4,1 mil unidades vendidas. Em abril as vendas somaram 1 mil caminhões, alta de 1,6% na comparação com o mesmo mês de 2024 e de 6,8% sobre março.

No segmento de ônibus as vendas de janeiro a abril chegaram a 750 unidades, alta de 4% com relação a idêntico meses do ano passado. Em abril foram vendidos 183, crescimento de 22% sobre abril de 2024 — na comparação com março houve queda de 11,2%.

Mobensani investe em tecnologia para seguir crescendo dois dígitos por ano

São Paulo – A história da Mobensani, que fabrica peças em metal borracha para suspensões em Guarulhos, SP, mostra que não há idade para empreender. E que a gestão familiar pode, sim, dar certo. O ano era 1987 e Amir de Azevedo, então sócio de grupo empresarial que incluía a Mobensani, com 1% do capital, ficou com a empresa, existente desde 1964, quando houve a cisão. Aos 50 anos de idade incluiu suas duas filhas no negócio e, após recalcular a rota do que seria produzido, optou por fornecer ao setor automotivo, e exclusivamente ao mercado de reposição.

38 anos depois a empresa, que há 15 cresce dois dígitos anualmente, busca ampliar em 27% seu faturamento, para R$ 500 milhões, a partir da fabricação de 25 milhões de itens em 2025, quando serão investidos R$ 25 milhões, principalmente em tecnologia, na aquisição de maquinários, a fim de deixar a fábrica em linha com a indústria 4.0.

Para os próximos dois anos o plano é dobrar a parcela exportada para 10% da produção e inaugurar novo centro de distribuição que acomode melhor os produtos e ofereça maior automação, o que está orçado em outros R$ 50 milhões.

Quem destacou os números e relembrou a trajetória a Agência AutoData foi Simone de Azevedo Franzo, diretora e sócia da Mobensani, hoje com 55 anos, que ingressou na empresa aos 19. Tudo começou em galpão alugado de 1 mil m² no bairro guarulhense de Cumbica. Da linha de metal borracha, carro-chefe dos dias atuais, havia apenas catorze itens. À época eram produzidas peças de bomba vibratória para puxar água de poço e borracha de freio de bicicletas.

Com o passar do tempo importante cliente verticalizou a fabricação de componentes da bomba e os chineses invadiram o mercado com os itens de ciclismo a preços competitivos, o que levou os Azevedo a redirecionarem a produção ao setor automotivo, ramo em que o pai tinha experiência profissional.

O portfólio então passou a cinquenta itens, posteriormente dobrou de tamanho, e a empresa mudou-se para São Paulo, em área de 2 mil m². Como o espaço não era horizontal e estava em área residencial, o retorno a Guarulhos não tardou muito.

Fábrica de peças em metal borracha para suspensão da Mobensani em Guarulhos, instalada em área total de 33 mil m². Foto: Divulgação.

Em 2005 a família adquiriu galpão em outro bairro, Bonsucesso, e alugou o terreno ao lado, em espaço ocupado até hoje, composto por área de 33 mil m², em que 3 mil variedades de itens são produzidas, como coxins de câmbio, coifas de amortecedor e buchas de suspensão que atendem ao aftermarket de carros de passeio, caminhonetes e VUCs.

E desde o ano passado, relatou a diretora, tornou-se crescente a preocupação com compliance, governança e sustentabilidade, o que motivou a reformulação da marca: “Hoje somos uma empresa alinhada com ESG. Este ano a Mobensani foi chancelada com o selo A+ pela Receita Federal, o que significa que estamos em conformidade com o pagamento de impostos e livre de problemas com a aduana. Isto dá credibilidade”.

Ela mencionou também iniciativas como o tratamento de resíduos e o que chama de sua menina dos olhos, o projeto Abraça Brasil, em que todos os meses um porcentual do faturamento é dedicado a instituições indicadas por clientes.

Motivada pela maior produtividade e também pela dificuldade de ampliar a mão de obra Franzo contou que a empresa, hoje com seiscentos profissionais e 32 vagas em aberto, tem focado no investimento para a aquisição de máquinas, como injetoras, scanner 3D, e de pintura – tudo importado de Taiwan.

