São Paulo – Dois anos antes: será em 2023 que os mercados de veículos do Brasil e da América do Sul retornarão aos patamares de 2019 e retomarão a curva ascendente pré-pandemia. Essa é a aposta de Carlos Zarlenga, presidente da General Motors América do Sul, que palestrou na quarta-feira, 2, no 2º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana, organizado pela AutoData Editora.
A projeção de Zarlenga é mais otimista do que as defendidas por outros executivos da indústria, incluindo a Anfavea, que projetou para 2025 o retorno àqueles patamares. Em 2019 foram comercializados 4 milhões de veículos na América do Sul, 2,8 milhões no Brasil.
“No ano que vem a América do Sul registrará em torno de 3,4 milhões de unidades, 2,3 milhões no Brasil, um crescimento de 20% sobre este ano. Temos que ressaltar que o segundo trimestre de 2020 não existiu na região, por causa da pandemia e das medidas de isolamento.”
Passado o soluço fundo do mercado, provocado pela pandemia, a região deverá, segundo Zarlenga, voltar ao seu ritmo médio histórico: “Nos últimos trinta anos, de 1989 a 2019, o mercado de veículos da América do Sul cresceu a uma taxa média anual de 4,5%. Assim deverá permanecer até o fim da década, embora seja arriscado apostar em alguma coisa na América do Sul”.
Essa visão justifica a decisão da GM de manter seus investimentos na região, anunciados antes da covid-19. Os R$ 10 bilhões serão aplicados em novos produtos, tecnologias e processos produtivos – só ficaram de fora eventuais aportes em aumento de capacidade, que serão desnecessários nos próximos anos devido à ociosidade, que já era alta antes da pandemia. Este, aliás, será um ponto a ser atacado, segundo Zarlenga:
“A indústria precisará passar por uma reestruturação. Montadoras, fornecedores e concessionários enfrentarão um ajuste, é inevitável. Preservando o máximo de empregos e da melhor maneira possível”.
Zarlenga voltou a mencionar a questão do Reintegra, que ficou em segundo plano por causa da pandemia. Para ele o tema deverá voltar à agenda para que haja um aumento de exportações, especialmente para a América do Sul.
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