Lifan e Uruguai articulam produção de veículos elétricos

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A fabricante Lifan articula com o governo do Uruguai a entrada de automóveis elétricos no país vizinho, plano que, além da montagem dos veículos em solo uruguaio, onde já possui uma fábrica instalada em San Jose, também tem como pilar a exportação dos modelos aos mercados da região, sobretudo o Brasil. Mu Gang, presidente do Grupo Lifan, esteve na semana passada no país para tratar do assunto durante a Cúpula Empresarial China-América Latina, realizada em Punta del Este.

 

No encontro o governo local apresentou esboço de um programa para viabilizar o uso do carro elétrico, o qual estabelece a construção de postos de carga nas estradas que ligam Colônia, Montevideo e Punta de Este, os principais destinos turísticos do país, e também a absorção de parte da frota produzida no sistema de táxi dos municípios e nos carros de uso do governo: "O governo promoverá políticas no campo da sustentabilidade. Ao mesmo tempo, esperamos que a Lifan expanda a capacidade de produção e lance a nova linha de produção de veículos elétricos”.

 

O presidente uruguaio também mostrou o país aos executivos chineses como um estado de que vive um quadro estável em sua política e sistema legal sólido, dois termos mágicos utilizados geralmente como argumento quando se tem como objetivo atrair investimento estrangeiro. No caso da Lifan no Uruguai seria um segundo aporte: Em 2012 os chineses investiram US$ 55 milhões na fábrica que emprega atualmente 440 funcionários, tem capacidade para produzir 20 mil veículos anualmente com dois turnos e que é responsável pela montagem do utilitário X60, o sedã LF530 e a picape Foison.

 

Com ou sem elétrico a Lifan mira expansão na América Latina e deve fazer isso por meio da operação no Uruguai. Depender do mercado brasileiro, no entanto, não deve ser a prioridade dos chineses, como deu a entender o presidente da companhia Mu Gang: "O comércio de exportação direta não resolve o problema do mercado em longo prazo. Vamos localizar componentes para os veículos elétricos, como módulos e baterias. Estamos dispostos a cooperar com governos e empresas para promover de forma incondicional a reconstrução da nova indústria automobilística na América Latina”.

 

Quando chegou ao Uruguai, a empresa via no acordo bilateral que o país mantém com o Brasil a oportunidade de inserir seus veículos no maior mercado da região. Porém, a queda nas vendas no mercado interno que se acentuaram nos anos seguintes à instalação de fábrica em San Jose interromperam a produção local e adiou lançamentos previstos. A empresa então passou a intensificar sua atuação em outros países, como Argentina e Venezuela, onde atua por meio de representantes comerciais.

 

A Lifan possui quatro modelos de veículos elétricos em sua oferta na China – o comercial leve 100E2, o compacto 320E, o sedã 620EV e a picape C3. No Brasil, a empresa vende o sedã 530, o SUV X60 e o VUC Foison. Até novembro, foram emplacados aqui 343 unidades do comercial leve da Lifan, segundo dados da Fenabrave. Os números da operação da matriz chinesa são mais expressivos. Dados de 2014, os mais recentes divulgados pela empresa, mostraram que a companhia é importante fabricante de veículos e motores: no mercado interno, vendeu 283 mil 100 automóveis e 3,6 milhões de motores. A receita com a exportação de veículos e componentes chegou a US$ 1 bilhão 33 millhões.

 

Foto: Divulgação.