Programa de R$ 3 bilhões terminou dois anos antes do período definido até 2028
Anápolis, GO – Para incorporar a operação de produção e vendas da Changan no Brasil a Caoa adicionou R$ 5 bilhões ao investimento que fará até 2028. O programa de R$ 3 bilhões anunciado em 2024 terminou dois anos antes do previsto, pois as ambições da empresa também cresceram no período, disse o presidente do grupo, Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, na cerimônia de inauguração da nova fábrica que começou a produzir o Uni-T, primeiro carro da marca chinesa montado no País.
“O Mover [Programa Mobilidade Verde e Inovação] e a visão do governo para desenvolver a indústria nos incentivou a crescer, o mercado respondeu e nós decidimos dobrar a aposta”, disse Andrade Filho, ao lado de seu irmão Carlos Philippe, com quem hoje divide a direção da empresa fundada por seu pai, falecido em 2021.
Para a inauguração eles receberam a visita do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve pela primeira vez na fábrica de Anápolis, GO, em 2007, no seu segundo mandato, na inauguração da unidade. Desta vez ele veio acompanhado de seu vice e titular do MDIC, Geraldo Alckmin, e do ministro da Fazenda, Dario Durigan, além de outras autoridades.
Philippe e Carlos com Lula no Uni-T, primeiro modelo Changan produzido pela Caoa no Brasil (Foto: Ricardo Stuckert/PR.)
Segundo Andrade Filho o novo investimento será aplicado integralmente na operação da Changan, com a produção de novos modelos. De acordo com o diretor de marketing Jan Telecki o plano da marca no País, depois do Uni-T – modelo equipado com motor turboflex de 180 cv que chega este mês às concessionárias por R$ 170 mil –, contempla mais três SUVs este ano, todos produzidos em Anápolis. Já os modelos elétricos Avatr, marca de luxo da Changan, serão importados.
Sem ainda revelar quais serão os próximos modelos Telecki adiantou que um chegará ainda no primeiro semestre e dois no segundo, incluindo versões eletrificadas HEV, híbrido pleno, e PHEV, híbrido plug-in. E todos eles, inclusive o Uni-T, já nascem com motor flex bicombustível etanol-gasolina, com sistema fornecido no Brasil pela Bosch.
Todo o investimento é da própria Caoa e a Changan participa com licenciamento da produção local e transferência de tecnologia: “Ainda não acessamos recursos do BNDES mas estamos estudando”, afirmou Andrade Filho. “O que já acessamos é um financiamento da Finep para desenvolvimento do sistema híbrido flex aqui”.
O índice de nacionalização dos modelos Changan começa baixo: quase todos os componentes são importados da China, mas no regime peça-a-peça, pagando 4% de alíquota de importação para itens sem produção no País e de 14% a 18% para os que têm similares nacionais. Com exceção da estamparia todos os demais processos de manufatura são executados em Anápolis, incluindo armação e solda de carrocerias, pintura – a fábrica já conta com três cabines automatizadas – e montagem final.
Fábrica ampliada
“Todas as nossas linhas estão preparadas para produzir vários modelos de várias marcas”, disse Gabriela Delfino, gerente geral da fábrica de Anápolis, confirmando que os modelos Chery Tiggo 5x, 7 e 8 seguem em produção normalmente e a linha em que são produzidos também recebeu investimentos. Ela relatou que a planta passou por grande ampliação nos últimos dois anos, com modernizações, automação e aquisições de novos equipamentos, como a primeira linha completa de solda a laser do País.
A área construída original de 172,2 mil m2, de 2023, cresceu 21%, para 208,4 mil m2. No mesmo período o número de robôs saltou de 42 para 209 e os processos automatizados avançaram 365%. O número de empregados mais do que acompanhou o crescimento: avançou de pouco mais de 2 mil pessoas trabalhando em apenas um turno para os atuais 7,6 mil em dois turnos. Com tudo isso a capacidade de produção de 80 mil unidades/ano foi dobrada para 160 mil/ano.
Lula assina Uni-T produzido pela Caoa em Anápolis: rotina de inaugurações industriais. (Foto: Ricardo Stuckert/PR.)
Andrade Filho confirmou que o plano, até o fim do ciclo de investimento em 2028, é ampliar ainda mais a capacidade, para 200 mil unidades/ano: “Ainda temos de superar alguns gargalos, principalmente na pintura, mas queremos chegar lá”.
Se a produção crescer como os dois irmãos presidentes ambicionam a fábrica poderá até adotar uma linha de estamparia. Pelo que se vê ao circular pela planta de Anápolis, com máquinas e canteiros de obras, segue em curso a ampliação do sonho do doutor Carlos Alberto, com novas perspectivas de inauguração para o presidente Lula e seus ministros.