Para Ivan Segal, que palestrou no Congresso Megatendências, planejamento deve respeitar as diferenças regionais
São Paulo – O objetivo da Renault é permanecer como a marca de origem francesa número 1 no mundo. Seu diretor global de vendas e operações, Ivan Segal, apresentou parte do planejamento Futuready, recentemente divulgado pela companhia, em sua palestra no Congresso Megatendências 2026, realizado por AutoData: objetivo de superar 2 milhões de veículos vendidos e lançar catorze novos modelos até 2025 para acelerar sua expansão global, fora da Europa.
A Renault tem a América Latina, Coreia do Sul e Índia como mercados prioritários neste esforço. O Brasil ocupa lugar central neste plano. Segal destacou que a Renault está presente no País desde a década de 1960 e que a fábrica de São José dos Pinhais, PR, opera há mais de 27 anos de forma contínua: “Temos muito orgulho de conhecer muito bem o mercado brasileiro”.
A linha atual conta com Kwid, Duster, Oroch, Kardian, Boreal e Master, com cerca de 30% da produção destinados à exportação para a América Latina. Segal citou ainda a chegada da nova picape intermediária, a Niágara, para este ano.
Eletrificação como motor de crescimento
A transição energética, na opinião de Segal, é um assunto que frequentemente domina o debate, pois “a eletrificação não é apenas uma transição industrial: é um motor de crescimento estratégico em todo o mundo”.
Ivan Segal, diretor global de vendas e operações e vendas da Renault. Fotos: Bruna Nishihata.
A meta da Renault é atingir 100% de vendas eletrificadas na Europa e cerca de 50% fora do continente, mas sem ignorar as diferenças regionais. O objetivo é combinar duas tecnologias complementares: 100% elétrica e híbrida completa E-Tech: “Não nos opomos a elétricos e híbridos. Queremos atender às reais necessidades dos clientes e as realidades locais”.
No Brasil o reconhecimento da tecnologia flex e do etanol vem forte na estratégia. A montadora também conta com a Horse, joint venture formada com a Geely e a Aramco para desenvolvimento e fabricação de motores a combustão, com centro de operações no Brasil, para garantir competitividade também nos segmentos que ainda dependem de combustíveis líquidos. O acordo com a Geely, em novembro, selou 26,4% de participação da montadora chinesa na Horse Brasil.
A Geely terá acesso ao complexo industrial Ayrton Senna, no Paraná, e utilizará a rede de vendas da Renault no Brasil para distribuição de seus veículos. A plataforma GPE de emissões zero e baixas da Geely servirá de base para dois novos modelos a serem fabricados no segundo semestre de 2026. “Isto é só o começo, um ótimo exemplo de cooperação ganha-ganha”.
Concorrência chinesa e o futuro da indústria
Ao falar dos desafios globais Segal lembrou que a chegada das marcas com origem na China como parte de um ciclo histórico é familiar à Renault: “Na Europa vimos a chegada dos americanos, depois dos japoneses, dos sul-coreanos e agora estamos vendo a chegada dos chineses. Vemos a competição como algo positivo, que traz desenvolvimento e mais opções para os consumidores. Importante que seja com regras claras e iguais para todos”.
Para enfrentar este cenário de transformação acelerada Segal disse “que o Futuready deixa claro que temos soluções para todos os desafios. Estamos prontos para o futuro”.