São Paulo – A crescente demanda por chips em meio ao cenário ainda marcado pela escassez de semicondutores resultará na diminuição de 20% da produção global de veículos até 2026, o que significa 18 milhões de unidades a menos. É o que aponta estudo encomendado pela VDA, associação que representa a indústria de veículos na Alemanha.
De acordo com dados divulgados pela Anfavea ao longo do ano passado a falta de chips resultou na perda de 4,5 milhões de veículos. Só no Brasil, 250 mil unidades deixaram de ser produzidas, em um universo de 2 milhões 370 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus que saíram das linhas de montagem do País em 2022.
De acordo com o levantamento da VDA a procura progressiva por semicondutores vem na esteira do aumento da eletromobilidade e de sistemas de assistência ao motorista, cada vez mais presentes nos veículos, e extensões funcionais, incluindo direção autônoma.
O estudo aponta que a demanda pelos chips no setor triplicará até 2030. Ao passo que, no geral, é previsto aumento de 1,8 vez na produção neste mesmo período. O crescimento da necessidade da indústria automotiva é 1,7 vez maior do que a média de outros segmentos, o que a torna, portanto, a mais atingida em uma comparação setorial.
Os modelos mais demandados para veículos são os maiores do que 90 nanômetros: conforme o levantamento 60% dos componentes requisitados nos próximos sete anos terão este tamanho. Entretanto, menos de 20% dos investimentos da indústria global de chips estarão direcionados aos itens de tamanho de 65 nanômetros ou maiores. Hoje esse setor está focado no de 7 nanômetros ou menores, a exemplo de microprocessadores com maior poder de computação e maior eficiência energética ao mesmo tempo.
Para deixar o cenário mais complicado até 2030 as fabricantes de veículos serão o terceiro maior comprador de semicondutores, atrás apenas das atividades de comunicação móvel e de armazenamento de dados.
Atentas ao movimento empresas chinesas de semicondutores estão investindo nos chips de 90 nanômetros ou mais para apoiar as montadoras locais. Neste contexto o estudo chama a atenção da VDA, que cobra que a Lei de Chips da União Europeia seja seguida de ação.
O presidente da entidade, Hildegard Müller, assinalou que a Europa agora deve investir na produção de chips relacionados a automóveis e aumentar a produção de chips grandes:
“Esta é a única maneira de minimizar a dependência de semicondutores da Ásia e fortalecer a resiliência das indústrias automotivas alemã e europeia, que só assim serão capazes de continuar seu papel de liderança em todo o mundo, garantir a prosperidade e promover ainda mais a mobilidade com impacto neutro no clima”.