Sistemistas apostam em crescimento modesto

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22/10/2019

São Paulo – Modestamente otimistas. Com esta afirmação Antônio Carlos Galvão, presidente da Eaton para a América do Sul abriu o painel dos sistemistas no segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2020, realizado na terça-feira, 22, no Hotel Transamérica, na Capital paulista.

 

Para carros, o executivo acredita em alta de 4% a 6%, e de 6% a 8% para caminhões, com o segmento leve puxando o mercado, com expectativa de incremento de 15%. Para tanto, conta com a melhora progressiva dos índices econômicos e manutenção da oferta de crédito.

 

Já as vendas ao agronegócio deverão crescer 5%, contando com as boas previsões da safra agrícola. Mas o fiel da balança, ressalta, será mesmo como caminhar a peleja de Estados Unidos com China.

 

Nas contas de Besaliel Botelho, presidente da Bosch América Latina, que contabiliza as operações de Brasil e Argentina, a aposta é de 3% de crescimento no segmento de carros, com o Brasil à frente e o país vizinho num patamar estável de 350 mil a 400 mil unidades. No agro também apostam em 5% de expansão.

 

Para Raul Germany, presidente da Dana, as apostas são mais conservadoras com expectativa de alta de 5% em veículos comerciais. Por duas razões: mercado de ônibus, dentro do modelo em que trabalham, só deverá dar um salto caso o governo dê andamento ao projeto Caminhos da Escola. E o segmento de caminhões pesados e extrapesados já está em patamar esperado e não deve crescer muito mais – a não ser que haja um novo boom da safra agrícola.

 

“Nossas perspectivas estão moderadas porque, na verdade, acreditamos mesmo que o crescimento aconteça a partir do segundo semestre de 2020.”

 

Exportações – Quando a pergunta foi como serão as exportações, Germany comemorou o grande esforço da Dana desde 2014 ao dobrar os envios ao Exterior e ganhar participação de mercado, e sugerir que a empresa continuará ascendendo nas exportações, na casa dos dois dígitos.

 

O golpe do fechamento das operações de caminhões da Ford foi acusado pela Eaton, mas a empresa, afirma Galvão, continuará trabalhando forte em seus envios para mercados representativos, como Estados Unidos, Índia e as vendas intercompany. Com isso, a perspectiva é de crescimento da ordem de 10%. Na Bosch, os 28% a 30% da produção que seguem para mercados externos deverão permanecer, segundo Botelho.

 

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O que os três executivos concordam é que o Brasil precisa urgentemente se tornar competitivo para exportar. Para tanto, são prementes as reformas por parte do governo, especialmente a tributária de modo a reduzir as taxas. Mas não é só. Outras ações são necessárias, e para ontem, como investimentos em infraestrutura.

 

“Hoje temos um tíquete médio mais alto e produtos mais tecnológicos para competir com outros mercados. E isso deve continuar, mantendo oportunidades de consumo mais saudáveis. O impasse é resolver essas questões apontadas para que possamos ser competitivos de fato. Todo mundo aposta no Brasil porque o País tem enorme potencial”, explicou o presidente da Bosch América Latina. E emendou:

 

"Minha mensagem é que fiquemos atentos ao que está acontecendo lá fora e resolvamos nossa questão de competitividade. Só assim traremos mais investimentos das matrizes e geraremos mais empregos. E justamente o ajuste fiscal poderá não apenas proporcionar esse desejo, mas também gerar receita”.

 

Foto: Fábio Arantes.