360º Mobility Mega Show apresenta ao mundo a indústria local, que busca diversificar e reduzir a dependência dos Estados Unidos em seus negócios automotivos
Taipei, Taiwan – Em meio às discussões das tarifas de 25% impostas por Donald Trump para peças e componentes automotivos importados, previstas para entrar em vigor em maio, a 360º Mobility Mega Show abriu as portas na quarta-feira, 23, com mais de 1 mil empresas expositoras, ocupando dois andares do Taipei Nangang Exhibition Center. O tema preocupa as empresas fabricantes de componentes de Taiwan, pois em torno de 50% da produção automotiva local tem como destino o mercado estadunidense.
Quem disse foi James Huang, chairman do Taitra, Conselho de Desenvolvimento de Comércio Exterior de Taiwan, e anfitrião da feira. Ele, no entanto, preferiu minimizar o possível impacto na indústria: “É 25% de tarifa para todos os mercados, não apenas para Taiwan. Então nossos competidores também serão taxados”.
Huang não comentou sobre as tarifas adicionais de 32% impostas a Taiwan e postergadas por Trump inicialmente por um mês. Destacou que a situação ainda está indefinida e que as empresas locais têm condições de superar a adversidade. “Mas diante das tarifas as nossas empresas precisam definitivamente buscar oportunidades em outros mercados grandes”.
James Huang, chairman do Taitra. Foto: André Barros.
A própria feira é uma oportunidade para Taiwan diversificar e expandir o alcance de sua indústria. Huang disse que União Europeia, Sudeste da Ásia e Japão, especialmente este último, são mercados para onde a ilha localizada a Sudeste da China olha com mais atenção. América Latina? Oportunidades existem, mas a região não está, ainda, no centro das atenções. O que não significa que negócios não possam ser criados.
A feira
A exposição taiwanesa é uma feira de negócios, como a Automec brasileira. Estão presentes fabricantes de diversos tipos de componentes, de sistemas multimídia a peças de motores, incluindo sensores e chips, segmentos pelos quais Taiwan é comumente reconhecida. A diferença é que a busca, nela, é por negócios tanto OEM como em reposição.
Única mídia brasileira presente na exposição de 2025, a primeira a unificar as três feiras de negócios – Taipei Ampa, a E-Mobility Taiwan e a Taipei Autotronics – no agora 360º Mobility Mega Show, a reportagem da Agência AutoData percorreu os corredores e conversou com alguns expositores, que buscam negócios em qualquer lugar do mundo: basta estar disposto a negociar.
Chama a atenção o interesse de empresas de Taiwan em um novo segmento que vem ganhando importância dentro do ecossistema automotivo: o de recarga para veículos elétricos. São muitos os expositores, com diversas soluções. No estande da Chung Kwang Electric, de Taichung, um carregador portátil é a grande novidade: você pode levá-lo para qualquer lugar e plugá-lo em tomada simples.
Carregador portátil da Chung Kwan. Foto: André Barros.
“Acaba com o problema de chegar a um hotel ou casa de alguém e não ter carregador para o seu carro elétrico”, disse o gerente de vendas Thomas Tseng. “Ele funciona com cinco tipos de amperagem, duas voltagens e pode ter cabos de três tamanhos, de 5 a 10 metros”.
São empresas pequenas e gigantes, como a Delta, uma das pioneiras no fornecimento de carregadores para EV e que hoje mantém amplo portfólio e presença global. Em seu estande um dos destaques é um totem com diversas baterias para motocicletas: a ideia é que a bateria, removível, possa ser substituída por uma carregada e colocada ali para a recarga. Solução interessante para entregadores que usam a motocicleta para o trabalho, por exemplo.
Os 100% elétricos em Taiwan ainda são minoria, apesar da proximidade com a China: dos 37,3 mil veículos vendidos no mês passado apenas 2,7 mil foram a bateria, segundo relatório da Auto Future. É um mercado dominado por marcas japonesas e europeias, com comportamento parecido com o destas regiões. O foco, portanto, é investir em infraestrutura para preparar o País para a transição e aproveitar para exportar as soluções localmente fabricadas.
Centrais multimídias, espelhos retrovisores eletrônicos, carregadores por indução, para OEMs e reposição, também se destacam. Diversos modelos, soluções e empresas expositoras ocupam muitos dos estandes das feiras. Na Jet Opto, que exporta muito para os Estados Unidos e equipa modelos Ford, GM, Stellantis e Nissan, dentre outros, as tarifas já fazem pensar em planos de transferir a produção para lá:
“Veremos como serão as coisas nos próximos meses”, disse um dos expositores, que não quis se identificar. “Hoje produzimos tudo em Taiwan, mas não descartamos construir uma fábrica nos Estados Unidos”.
Foto: Divulgação.
Não é o único: Huang disse que já existem empresas locais investindo nos Estados Unidos, mesmo antes dos movimentos de Trump. Para facilitar os planos diversos estados do país da América do Norte mandaram representantes para a 360º Mobility de Taiwan e, na quarta-feira, 23, promoveram um workshop para apresentar suas credenciais com objetivo de receber novas indústrias.
“É algo que já estava acontecendo e deverá se acelerar agora por causa das tarifas”, previu o chairman do Taitra.