Produção sente impacto da redução das exportações

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CompartilheBalanço da Anfavea
07/11/2018

São Paulo – A redução nas exportações, causada essencialmente pela crise no mercado argentino, está afetando os volumes de produção nacional em velocidade mais rápida do que a imaginada. Em outubro, pela primeira vez no ano, a evolução no acumulado ficou abaixo de dois dígitos, ainda que no limite dessa análise, em 9,9%. Os números foram revelados pela Anfavea na quarta-feira, 7, no Salão do Automóvel.

 

De janeiro a outubro o Brasil fabricou 2 milhões 458 mil unidades ante 2 milhões 236 mil nos primeiros dez meses de 2017, avanço portanto de 9,9%. No comparativo dos últimos doze meses o volume é de 2 milhões 920 mil ante 2 milhões 660 mil, exatos 10% acima.

 

A redução da velocidade da expansão é nítida: ao fim do primeiro trimestre a produção nacional avançara 14,6% no acumulado do ano, no fim do primeiro semestre 13,6% e no fim do terceiro trimestre, 10,5%.

 

Ainda que o presidente da Anfavea, Antônio Megale, não admita abertamente, alcançar a projeção de 3 milhões de unidades produzidas neste ano, o que representaria aumento de 11,1%, está se tornando impraticável. Faltam dois meses para acabar o ano e 542 mil unidades a serem fabricadas para alcançar essa meta, ou seja, 271 mil unidades em novembro e em dezembro. Apenas em um mês de 2018 o melhor volume mensal fabricado superou esse volume, agosto, com 291,5 mil. A média anual neste ano é de 246 mil.

 

Há mais complicadores: novembro terá emenda de dois feriados em um só, da quinta à terça, e dezembro costuma ter volumes mais modestos por causa de férias coletivas. Mas Megale calcula que \"de qualquer forma chegaremos perto da projeção de 3 milhões”.

 

Em outubro foram fabricadas 263,3 mil unidades, avanço de 5,2% ante o mesmo mês do ano passado e de 17,8% na comparação com setembro.

 

Emprego – O número de pessoas empregadas pelo setor automotivo caiu em outubro ante setembro. São agora 131 mil 374, redução de 0,8% ante as 132 mil 480 de setembro. Na comparação com o mesmo mês de 2017 avanço de 2,4%.

 

Segundo Megale o número de profissionais em layoff caiu para 490 no mês passado ante 827 em setembro. Não há trabalhadores no regime de PSE, regime de proteção do emprego. Quanto ao total reduzido de setembro para outubro, de 1,1 mil pessoas, Megale disse que a Anfavea ainda está “tentando entender o que aconteceu: os números envolvem toda a indústria, incluindo máquinas, e pode ter ocorrido algum ajuste em algum segmento fora o de leves, pois algumas empresas contrataram”.

 

Foto: Divulgação.