Fabricantes de motor a diesel estimam crescimento

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21/10/2019

São Paulo – O mercado de caminhões ajudou a impulsionar os fabricantes de motores diesel, embora o ritmo deste ano deverá ficar similar ao do ano passado devido a fatores como Argentina e agronegócio. Executivos do setor falaram sobre o mercado em painel no Congresso AutoData Perspectivas 2020, realizado na segunda-feira, 21, no Hotel Transamérica, em São Paulo.

 

A MWM espera ter um segundo semestre melhor que o primeiro. Ainda assim, em termos de volume, ficará no nível de 2018. “Pelas revisões das perspectivas para 2019 e o cenário da Argentina, que afetou vendas diretas e indiretas, teremos uma estabilidade este ano”, afirmou Thomas Püschel, diretor da unidade de negócios de reposição e marketing da MWM. A fabricante espera encerrar este ano com volume de 30 mil motores.

 

Já na projeção para 2020 a expectativa é em torno de 15% de crescimento, pautado em novos desenvolvimentos, novas aplicações, fomentos de exportações para países como México, Espanha e Egito e uma recuperação do mercado interno, lenta mas sustentável.

 

O ano de 2019 foi atípico para a FPT, com a desaceleração em função das dificuldades de financiamento do setor agrícola no primeiro semestre, sinalizando estabilidade este ano, compensada com o mercado de caminhões pesados, em ascensão. E o mercado agrícola já puxa uma linha de recuperação.

 

“Esperamos daqui para a frente já ver aceleração em consumo, o que deve incentivar o mercados de leves nos próximos meses”, explicou Marco Rangel, presidente da FPT. A empresa também aguarda a recuperação da Argentina. “Esperamos que não piore.”

 

A perspectiva é que este ano o mercado ficará bem próximo ao de 2018, com alta de 15%.

 

A Cummins tem boas expectativas para fechar o ano, mas não em níveis superlativos, por causa da saída da Ford, um de seus principais clientes, de São Bernardo do Campo, SP. O fato levou a produção de seus motores a ter uma queda de 10%.

 

Luis Pasquotto, presidente da Cummins, espera uma retomada positiva e consistente do país, com as reformas macro. “Projetamos em 2020 alta em dois dígitos, com uma retomada acima de 15%.”

 

A diversificação dos negócios foi uma forma de compensar perdas. A MWM lançou novas linhas de geradores e ampliou seu mercado de reposição interna e externamente, caminho similar seguido pela FTP. Já a Cummins, que atua com geradores desde 2001, investiu no pós-vendas, em novas aplicações de Euro 5 e geradores de grande porte.

 

A ociosidade no setor é preocupante. Enquanto a FPT está com 40% de utilização da capacidade instalada, a Cummins, em sua linha de motores, estima entre 40% e 45%, embora chegue a 100% de operação em linhas de usinagem. A MWM tem capacidade de produzir 119 mil motores em três turnos, mas hoje opera apenas um turno, que tem capacidade de 41 mil unidades.

 

Foto: Christian Castanho.