Executivo da TIM Brasil destacou integração de redes, casos práticos e mudança no comportamento do consumidor no Congresso AutoData
São Paulo — A evolução da conectividade no setor automotivo passa menos por substituição tecnológica e mais por complementaridade de redes. Essa foi a avaliação de João Paulo Pereira, gerente de soluções e BD IoT & 5G da TIM Brasil, ao discutir o papel do 5G na nova arquitetura digital da indústria durante o Congresso AutoData Megatendências 2026, em São Paulo.
“A ideia não é que o 5G sobrescreva ou substitua o 4G. Basicamente elas atuam de forma complementar”. Segundo ele enquanto frequências mais baixas garantem maior cobertura, as mais altas entregam velocidade e menor latência, o que direciona o uso de cada tecnologia em diferentes aplicações. Esta lógica também se reflete no uso de redes públicas e privativas:
“Na indústria aplicações de missão crítica fazem mais sentido em redes privativas. Já em veículos, com necessidade de cobertura maior, faz mais sentido utilizar rede pública”.
Sobre o avanço do 5G Pereira, destacou a chegada do Release 17, que amplia as possibilidades de conectividade. “É possível, por exemplo, em uma região remota, falar direto com o satélite. É um caminho que pode fazer sentido para a realidade brasileira”.
João Paulo Pereira, gerente de soluções e BD IoT & 5G da TIM Brasil. Fotos: Bruna Nishihata.
Ele ressaltou, no entanto, que cobertura não é o único fator relevante: “Não se trata, apenas, da aplicação da tecnologia. O nível de qualidade, estabilidade e consistência do serviço faz muito sentido para esse tipo de aplicação”.
Na indústria a aplicação também avança na manufatura. Em unidade da Stellantis, em Goiana, PE, câmaras conectadas substituem inspeções manuais: “A própria câmara processa, analisa e aponta os erros para o operador”.
Ao olhar para o comportamento do consumidor, Pereira destacou uma mudança importante: o cliente não quer saber se precisa de 800 MB ou de 1 GB. Ele quer usar música, mapas, serviços. Esta transformação também impacta a experiência de uso e o executivo da Tim propôs modelos mais fluidos de contratação e uso. “Se os dados acabam antes do fim do mês há a frustração do cliente”.
Outro ponto é a integração dos sistemas digitais: “Alguns preferem que o carro se comporte exatamente como o celular. Outros querem tudo integrado ao veículo, com comando de voz, por exemplo”.
Por fim ele apontou o avanço da comunicação dos veículos com a infraestrutura: “A possibilidade de o veículo alertar a rodovia, ou a rodovia avisar o veículo, pode evitar acidentes”.
De acordo com João Paulo Pereira o futuro será resultado da convergência de indústria e usuário: “São duas forças: a visão da montadora e a expectativa do cliente, que já está acostumado com a experiência do smartphone”.