Presidente da República garante que Rota 2030 sairá do papel

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A indústria automotiva não precisa se preocupar porque o Rota 2030 está bem encaminhado, afirmou o presidente da Anfavea, Antônio Megale, que se reuniu, junto com catorze presidentes de empresas fabricantes de veículos, com o presidente da República, ministros e representante da Receita Federal Brasília, DF. Megale referiu-se ao encontro durante a cerimônia de entrega do Prêmio AutoData 2017, na noite da quarta-feira, 22.

 

“Não há motivo para pânico. Tenho a convicção de que um novo marco regulatório para o setor sairá. O próprio presidente nos garantiu isso.”

 

De acordo com Megale o presidente da República não fez nenhum comentário sobre o possível condicionamento do Rota 2030 ao fechamento de acordo comercial com a União Europeia: “Não há condicionamento com a indústria automotiva até porque a questão com a União Europeia envolve o setor do agronegócio. Não há nenhuma ligação com as montadoras e em nenhum momento houve menção a isso em nossas tratativas com o governo”.

 

Reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo na sexta-feira, 17, dizia que o governo federal queria priorizar o acordo comercial do Mercosul com a UE e, assim, teria decidido "não implementar o Rota 2030 até que o acordo entre os dois blocos seja fechado".

 

Tributário – Apesar de o governo garantir ao setor que não haverá condicionamento ao acordo com a UE a questão tributária ainda está em discussão: “A estrutura do programa ainda não está definida. O que se fala hoje é que teremos um IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados, nos moldes do Inovar-Auto com alíquotas de 10 ou 15 pontos porcentuais e as empresas que se habilitarem terão que cumprir algumas obrigações, como investimentos em inovação, por exemplo. Mas vale destacar que as montadoras não querem isenção fiscal: o que queremos é previsibilidade maior para as empresas”.

 

Pelo Inovar-Auto, que vigora até 31 de dezembro, os fabricantes precisam atingir metas específicas em investimento em P&D, gastos em engenharia, tecnologia industrial e capacidade dos fornecedores, além da obrigatoriedade da produção de veículos mais econômicos e seguros para ter o benefício de abater 30 pontos de IPI. Com a proposta do Rota 2030 esse benefício cairia para 10 ou 15 pontos porcentuais.

 

Em tempo: as fabricantes continuam recolhendo normalmente o IPI por cilindrada, que é de 7% para veículos até 1.0, de 11% de 1.0 até 2.0 bicombustíveis, de 13% para 1.0 até 2.0 a gasolina, de 18% acima de 2.0 bicombustível e de 25% acima de 2.0 movido a gasolina.

 

“Temos que discutir a indústria que queremos. É de grande importância investir em desenvolvimento de tecnologia para atender às necessidades locais, como é o caso do etanol. Temos que investir em pesquisa e desenvolvimento adequado para o carro flex, por exemplo, porque o resto do mundo não vai fazer isso por nós e se não fizermos isso colocaremos em risco o próprio uso do etanol.”

 

Megale afirmou que o Inovar-Auto garantiu uma economia de R$ 7 bilhões no consumo de combustível porque as empresas passaram a investir mais em tecnologia: “Isso sem falar na redução extraordinária de CO2”.

 

Foto: Christian Castanho.