Eaton: mais oportunidades com câmbio automatizado.

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Ainda que a Eaton espere por aumento de 13% na produção de veículos em 2018, há fatores que propagam incertezas no mercado e fazem a empresa ser menos ousada em sua estratégia comercial. Sem contar com a previsão de melhoras nas vendas internas, a escolha feita trata de concentrar esforços no desenvolvimento do mercado de câmbios automatizados no País, nicho no qual visualiza oportunidades no médio prazo.

 

A Eaton já estudava o mercado nacional no ano passado para viabilizar a produção do componente em suas fábricas instaladas aqui e decidiu levar o projeto adiante em 2017 após constatar que havia demanda para a automatização nos segmentos abaixo dos pesados. A partir da análise, concluiu que veículos dotados de transmissão automatizada dividirão o mercado com os equipados com câmbios manuais até 2022.

 

A projeção se confirmou com os anúncios de produção das primeiras versões automatizadas da Ford, com seu motor torqshift, e, mais recentemente, da Iveco, com a nova linha Tector Auto-Shift. Antecipar a produção e decidir apostar na criação de um mercado para caixas automatizadas foi determinante para que a empresa se tornasse fornecedora dos primeiros modelos. “As montadoras anteviram o mesmo cenário e, quando abriram concorrência, já tínhamos um produto desenvolvido e testado”, disse Amaury Rossi, diretor de negócios de powertrain para veículos comerciais.

 

Dado o primeiro passo dentro deste novo mercado, a empresa executa hoje uma espécie de segunda fase do plano de negócios para suas caixas automatizadas. A Eaton tem boas chances de crescer nesse nicho por meio do fornecimento do componente para a nova linha Delivery, os caminhões leves da MAN Latin America, anunciados oficialmente ao mercado na edição deste ano da Fenatran. “A linha de leves da MAN pode abrir as portas definitivamente para as caixas automatizadas porque é uma das líderes do mercado no segmento”, comentou o executivo.

 

Segundo Rossi, a empresa usará táticas agressivas para ganhar participação na faixa de caminhões até 13 toneladas com o fornecimento de caixas automatizadas. Isso envolve buscar contratos de longa duração: “Temos clientes com contratos de fornecimento mais extensos e outros nem tanto. Sem citar qual é nosso maior mix, posso dizer que vamos intensificar a fidelização nas empresas com quem temos contratos de duração menor”.

 

60 anos – As transmissões da Eaton são montadas na fábrica da divisão automotiva instalada em Valinhos, SP. De lá, abastassem o mercado interno e também países da América Latina e os Estados Unidos. Os componentes são fabricados na unidade de Mogi Mirim, SP, onde são forjadas e usinadas as engrenagens e eixos que formam as caixas de transmissão da companhia.

 

Esta fábrica é considerada estratégica pela empresa, cuja atuação completa 60 anos em 2017. Produzir lá os componentes representa para a Eaton uma oportunidade de não expor a operação brasileira às oscilações do câmbio, segundo Rossi: “É uma forma de proteger a operação, que pode ser prejudicada por uma eventual disparada do dólar ou valorização do real. Produzindo peças aqui ajudamos a operação global como um todo, contribuindo para desafogar produções em outros países que estejam operando na sua capacidade máxima”.

 

O espaço, inaugurado em 1998, é basicamente uma indústria de usinagem de peças e tratamento térmico comportados em uma área construída de 20 mil m². Há mais 40 mil² ocupados apenas pela grama do solo terraplanado e que podem ser destinados para uma possível expansão. A fábrica tem a produção dividida em dois prédios: um destinado à produção para caixas de veículos e outro, para o de veículos comerciais. A operação atualmente é feita em dois turnos e sua capacidade está em 60%.

 

A Eaton chegou ao Brasil em 1957 com uma fábrica em São José dos Campos, SP, na onda do progresso instaurada no País pela política desenvolvimentista do então presidente Juscelino Kubitschek. Foi a época em que as primeiras fabricantes de veículos desembarcaram aqui trazendo seus fornecedores. No caso da Eaton, a empresa afirma ter chegado em função de um mercado que se desenhava crescente. Seu primeiro grande contrato foi com a Ford.

 

Foto: Divulgação