Operação Caoa Chery ganha corpo em Jacareí

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22/10/2018

Jacareí, SP – Duzentos trabalhadores recém-contratados começaram a montar os SUV Tiggo 2 e sedã Arrizo 5 na fábrica da Caoa Chery em Jacareí, SP. Ao menos mais 150 deverão ser contratados na virada de 2018 para 2019, de acordo com o CEO Márcio Alfonso: “Depende do ritmo do mercado após as eleições. Se seguir essa rota de crescimento contrataremos mais”.

 

Quatro anos após a sua inauguração a reportagem da Agência AutoData retornou à unidade de Jacareí na segunda-feira, 22. Em agosto de 2014, quando lá esteve pela segunda vez – na primeira ainda era apenas um terreno, na cerimônia de assentamento da pedra fundamental, em julho de 2011 –, as linhas estavam vazias. Agora controlada por outras mãos, após a aquisição da Chery pela Caoa no ano passado, funcionários e carros ocupam os galpões que ainda parecem superdimensionados para a operação.

 

São seiscentos os trabalhadores que fazem a armação da carroceria, que chega estampada da China, a pintura e a montagem final, além das montagens dos motores. Não há como não reparar nas barulhentas marteladas que os operários dão nas linhas do body shop, “para fazer o refino do ajuste da carroceria”.

 

Formada por aço comum e materiais mais nobres, com ligas metálicas de maior resistência, a carroceria tem cerca de 4,5 mil pontos de solda, que é parte feita por robôs, parte por mão de obra humana. A Caoa Chery garante, porém, que a qualidade é uma preocupação constante, tanto que diversos testes de desmontagem de subconjuntos são feitos diariamente. E, a cada seis meses, um modelo é destruído para checar se todos os pontos estão dentro do padrão exigido.

 

Após a montagem a carroceria parte para a pintura e, de lá, para a montagem final. Muitos itens do QQ, Tiggo 2 e Arrizo 5, os três modelos que ocupam as linhas de Jacareí, ainda são importados: “Estamos em um processo de nacionalização de peças e componentes. Queremos dobrar o número de peças adquiridas aqui, chegando a 520, e ter ao menos sessenta fornecedores. Hoje são 28”.

 

Mais empresas entraram para a base já com o Arrizo 2: segundo Alfonso, Michelin, Aptiv, Continental, Coplac, Colorfull, Eqmax e Pancron são novos parceiros. Há desejo de ampliar ainda mais as compras locais, especialmente para o câmbio CVT, hoje importado da China, da Aisin.

 

A parte de powertrain merece um espaço à parte, embora também só para a montagem. Blocos, cabeçotes, virabrequins e outros itens são importados da China desmontados, no caso do QQ e Tiggo 2 – no Arrizo, já chegam montados e a operação acrescenta, basicamente, os itens necessários para o flex fuel, como a galeria, chicotes e outros periféricos, além da junção com a transmissão.

 

Sob a direção da Caoa a Chery segue com planos ambiciosos para o mercado brasileiro, mas mantém os pés mais firmes no chão. Há quatro anos os chineses, ainda sem a parceria, falavam em produzir em 2018 de 100 mil a 120 mil unidades – o volume ficará em torno de 10% dessa meta. Para o ano que vem a Caoa fala em vender 34 mil unidades, o que daria pouco mais de 1% das vendas locais. Parece pouco mas é volume suficiente para deixar a marca como uma das doze ou treze mais vendidas no ranking de automóveis e comerciais leves brasileiro.

 

Foto: Divulgação.