São Paulo — O temor de quebra dos elos da cadeia automotiva, provocada por eventuais desequilíbrios no fornecimento das autopeças para as montadora durante a crise, foi descartado por Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, no segundo dia do 2º Congresso de Negócios Latino-Americano, realizado pela AutoData Editora na tarde da terça-feira, 1º.
O representante da entidade afirmou que no mercado externo volumes estão sendo recuperados e que o cenário manteve a ocupação das fabricantes de componentes instaladas no País: "Este ano entraram mais empresas no nosso quadro associativo do que saíram. Isso nos mostrou que há produção e que não há, portanto, quebra sistêmica relevante que possa comprometer a operação".
Ele propôs que sejam mantidos os esforços do governo federal em buscar novos acordos comerciais para que a indústria nacional fique menos exposta às oscilações das demandas: "Precisamos seguir discutindo formas de tornar a indústria nacional mais competitiva no Exterior. A maior integração na região, no sentido de aumentar o trânsito de peças e veículos, é outro tema relevante".
O presidente do Sindipeças disse, ainda, que este ano a análise da evolução do mercado deve ser feita mês a mês para que se entenda melhor a resposta da indústria às demandas após a retomada da produção. Ioschpe demonstrou otimismo, mesmo sem arriscar um prognóstico, de que o setor de autopeças saia de forma mais fácil da crise:
" A crise deixa um rastro mais fácil [rumo à saída] do que um cenário visto há três anos, quando não sabíamos como o setor sairia do outro lado do túnel".
Raul Amil, presidente da Afac, a associação das fabricantes de peças e partes da Argentina, disse durante o evento online que o cenário observado na Argentina é similar ao do Brasil em termos de oportunidades no Exterior e ajustes na macroeconomia que poderiam tornar as autopeças daquele país mais competitivas:
"Como há muitas similaridades, o importante é que haja um plano onde os dois mercados discutam conjuntamente medidas para fortalecer a industria dos dois países".
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