Autopeças retomam o ritmo pré-greve

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29/06/2018

São Paulo – As fabricantes de autopeças já se recuperaram da greve dos caminhoneiros do mês passado e não esperam que os impactos reflitam nos negócios nos próximos meses. Ao contrário: empresas acreditam que será possível manter o volume do crescimento projetado para o ano.

 

A BorgWarner conseguiu driblar a crise gerada pela greve e atingiu 97% do faturamento esperado para o mês passado em sua fábrica de Piracicaba, SP. Segundo Adalberto Penachio, responsável pela área de sistema de emissões, foi um mês recorde:

 

“Os caminhões não chegavam até a nossa unidade para fazer o transporte das peças durante a paralisação. Com isso encontramos, como saída, fazer as entregas no período da noite, com veículos de passeio e furgões, pois os componentes produzidos em Piracicaba são pequenos. Falamos com nossos parceiros, que concordaram com a ideia e driblamos a greve."

 

Penachio disse que notou pequenas mudanças no planejamento das montadoras para o segundo semestre, como a decisão de operar nos fins de semana para compensar o tempo perdido durante a paralisação: “Diante desse cenário não alteramos nosso planejamento da unidade de Piracicaba e seguimos projetando alta de 7% a 8% no faturamento este ano diante do resultado de 2017. Esse crescimento será puxado pela retomada do mercado local e pelas exportações, pois, com o dólar mais alto, é ainda mais interessante vender para mercados externos”.

 

Osias Galantine, diretor comercial da Aethra, disse que a situação de sua empresa é muito parecida com a da BorgWarner, pois durante maio registrou alta nos pedidos recebidos e no faturamento: “Não percebemos o impacto da greve de maio, pois nosso volume produzido e o faturamento cresceram no período”.

 

Para o segundo semestre ele acredita que a Aethra registrará crescimento, como aconteceu nos últimos meses.

 

A divisão de peças da Randon, dedicada ao mercado de pesados, informou que não registrou diminuição no volume dos pedidos feitos pelas montadoras. Ao contrário a projeção é a de que a produção de caminhões e ônibus siga em alta no segundo semestre, com aumento dos pedidos dos clientes da Randon.

 

Segundo Sérgio Carvalho, seu CEO na divisão de autopeças, houve um recuo no faturamento da empresa em maio, que será compensado nos próximos meses: “Esse recuo que aconteceu em maio será recuperado ao longo do ano, pois o material não entregue durante a crise foi reprogramado para os próximos meses”.

 

A Dana informou, em nota, que suas operações sofreram impactos mínimos no período, sem redução nos pedidos -- apenas questões logísticas exigiram reorganizações pontuais. A companhia considera que é muito cedo para projetar se haverá reduções futuras que embalem para baixo o ritmo de recuperação do mercado.

 

Gilberto Heinzelmann, presidente da Zen, contou que a empresa registrou crescimento mês a mês até maio e, após a paralisação dos caminhoneiros, espera que haverá desaceleração na retomada do setor automotivo -- opinião diferente das demais:

 

“O setor crescerá na comparação com o ano passado, mas após a greve e a mudança do cenário econômico nacional acredito que acontecerá uma interrupção do ritmo de crescimento, que será menor no segundo semestre. Não me parece configurar situação preocupante para o setor: acho que a questão é o otimismo, que era maior no primeiro semestre e será menor no segundo”.

 

Fotos: Divulgação.