É a aposta do diretor de P&D da Iveco para a América Latina, Eduardo Oliveira, que participou do Congresso Megatendências de AutoData
São Paulo – Simplesmente replicar as tendências globais não é o caminho da Iveco, analisou Eduardo Oliveira, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Iveco para a América Latina, no Congresso Megatendências 2026, realizado por AutoData em São Paulo. Ele abriu a sua apresentação com um questionamento:
“Qual é o caminho mais inteligente para descarbonizar o transporte, garantindo eficiência, competitividade, confiabilidade e, acima de tudo, rentabilidade?”.
A resposta, para ele, é encontrada na singularidade brasileira: uma matriz energética diversificada, protagonismo no agronegócio e uma indústria automotiva consolidada. Esses fatores tornam o Brasil um caso à parte e exigem respostas à parte.
“O futuro do transporte no País será necessariamente multi energético”, afirmou, listando diesel, etanol, biodiesel, gás natural, biometano, eletrificação e hidrogênio como componentes de uma equação que não tem resposta única.
Biocombustíveis como vantagem estratégica
Neste contexto o biodiesel foi apresentado como alternativa renovável já disponível, com a Iveco preparada tecnicamente para operar com teores mais elevados. Mas Oliveira fez questão de temperar o otimismo com pragmatismo:
“O avanço precisa ocorrer de forma planejada, respeitando o tempo de adaptação do mercado e, principalmente, dos clientes, para não gerar impacto no custo total de operação”.
O etanol, por sua vez, é um diferencial genuinamente brasileiro. Oliveira defendeu plataformas multifuel, combinando etanol, biodiesel e gás natural ou biometano como solução prática, escalável e totalmente alinhada às condições reais do mercado brasileiro. O gás natural e o biometano foram apontados como as apostas mais consistentes para o curto e médio prazos, por equilibrarem viabilidade econômica, sustentabilidade e redução de emissões.
Eduardo Oliveira, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Iveco para a América Latina. Fotos: Bruna Nishihata.
O biometano, em especial, chama a atenção pelo potencial de reduzir as emissões de CO₂ em até 95% e pela capacidade de transformar resíduos em energia. “Criando um modelo de economia circular extremamente relevante, especialmente no agronegócio”.
Eletrificação e hidrogênio: horizontes distintos.
Sobre eletrificação, Oliveira reconheceu a relevância da tendência global, mas admite que há limitações brasileiras, como a infraestrutura, custos elevados e restrições para o transporte pesado. Por isso ela deve ser vista como parte da solução, especialmente em nichos específicos, e não como uma única resposta.
Já o hidrogênio foi tratado como grande oportunidade de longo prazo. Com cerca de 59% de geração hidrelétrica, 13% eólica e 7% solar, o Brasil reúne condições para se tornar um produtor competitivo de hidrogênio verde em escala.
Oliveira reforçou que as tecnologias de gás natural e biometano funcionam como “ponte natural para o hidrogênio, com cadeias logísticas semelhantes e uma transição mais simples.”
O caminhão do futuro vai além do combustível
O caminhão do futuro, segundo o diretor de P&D da Iveco, será definido pela capacidade de ser confiável, seguro, conectado, inteligente e orientado para o cliente, adaptando-se a cada operação e otimizando consumo, desempenho e custo.
A personalização da solução energética por missão, cliente e aplicação é o que, na visão da Iveco, determinará o sucesso das estratégias de descarbonização. “Não existe sustentabilidade sem viabilidade econômica. Esse é o nosso compromisso: desenvolver soluções que façam sentido para o Brasil.”