No ano passado foram aportados R$ 23 milhões, quando a produção alcançou 20 milhões de unidades e o faturamento cresceu 23%. Para este ano é projetada a expansão de 27% na receita, para R$ 500 milhões, em meio a investimento de R$ 25 milhões e com o objetivo de fabricar 25 milhões de peças.

“O mercado de reposição no Brasil é único, é igual jabuticaba. Por este motivo só vemos crescimento para a Mobensani. E mesmo com o avanço da eletrificação nada muda no nosso faturamento, pois carros elétricos também têm suspensões e peças de borracha.”

Atual centro de distribuição da Mobensani está próximo de ocupar capacidade total, o que demanda novo espaço, previsto para 2027. Foto: Divulgação.

A empresa explora, ainda, a reposição na América do Sul, sendo que em torno de 5% do que é fabricado em Guarulhos é embarcado a países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Colômbia, Equador, Venezuela. O plano é dobrar o porcentual em dois anos, ao buscar também o mercado estadunidense:

“Nos Estados Unidos as peças são diferentes. Vamos desenvolver itens específicos para lá, pois desde a pandemia notamos maior procura por novos fornecedores”.

Com volume de lançamentos de cem a 130 peças por ano o centro de distribuição está ficando pequeno e, para tanto, Azevedo contou que está orçando a construção de novo armazém em área de 15 mil m², “com o máximo de automação”. Com investimento necessário de R$ 50 milhões plano é começar a construí-lo até 2027.

Ano de festa para a Yamaha

São Paulo – O ano é de festa para a Yamaha: a fábrica de Manaus, AM, completa, em 2025, 40 anos. No Brasil a empresa está há um pouquinho mais de tempo, chegou em 1970 e quatro anos depois começou a produzir em Guarulhos, SP, sua primeira unidade produtiva fora do Japão. De lá saiu a RD-50, a primeira motocicleta nacional.

Recentemente a companhia promoveu a reorganização de sua estrutura local ao transferir sua sede, que ainda estava em Guarulhos, para a Capital paulista, em um escritório no bairro Cidade Jardim:

“Não fazia muito sentido continuar lá: estávamos em uma fábrica que não era mais fábrica”, disse Rafael Lourenço, gerente de relações institucionais da Yamaha. “Mas Guarulhos tem um lugar especial no coração da Yamaha”.

A conversa com Lourenço marca o início da seção Agência AD Entrevista, com oferecimento da Stellantis. Todos os meses a Agência AutoData fará entrevistas de segmentos que não estão necessariamente no centro, mas são importantes para a cadeia automotiva. Começamos com o de motocicletas que já vem há anos registrando crescimento consistente.

Acompanhe os principais momentos da conversa com Rafael Lourenço, gerente de relações institucionais da Yamaha.

As vendas de motocicletas chegaram perto de 2 milhões de unidades no ano passado. A Fenabrave e a Abraciclo acreditam que deverão superar este volume pela primeira vez na história em 2025, que, até março, registrou quase 500 mil motocicletas vendidas. O que vem puxando as vendas da indústria?

O mercado vive um momento positivo desde antes da pandemia. Todo mundo caiu durante a pandemia e as vendas de motocicletas continuaram crescendo. E existem alguns fatores que puxam. Um deles é o preço do veículo de quatro rodas: o carro ficou caro no Brasil. Então você adquirir, fazer manutenção, abastecer um carro é caro. A motocicleta é uma alternativa mais econômica, o custo de aquisição é menor, a manutenção e o abastecimento também. Temos outro motivo que é o mercado de delivery no Brasil, e eu acho que por último, e não menos importante, é que a motocicleta caiu no gosto do brasileiro e também das brasileiras. São dados da Abraciclo: quando você pega a última década houve aumento de mais de 60% de emissões de habilitações A por mulheres e para homens na faixa de 30% a 35%. A gente que está aqui, em São Paulo, vê isso no dia a dia.

Quais faixas de mercado estão com melhor desempenho?

