Foi o que avaliaram os executivos responsáveis por compras automotivas da Mercedes-Benz e da GWM durante Congresso Megatendências
São Paulo – Aderir a uma logística mais inteligente, contratar fornecedor que tenha escala e esteja mais próximo à linha de produção de veículos são tendências identificadas no setor automotivo para reduzir custos e elevar o valor do produto ao cliente. Foi o que afirmaram durante o Congresso AutoData Megatendências 2026 os executivos Matthias Kaeding, vice-presidente de compras e cadeia de suprimentos da Mercedes-Benz na América Latina, e Márcio Alfonso, vice-presidente de produção, manufatura e inovação da GWM.
Terceirizar a produção não significa, apesar da busca por diminuição de custos, que haverá maiores desembolsos logísticos. Usando o exemplo recente da Mercedes-Benz, que três anos atrás decidiu entregar a fornecedores externos a missão de fabricar alguns componentes, como o eixo dianteiro, a cargo da Suspensys, a medida possibilita à montadora, na avaliação de Kaeding, focar em seu negócio principal de integrar o produto na fábrica de São Bernardo do Campo, SP.
“O foco da discussão está também na agilidade. Com a terceirização estamos trazendo mais valor ao cliente, desde que o fornecedor consiga trabalhar com escala, pois ele é especializado em suas atividade principal de fabricar determinado componente.”
Matthias Kaeding, da Mercedes-Benz. Fotos: Bruna Nishihata.
Neste contexto de delegar algumas atividades a empresas competentes e que estejam perto da fabricante de veículos, a fim de tornar viável a logística, o nearshoring não necessariamente tem de ficar concentrado em uma empresa de cada ramo. Ao contrário, para Alfonso, o interessante é que haja mais de produtor homologado do mesmo componente a fim de diluir o risco.
No caso da GWM, que em agosto iniciou a montagem local em Iracemápolis, SP, embora grande parte das peças ainda seja importada, o plano é, o quanto antes, formar sua rede nacional de fornecedores. Com isto a companhia busca evitar a constante exposição ao câmbio, a demora e o custo das viagens de navios, que no trajeto da China para cá, sem intercorrências, leva mais de 45 dias.
“Precisamos diminuir estes prazos e estes custos”, disse Alfonso. “Queremos estudar caso a caso para ver o que faz sentido e o que não faz. O nearshoring é estratégico para evitar problemas de parada.”
Para ele é interessante trabalhar com fornecedores que têm a vivência em diferentes culturas, uma vez que parte significativa destas empresas é de multinacionais, e que é preciso apenas ter cuidado para que o ciclo de vida seja compatível para que atenda do início ao fim.
Márcio Alfonso, da GWM. Fotos: Bruna Nishihata.
Por isto o executivo da GWM ressaltou a necessidade de escolher com cuidado. Não faz sentido, por exemplo, que peças de grandes volumes, como sistemas de escapamento, para-choques e tanques de combustível, sejam transportadas de outro país. Sem contar que a nova parceria abre possibilidade para seguir com o desenho original ou lançar mão de algo novo, mas equivalente, desde que atenda à função, ao desempenho e ao custo competitivo.
“Trata-se de um trabalho extenso. E é sempre bom dividir e ter mais de um parceiro. Até porque nenhuma montadora é autossuficiente.”