Indústria e governo buscam soluções para o pós-pandemia

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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27/03/2020

São Paulo – A indústria automotiva mantém linha direta com o governo federal em busca de soluções para a situação gerada a partir da pandemia de coronavírus. Alternativas discutidas em Brasília, DF, para outros setores, pequenas e médias empresas, podem ser replicadas ao setor, como postergação de pagamento de tributos, auxílio à folha de pagamento e até linhas especiais do BNDES para capital de giro.

 

A partir da segunda-feira, 30, nenhum automóvel ou caminhão será produzido no Brasil – e não por falta de peças, como a Anfavea demonstrou preocupação há menos de um mês, mas por causa de um movimento de proteção aos trabalhadores contra a covid-19. Ainda não há caso relatado de funcionário infectado no Brasil – o teste do caso suspeito da Hyundai deu negativo –, mas sindicatos pressionaram e as fabricantes acabaram cedendo, seguindo movimento das matrizes.

 

Como o cenário pós-quarentena ainda é nebuloso representantes da Anfavea, Sindipeças, Fenabrave e Abeifa, dentre outras entidades, conversam com o governo para desenhar possíveis medidas. Há o cuidado para as soluções buscadas pela indústria com o governo não deixem uma aparência de que se está aproveitando da situação.

 

Uma fonte revelou à Agência AutoData que um dos principais problemas detectados pelas fabricantes é o fluxo de caixa. Como as vendas caíram para algo em torno de setecentas unidades por dia – e vinham em marcha superior a 10 mil/dia –, o dinheiro parou de entrar. E não há como pedir socorro à matriz, que também enfrenta muitos problemas. Essa possibilidade, que salvou o setor na crise que durou de 2013 a 2017, já era vista como algo do passado pela própria Anfavea, que em suas últimas entrevistas coletivas deu sinais de que a ordem das matrizes era que, para o futuro, as subsidiárias deveriam andar com as próprias pernas.

 

A lista apresentada pelo setor inclui, então, a criação de linha de crédito junto ao BNDES com carência de pagamento em torno de seis meses, e, também, suspensão de alguns tributos por 120 dias, revelou a fonte. João Oliveira, presidente da Abeifa, relatou pleitos parecidos em entrevista à Agência AutoData.

 

As reuniões, realizadas pela internet, acontecem desde a semana passada. Há preocupação especial com a cadeia de fornecedores: defende-se internamente na entidade que o governo federal crie medidas de auxílio às grandes companhias de forma a criar um efeito cascata nos fornecedores, dos grandes até aos de menor porte.

 

Por ora o que o governo fez foi anunciar linhas de crédito especial às pequenas e médias empresas de todos os setores e também certa flexibilização nas leis trabalhistas, como adiamento, por três meses, do recolhimento do FGTS.

 

De outro lado o setor se esforça para auxiliar no combate do jeito que pode. Inciativas individuais, como oferecer frota e doação de máscaras da Volkswagen, liderar o reparo de respiradores da General Motors, produção de máscaras pela PSA Peugeot Citroën e Grupo Moura demonstram o comprometimento em ajudar o País a sair desta situação.

 

Foto: Divulgação.