Quase 80% do mercado estão naquela faixa de 100 a 250 cm3 de cilindrada. É este segmento que continua crescendo quando a gente fala do mercado de delivery: a grande maioria das motocicletas vendidas para estes profissionais está dentro deste segmento. E tem o de scooters: a motocicleta caiu no gosto brasileiro e o scooter ainda mais. Antigamente você não tinha no Brasil um grande mercado, até culturalmente não fazia parte da cultura do motociclismo brasileiro. Sempre foi uma coisa muito mais da Ásia. Mas de 2015, 2016 pra cá isto vem mudando. Hoje a quantidade de scooters na rua é enorme.

Um dos importantes motores do mercado de motocicletas é o financiamento. Com o aumento da Selic, que já chegou a 14,25%, existe algum risco de desaquecimento nas vendas do segmento? Qual poderá ser o impacto na Yamaha?

Se você pegar o histórico da Selic desde 2022 ela está num patamar acima de 13%, bastante elevado. E apesar deste patamar elevado continuamos vendo o crescimento do mercado de motocicletas. Na prática, então, este aumento não tem afetado as vendas. Claro que estamos olhando para este aumento da Selic com cautela, o mercado é muito dependente do financiamento, mas o fato é que não tem impactado de forma tão significativa o mercado de motocicletas. 

Nos últimos anos a falta de chuvas na região de Manaus, onde está instalado o Polo Industrial de duas rodas brasileiro, chegou a afetar a produção. Como a Yamaha fez para contornar, ou minimizar, a situação? O que está planejado para 2025?

Em 2023 a seca foi a pior seca da história, até aquele momento, e pegou todo mundo no Polo Industrial de Manaus meio de surpresa. Algumas empresas pararam a produção. Não foi o caso da Yamaha, mas precisamos mudar as datas de férias coletivas e tivemos dificuldades para entregar o plano de produção. Acabou sendo um ano de aprendizado para todas as empresas do Polo. Mas aí veio 2024 e novamente a pior seca da história, bateu 2023. A diferença é que tínhamos aprendido as lições, não só a Yamaha: acho que todas as empresas do polo ajustaram seus modelos de negócio, consideraram um porcentual maior de transporte aéreo, geriram melhor o estoque, até aumentaram um pouco o nível para poder ter uma blindagem. Os portos de Manaus também aprenderam a lição, criaram estruturas flutuantes e levaram estas estruturas para o ponto do rio até onde o navio chegava. Muitas empresas daquele ponto dos portos flutuantes em diante já fizeram um transbordo, toda a parte alfandegária, parte de desembaraço e dali muitas vezes seguiam ou em balsas ou em rodovias. Em linhas gerais foi isso: arranjos logísticos, aéreos, entrou um modal rodoviário que talvez não houvesse antes, as autoridades também se ajustaram, algum aumento no nível de estoque e nos ajustamos à nova realidade.

Como está a operação industrial da Yamaha em Manaus? 

Em 2025 completamos 40 anos na Amazônia, é um ano de festa para nós. Temos uma operação lá muito grande, com capacidade instalada da ordem de 350 mil motocicletas por ano, sem ociosidade: a fábrica está rodando a pleno vapor. São quinze galpões, 125 mil m² de área construída, mais de 4 mil empregos gerados pela Yamaha. É uma operação em momento de crescimento.

Há alguma expansão planejada ou por enquanto trabalhará nesta capacidade?

Por ora trabalharemos nesta capacidade e, dependendo de demandas do mercado, avaliaremos internamente se será necessário expandir.

Nos países vizinhos do Brasil é forte a presença de motocicletas asiáticas, sobretudo das chinesas. Sabemos que a falta de harmonização regulatória é um dos motivos para que o produto brasileiro não seja competitivo na região, pois motos menos seguras e mais poluentes são vendidas em outros mercados, a preços mais baixos por terem menos tecnologia. Como a Yamaha tem feito para conseguir exportar? Quais são os mercados alvo?

O Brasil hoje tem uma das regulações de emissões mais sofisticadas do mundo, alinhada com o Euro 5 da Europa. Mas o mesmo não acontece em alguns países vizinhos e gera dificuldade, porque para estar em conformidade com o Promot 5 foi preciso fazer uma série de investimentos tecnológicos na linha de produção e no produto, que fazem com que a motocicleta fique mais cara. Mais tecnologia embarcada, mais custo. E o fato de os países vizinhos não terem essa obrigatoriedade faz com que as suas motocicletas sejam mais baratas. A solução é exportar para países da Europa, Estados Unidos, Canadá, Oceania.

