Segmento de máquinas rodoviárias está sendo puxado por obras do PAC, enquanto o agrícola sofre com o recuo no preço das commodities
São Paulo – O setor de máquinas vive momentos bem diferentes em 2024, com as máquinas de construção crescendo e com os equipamentos agrícolas com vendas em queda. Nas vendas de máquinas de construção houve expansão de 12,8% nos negócios de janeiro a abril, sobre iguais meses do ano passado, somando 10,8 mil unidades, de acordo com dados divulgados pela Anfavea na terça-feira, 21.
O aumento foi puxado por fatores como maior confiança dos clientes com relação às obras e investimentos em infraestrutura, assim como pelo segmento de locação de máquinas, que está aquecido. O impacto dos R$ 9 bilhões de intenções de compras gerados na feira M&T Expo deverá chegar nos próximos meses, enquanto os reflexos do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, já ajudaram no avanço da demanda no acumulado do ano, uma vez que R$ 21 bilhões já foram dedicados em obras de infraestrutura, assim como R$ 7,1 bilhões para urbanização de favelas.
Em abril foram vendidas 3 mil máquinas rodoviárias, volume 30,8% superior ao comercializado em abril do ano passado e alta de 2% na comparação com março.
Segmento agrícola
A venda de máquinas agrícolas caiu 11,6% até abril, com 14,6 mil unidades. O resultado de abril apontou 4,2 mil máquinas comercializadas, recuo de 1,7% na comparação com igual mês do ano passado e avanço de 8,9% sobre março.
Ana Helena Andrade, vice-presidente da Anfavea, revelou alguns fatores que estão puxando o setor para baixo: “A queda no preço global das commodities produzidas no País, principalmente grãos, refletiu em um menor interesse em investimentos em novas máquinas por parte dos agricultores. A falta de financiamentos a partir das linhas do Plano Safra também causou efeitos negativos nos negócios”.
Para os próximos meses existe a expectativa positiva de que a intenção de compra de R$ 13,6 bilhões registrada na Agrishow torne-se realidade e ajude na retomada das vendas.
Exportações
A exportação de máquinas rodoviárias somou 4,4 mil unidades de janeiro a abril, queda de 13,6% na comparação com iguais meses de 2023. Abril registrou 1,1 mil máquinas exportadas, retração de 19,4% com relação ao mesmo mês do ano passado e de 13,7% na comparação com março.
No segmento agrícola foram exportadas 2,1 mil máquinas no primeiro quadrimestre, volume 34,9% menor do que o exportado em iguais meses de 2023. Em abril somou 515 unidades, recuo de 37% na comparação com abril do ano passado e avanço de 10,5% sobre março.
Alguns fatores afetaram os dois segmentos, como entraves aduaneiros e o cenário global instável no caso das máquinas rodoviárias, enquanto as exportações de máquinas agrícolas sofreram pelo mesmo motivo da queda no mercado interno: o recuo no preço das commodities que reduziram o apetite de novos investimentos dos agricultores.