São Paulo – A GWM já enviou seu pedido de habilitação ao Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, segundo afirmou seu diretor de engenharia, pesquisa, desenvolvimento e inovação, Márcio Alfonso, durante o Conexão Sindipeças, evento realizado de forma online na quarta-feira, 22. A empresa segue com o cronograma de iniciar a produção de veículos na ex-fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis, SP, no segundo semestre.
“O processo está caminhando, estamos em comunicação com o MDIC. Está faltando apenas alguma informação adicional. Nos próximos dias devemos finalizar tudo.”
Segundo ele o objetivo é que o porcentual de localização dos produtos esteja acima de 65% para cumprir o objetivo de iniciar a exportação, em um período de um ou dois anos, de seus veículos para a América do Sul.
“Nós já estamos elaborando um programa de nacionalização de peças. Estamos na fase de contato de várias empresas fornecedoras e mesmo com relação às tecnologias mais novas estamos buscando parcerias locais, até para ter apoio técnico e também porque os custos logísticos justificam esse trabalho local.”
Para contribuir com este processo o diretor da GWM afirmou que terá parceiros dentro do complexo produtivo de Iracemápolis porque boa parte da competitividade dos chineses deriva da verticalização de suas operações. Isto se dará, de acordo com Alfonso, para aqueles sistemas que requerem agregação, a exemplo de eixos e toda parte de sistemas elétricos: “Já estamos provisionando espaço para isto, o que será feito gradualmente”.
Alfonso concordou com estimativa de João Irineu Medeiros, vice-presidente de assuntos regulatórios da Stellantis para a América do Sul, de que a demanda por células de bateria aguardada para 2030, de 20 milhões e 30 milhões, justificaria a produção local.
“Tenho visão parecida com a de João Irineu, de que a demanda crescerá porque será necessário abastecer a frota toda com baterias, sejam elas maiores ou menores. Todos os carros requererão certo conteúdo eletrificado para poder atender a essas metas de eficiência e, chegando nesta escala de demanda, certamente faz sentido pensarmos na produção local.”
Alfonso completou que bateria não é um item fácil de transportar, tem logística complexa e precisa ser configurada para os veículos brasileiros pois “nem sempre aquele formato que ela possui no país de origem se aplica bem aos nossos carros, que são de um modo geral menores”.
O executivo da GWM chamou atenção para o fato de que os veículos estão ficando enormes na China, semelhantes aos dos Estados Unidos, ao passo que no Brasil não há sequer espaço físico para comportar veículos daquele tamanho, o que requer a continuidade do desenvolvimento para o mercado local. Carros menores, por sua vez, demandam pacotes de baterias menores, a fim de baixar os custos.
“Estamos procurando aproximação com institutos de pesquisa aqui no Brasil para trabalhar nessa rota tecnológica. Acreditamos muito nela porque são baterias mais baratas, que têm matéria-prima mais farta e abundante, então traremos este trabalho de pesquisa e desenvolvimento para o nosso meio, para a partir daí ganharmos escala e fazer isto acontecer aqui.”
Hoje Alfonso vê como possibilidade trazer as células para o Brasil e montar as baterias, configurá-las da melhor forma. E acredita ser difícil, por hora, ingressar na tecnologia da célula.