No ano passado a Yamaha apresentou scooters eletrificadas. Qual é a visão de eletrificação da Yamaha para o segmento de duas rodas? E em que velocidade acha que chegará ao Brasil? 

A Yamaha assumiu um compromisso, já há alguns anos, de se tornar carbono neutro até 2050. Então existe uma corrida dentro da companhia para primeiro reduzir, cortar ao máximo as emissões, e quando chegar no limite começar a neutralizá-las. Dentro deste contexto vem a Neo’s, a primeira motocicleta elétrica da Yamaha no mercado brasileiro. Entendemos que a tecnologia elétrica é importantíssima para fazer esta transição para a economia de baixo carbono no segmento de transporte. A Yamaha acredita na eletrificação mas também em outras frentes tecnológicas, como por exemplo os motores de combustão a hidrogênio.

Quais são os planos no curto prazo para a eletrificação no Brasil? 

A produção da Neo’s já começou. Temos orgulho de fabricar esta motocicleta no Polo Industrial de Manaus. Lá cumprimos uma série de obrigações com o governo em termos de industrialização, então esta motocicleta precisará ter mais itens nacionalizados conforme for crescendo o volume de vendas. De toda forma a Yamaha acredita no mercado brasileiro em termos de eletrificação e quem ditará a velocidade do desenvolvimento deste mercado é o consumidor.

VW Caminhões e Ônibus apresenta novo portfólio a importadores

São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus realizou conferência anual com importadores em Buenos Aires, Argentina, a fim de reforçar plano de internacionalização e de apresentar seu novo portfólio ao Exterior. Segundo a companhia mais de cem profissionais estiveram presentes.

Foi apresentada a nova geração do Euro 5, ainda predominante na maioria dos seus mercados de exportação, assim como a do Euro 6, que além do México passa a estar disponível também na Colômbia. A empresa está ampliando a oferta de seus serviços internacionais, a exemplo do atendimento ao cliente em rota por meio do VolksAssistance via WhatsApp.

Em busca de fortalecer sua representação fora do Brasil programa especial de incentivo elabora ranking dos que tiveram melhor desempenho, sendo considerados pontos como excelência nos processos de venda e pós-vendas, melhoria contínua e crescimento sustentável.

Na sua terceira edição quem liderou a lista do Alta Performance foi a Diesa, do Paraguai, seguida pela Cemcol, de Honduras, e pela Julio César Lestido, do Uruguai.

Sindicato teme que fábrica prometida pela BYD em Camaçari não passe de centro de distribuição

São Paulo – Diante dos frequentes atrasos no cronograma da BYD em Camaçari, BA, que prometeu começar a montar seus carros após o Carnaval e postergou, inicialmente, para junho, o Sindicato dos Metalúrgicos local começou a se movimentar. Seu dirigente Júlio Bonfim afirmou temer que, dos 20 mil postos de trabalho prometidos pela companhia, apenas 5%, ou seja, 1 mil vagas, sejam criados. Em audiência na Câmara de Vereadores na segunda-feira, 5, ele levantou a questão: a unidade da BYD em Camaçari de fato fabricará veículos ou o local se tornará centro de distribuição com veículos semi-montados vindos da China?

À Agência AutoData Bonfim relembrou que a vice-presidente executiva da BYD, Stella Li, estimou que metade das 20 mil vagas de emprego seriam criadas ainda em 2025: “Neste ritmo não contratarão nem 1 mil até dezembro. Cada hora dizem uma data diferente para começar a montar os veículos. E acho difícil que o início da operação ocorra em junho”.

Stella Li estimou a geração, até o fim deste ano, de 10 mil postos de trabalho e, em 2026, de 20 mil. Mas, até o momento, há apenas 350 empregados. Foto: Thuane Maria/GOVBA.

O sindicalista contou que, atualmente, 350 profissionais trabalham para a empresa no País, dos quais 80% na área administrativa. Metade deste efetivo é de origem chinesa. Os 20% restantes, do operacional, estão até o momento fazendo treinamentos e aguardando, segundo ele.

