Eletra apresenta o ônibus híbrido nacional

Imagem ilustrativa da notícia: Eletra apresenta o ônibus híbrido nacional

São Paulo – O DualBus, ônibus híbrido desenvolvido por uma uma espécie de consórcio nacional com fornecedores de peso liderado pela Eletra, foi apresentado ao mercado na terça-feira, 24 – com um pouco de atraso, pois seu planejamento inicial estimava o primeiro semestre como prazo. O modelo é equipado com motor elétrico, que movimenta seus eixos trativos, e um motor estacionário a diesel, para alimentar as baterias que fazem o veículo funcionar.

 

Embora seu desenvolvimento tenha como berço a fábrica mantida pela Eletra em São Bernardo do Campo, SP, o projeto envolveu a WEG, no caso do motor elétrico, a Moura, para as baterias de níquel-fosfato, e a carroçaria foi fornecida pela Marcopolo. O chassi, por fim, veio de Resende, RJ, onde estão as linhas da Volkswagen Caminhões e Ônibus.

 

O modelo de construção é recorrente dentro da empresa em seus vinte anos de operação. E a opção por integrar sistemas, como disse Iêda Maria de Oliveira, diretora executiva da Eletra, faz mais sentido do que nunca no momento em que a demanda por ônibus híbridos pode aumentar em São Paulo: “Um grande gargalo neste segmento é o equipamento importado. No nosso caso, como contamos com parceiros locais, conseguimos custos menores”.

 

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Seguindo a lógica da executiva, em tese, o novo ônibus híbrido deveria ter um preço não muito além do que um similar equipado com powertrain convencional à combustão. Ela disse, durante o Arena ANTP, evento que reuniu fabricantes e fornecedores de componentes para ônibus no Expo Transamérica em São Paulo, SP, que o custo operacional do veículo ao operador, em função da tecnologia híbrida de propulsão, compensa se analisado o seu ciclo de vida:

 

“Conseguimos chegar a um preço competitivo no mercado porque 95% do conteúdo do veículo é nacional, o que pode não ser a realidade de fabricantes que apostaram em componentes importados e que, assim, têm uma operação exposta às oscilações do câmbio, sem falar da logística complexa. O modelo híbrido, ainda, tem, um ciclo de vida médio de vinte anos, um tempo hábil para o investimento dar retorno ao operador”.

 

Quando se trata de ônibus, há uma certa preocupação no setor a respeito de renovação de frota. Tão importante quanto o valor da compra das unidades em si, e o quanto que o veículo pode proporcionar de economia à operação de transporte de passageiros, a revenda do veículo também é considerado fator que define um negócio. No caso do híbrido da Eletra, há um componente que pode estender a vida útil do veículo e torná-lo atrativo sob este prisma:

 

“A revenda é um fator que faz parte do negócio, uma vez que os ônibus são ativos. No entanto, com veículo com tempo maior de durabilidade, a revenda deixa de ser um gargalo. Imaginando um cenário no qual o nível de restrição de emissões se torne mais rigoroso, nosso modelo híbrido pode ser transformado por meio de retrofit em um veículo 100% elétrico”.

 

O cenário sugerido pela executiva está próximo de acontecer, pelo menos em São Paulo, onde está em vigor lei que determina a redução gradual do nível de monóxido de carbono no sistema de transporte público – um panorama que para a Eletra representa possibilidade de novos negócios.

 

Nesse sentido a empresa espera, contudo, que a concorrência no mercado se dará no campo da consolidação em nichos específicos, não apenas em quem vende mais e, portanto, domina o segmento:

 

“Nossa expectativa é a de que empresas conquistem partes do mercado com tecnologias adequadas às aplicações. Determinada empresa, será líder em longas distâncias com um veículo movido à biodiesel, outra em centros urbanos com elétricos. Há espaço para todos”.

 

O híbrido DualBus tem quinze metros de comprimento, piso baixo e baterias instaladas na parte superior da carroçaria. Uma vez funcionando apenas com o motor elétrico, com o sistema gerador desligado, sua autonomia é de 70 quilômetros. Possui também sistema de frenagem regenerativa que ajuda na recarga das baterias. O conjunto promete entregar economia de diesel em 28% e emissão de CO2 30% menor. Há também controle de velocidade.

 

A fábrica instalada no ABCD Paulista tem um quadro formado por 65 funcionários, com capacidade instalada para quarenta kits de tração elétrica por mês. A empresa utiliza esse critério para dimensionar sua produção uma vez que, dependendo da demanda, a montagem final das suas encomendas é feita na última parte das linhas de produção das encarroçadoras. Quando a demanda é pequena, a junção dos componentes acontece em São Bernardo do Campo.

 

Afora os chassis VWCO, o ônibus híbrido é homologado para ser equipado com o de outras fabricantes, como Mercedes-Benz, Scania e Volvo. A frota circulante de ônibus Eletra, dentre híbridos, trolebus e elétricos, no País, é de 350 unidades. Existem duas unidades do DualBus em operação na Metra, operadora de transporte subsidiária do mesmo grupo controlador, o Setti Braga.

 

Foto: Divulgação.