CAOA-Chery define seus primeiros passos

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A CAOA-Chery, empresa criada a partir da sociedade anunciada no começo de novembro, aproveitou a calmaria após o fechamento do negócio mais importante do setor automobilístico este ano para apresentar os pormenores da operação conjunta que começará em janeiro de 2018.

 

A oferta de modelos novos ainda não foi definida, mas já se sabe que as duas fábricas da companhia, em Anápolis, GO, e Jacareí, SP, trabalharão plataformas diferentes paralelamente com a atual produção. Em Goiás será mantida a fabricação dos Hyundai em meio aos novos produtos Chery, embora circule no mercado a informação de que a CAOA deixaria de produzir os carros coreanos. São Paulo deve concentrar a produção dos veículos compactos da Chery.

 

Os US$ 2 bilhões anunciados como investimento total do empreendimento para os próximos cinco anos sairão de caixas distintos, conforme a aplicação. Segundo o acordo firmado entre as empresas, melhorias na fábrica da Chery, como a adaptação para produzir novos modelos, serão custeadas do bolso das duas sócias, assim como os serviços demandados pelo marketing e pela expansão da rede. O mesmo critério não será utilizado na fábrica da CAOA.

 

Segundo Mauro Correia, presidente da CAOA, as fábricas continuam operando de forma independente. Haverá integração das operações, mas de forma descentralizada: “Cada unidade continuará com seu diretor. A operação de cada fábrica será dividida por plataforma”. Em uma unidade, serão produzidos veículos compactos. Na outra, os SUVs.

 

Sobre a manutenção dos modelos QQ e Celer nas linhas de Jacareí, o executivo disse que estão sendo avaliados os ciclos de ambos os modelos: “É o que estamos definindo agora. A princípio será mantida a produção que temos lá hoje. E teremos importados no portfólio também”. Apesar de ter todo o portfólio internacional da Chery à disposição, não está claro se a CAOA-Chery insistirá nas vendas destes dois modelos que não conseguiram decolar comercialmente por aqui ou se produzirá veículos novos.

 

No segmento de compactos, no qual a empresa concorre com o QQ, modelos de outras fabricantes lançados recentemente começam a se consolidar, tornando a briga mais acirrada. O QQ tem como trunfo seu preço – custa R$ 26 mil e é o carro mais barato do País. A partir de agora contará com a máquina de publicidade e marketing da CAOA e com uma rede de 180 concessionárias.

 

Luis Curi, presidente da Chery, acredita em um recomeço dos dois modelos a partir da parceria. Para ele, a empresa encontrou dificuldades para se adaptar ao mercado nacional: “No Brasil, as fabricantes deram certo depois de muito tempo ou contando com um parceiro local. O presidente da CAOA é conhecido como um fazedor de marcas. Era justamente disso que a Chery precisava”. O presidente citado, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, é o maior vendedor de veículos Ford na América Latina e ajudou Renault e Hyundai a criarem raízes no Brasil a ponto de as matrizes instalarem aqui suas fábricas.

 

As negociações da parceria começaram em abril de 2016, com a Chery tomando a iniciativa de bater na porta da CAOA. Não houve outros pretendentes, afirmam os executivos. Avaliada a sinergia, viu-se que o negócio seria viável por representar a oportunidade de ter uma rede mais abrangente no País, pelo lado chinês, e acesso a produtos com novas tecnologias, pelo lado dos brasileiros. No entanto, o que selou de fato o acordo foi a possibilidade de fazer da operação da CAOA-Chery uma base de exportação dos veículos na região das Américas.

 

De acordo com Curi, “há uma clara orientação do governo chinês de internacionalizar as empresas nas quais tem participação societária”. Segundo o executivo, atuando localmente, com uma fábrica, aumentam as chances de sucesso, mas é preciso que a empresa esteja adaptada ao mercado. “No nosso caso, é uma união de forças complementares. A Chery necessita decolar de vez no Brasil e em toda a América Latina.”

 

O CAOA também enxergou possibilidades de fincar bandeira na China com o fechamento do negócio com a Chery. Para Mauro Correia, o país asiático é visto como o novo centro global da indústria automotiva e sua base de produção é ponto focal de todas as fabricantes do planeta: “O doutor Carlos sempre foi um visionário, está na história dele. A Hyundai é uma marca que ele ajudou a transformar nessa potência. E foi isso que ele viu na Chery. Ele sabe que a China se mostra como a nova fronteira da indústria automobilística”.

 

Foto: Divulgação