Somado com ônibus, ajudado pelo Caminho da Escola, emplacamentos empatam com ano passado
São Paulo – O golpe está sendo mais duro com o segmento de pesados do que com o restante dos veículos quando o assunto é a falta de componentes, como semicondutores, ainda que o problema tenha sido mais intenso durante o primeiro semestre do ano. Diante da escassa oferta de caminhões Euro 5, suficiente para cumprir com a entrega de encomendas, não tem havido a tão aguardada antecipação de compras dada a mudança de motorização para Euro 6 a partir de janeiro, quando os modelos encarecerão, na média, de 15% a 20%.
No acumulado de janeiro a novembro foram emplacados 112 mil 523 caminhões, 2,4% abaixo do mesmo período em 2021. Considerando somente as vendas do mês passado, de 9 mil 935 unidades, há queda de 5,7% em comparação a igual período no ano anterior, e recuo de 6,1% ante outubro. São o que apontam os dados da Fenabrave, divulgados na sexta-feira, 2.
Somado ao dos ônibus o desempenho geral melhora um pouco, porque estes veículos foram encomendados pelo governo federal e vem sendo entregues pelo programa Caminho da Escola nos últimos meses. Foram emplacados 19 mil 179 ônibus de janeiro a novembro, 18,4% mais do que no acumulado do ano passado. Só em novembro o volume chegou a 2 mil 115 unidades, 55,6% mais que no mesmo mês em 2021 e 15,7% acima de outubro.
Encomendas do governo federal para programa Caminho da Escola puxam vendas de ônibus
Foram licenciados este ano, portanto, 131 mil 702 caminhões e ônibus, 0,1% acima de 2021, praticamente empatados. Em novembro as 12 mil 50 unidades demonstram alta de 1,3% frente ao mesmo mês do ano passado, mas 2,9% abaixo de outubro.
Para o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior, as vendas de caminhões foram satisfatórias, apesar do volume menor do que no ano passado. Ele avaliou que o setor continua aquecido, apesar do problema de abastecimento de peças e componentes, e que as perspectivas para 2023 são positivas: “Com a mudança de tecnologia e o próprio ciclo de renovação comercial devemos ter a manutenção da demanda”.
Apesar do custo elevado dos veículos Euro 6 as fabricantes têm apostado em tecnologias para a redução de até 8% no consumo de combustível, o que acaba compensando o valor se considerado o custo total de operação, em que consumo, desempenho e manutenção são levados em conta, motivos que têm animado os fabricantes de implementos em suas expectativas para 2023.
Quanto aos ônibus o dirigente celebrou a recuperação dos emplacamentos, uma vez que o segmento foi um dos mais atingidos durante o período crítico da pandemia, o que justifica os altos porcentuais de crescimento, dada a baixa base de comparação.