Moura aposta em baterias de lítio

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26/04/2019

São Paulo – O Grupo Moura trabalha para apresentar ao mercado, em outubro, sua primeira bateria de lítio dedicada a um veículo elétrico. Não será, ainda, um automóvel, caminhão ou ônibus, mas uma empilhadeira – um segmento em que a eletrificação, ao menos aqui no Brasil, já é mais difundida.

 

Mas é claro que a companhia mantém os olhos atentos para o que vem acontecendo em outros mercados, antevendo uma possível tendência de eletrificação da frota de veículos brasileira. Segundo Fernando Castelão, diretor geral da divisão lítio da Baterias Moura, a empresa se prepara internamente para atender a essa futura demanda.

 

“Nosso plano é fornecer a todos os segmentos: empilhadeiras, caminhões, ônibus, automóveis, patinetes, bicicletas e outras aplicações, como telecomunicações e armazenamento de energia”, disse o executivo em entrevista durante a Automec. “Estamos nos estruturando para o futuro. A ideia é produzir em Belo Jardim.”

 

A operação da Moura se concentra na cidade pernambucana, onde mantém um centro produtivo cuja capacidade recentemente foi ampliada. De lá saem baterias para carros, motocicletas, caminhões, ônibus e outras aplicações industriais. A companhia ainda possui uma fábrica em Buenos Aires, Argentina.

 

As baterias de lítio que equiparão as empilhadeiras sairão de uma das unidades de Belo Jardim a partir de julho: “Nossa ideia é lançar na Movimat [feira de logística realizada em São Paulo em outubro]. O passo seguinte deverá ser fornecer para estações de telefonia celular”.

 

Para o setor automotivo as coisas deverão andar a passos mais lentos. Já há um projeto em curso, em parceria com a Eletra, para desenvolver um ônibus 100% elétrico equipado com bateria Moura de lítio – outra parceira é a XALT Energy, empresa estadunidense que faz parte do Grupo Freudenberg. No segundo semestre um protótipo já deverá estar pronto, mas para encomendas comerciais que justifiquem produção local Castelão estima ainda mais uns dois ou três anos.

 

“A demanda deverá vir dos operadores de ônibus, especialmente na cidade de São Paulo, que definiu um calendário para reduzir as emissões de CO2 das frotas. Estão nos planos da Prefeitura manter, em vinte anos, uma frota exclusiva de modelos híbridos e elétricos.”

 

Com relação aos automóveis Castelão ainda é reticente. Apesar do recém anunciado projeto da Toyota de híbrido flex ele ainda considera incipiente o volume para entrar no negócio – mas garante que, assim que vier a demanda, o produto será oferecido: “Há possibilidades também de fornecer para estações de recarga de veículos, especialmente essas de recarga rápida. Um banco de baterias pode fazer a recarga rápida e a rede de energia recarrega essas baterias de forma mais lenta, sem gerar sobrecargas”.

 

Os bancos de baterias, ou sistema de armazenamento de energia, são outra aposta da companhia para o mercado brasileiro. São diversas baterias, juntas, que armazenam energia – especialmente em matrizes eólica e solar, cuja disponibilidade não é linear – para uso posterior.

 

Reciclagem – Assim como faz com as baterias de chumbo a Moura trabalha para operar a logística reversa das baterias de lítio. Estas, porém, têm vida útil mais longa e possibilidade de aplicação em um segundo uso: a bateria de um carro, após seu uso encerrado, pode ser usada em um sistema de armazenamento de energia, por exemplo.

 

“Somos os maiores recicladores de chumbo do Brasil. Para cada bateria vendida no aftermarket outra é reciclada. Com o lítio não será diferente, mesmo com sua vida útil mais longa.”

 

Foto: Divulgação.