O que mais preocupa a entidade são fatores como o aumento da importação, uma vez que a BYD já opera com quatro navios próprios, com capacidade atual de transporte de 26 mil veículos. E a partir deste ano nova rota, batizada de “dourada”, passa a encurtar o tempo de transporte de sessenta para apenas trinta dias da China ao Brasil. Até 2026 serão oito navios, podendo transportar 58 mil veículos.

“Daqui a pouco colocarão doze navios e dobrarão de novo o volume, para mais de 100 mil. Considerando que no ano passado foram emplacados 76 mil veículos da marca no Brasil, entende-se que o volume importado é capaz de suprir a demanda”, afirmou Bonfim. “Sem contar que, ao mesmo tempo, uma de suas três fábricas na China deverá ampliar sua produção dos atuais 545 mil veículos para 1 milhão/ano, ou seja, praticamente dobrará a quantidade. No ano passado foram comercializados, em todo o mundo, 4,2 milhões de unidades. Então, para quê investir em mais capacidade produtiva?”

Outro ponto que reforça o sinal de alerta é o fato de a companhia pedir ao governo a redução da alíquota do ex-tarifário dos atuais 20% para 10%, conforme mostrou com exclusividade reportagem da Agência AutoData: “Sabemos que um centro logístico é 90% automatizado e requer muito menos mão de obra. A impressão que passa é que a BYD deixará a fabricação para mais para frente e explorará a montagem em SKD, em que 70% do carro já vem pronto. Isso tudo nos assusta”.

O sindicato tem reunião marcada com a BYD para tratar dos salários das próximas contratações de operadores, que estão em fase de seleção. Enquanto isso parte da obra segue embargada após escândalos envolvendo trabalho análogo a escravidão, lembrou o sindicalista, ao citar o embargo do Ministério Público e a negociação de indenização por danos morais coletivos que partiu de R$ 250 milhões e que, agora, está em R$ 180 milhões.

“Esperamos que os governos municipal, estadual e federal se unam e façam uma interface com a empresa a fim de não permitir a redução dos empregos que nos foram prometidos para melhorarmos a renda da nossa região.”

Procurada, a BYD manifestou-se dizendo que mantém seu compromisso com a reindustrialização de Camaçari e o desenvolvimento sustentável do local. “Com investimento de R$ 5,5 bilhões, a fábrica terá capacidade inicial para entregar 150 mil veículos por ano.”

A operação terá início com a montagem dos veículos, assegurou a companhia, enquanto a unidade avança para a produção completa, com nacionalização progressiva dos modelos mais vendidos no Brasil. E reafirmou que “a estimativa é que sejam criados 20 mil postos de trabalho diretos e indiretos ao longo do projeto, consolidando a fábrica baiana como o maior polo industrial da BYD fora da China”.

Venda de veículos importados da Abeifa cresce 29% até abril

São Paulo – As vendas de veículos importados das dez associadas da Abeifa somaram 38 mil unidades de janeiro a abril, expansão de 28,8% sobre as 29,5 mil unidades de iguais meses do ano passado, de acordo com balanço divulgado pela entidade que representa as marcas importadoras.

Do total comercializado no primeiro quadrimestre os veículos eletrificados corresponderam por 35,4 mil unidades. Este volume foi 31,2% maior do que o vendido em iguais meses do ano passado. 

Em abril as vendas de veículos importados somaram 10,6 mil unidades, crescimento de 17,1% na comparação com idêntico mês do ano passado e avanço de 5,1% com relação a março.

Até abril a marca mais vendida foi a BYD, com 30,2 mil unidades. Em segundo lugar ficou a Volvo com 2,9 mil, seguida pela Porsche com 1,9 mil.

Vendas do Citroën Basalt batem recorde e puxam desempenho da marca

São Paulo – A Citroën alcançou 1,9% de participação de mercado em abril, o melhor resultado para o ano. O bom resultado foi puxado pelo volume recorde de vendas do SUV Basalt, que somou 2 mil emplacamentos, o décimo modelo mais comercializado no segmento dos B-SUVs.

Vendido em três versões o Basalt já é o modelo mais emplacado da Citroën no Brasil, representando 53% do total vendido pela marca em abril. Somando todos os modelos a Citroën emplacou 3,7 mil veículos no mês passado, e no ano as vendas somaram 12,8 mil unidades, com participação de 2,3%.